Opinião: Como lançamentos incompletos estão excluindo jogadores dos consoles

Mafia 3 e No Man’s Sky talvez sejam os lançamentos recentes mais emblemáticos no quesito “Jogo Incompleto”. Os primeiros usuários foram quase completamente entregues aos glitches e bugs que, em muitos casos, impossibilitaram uma experiência decente. O péssimo costume de lançar títulos incompletos, mal trabalhados ou cheio de erros confiando na viabilidade de patches de correção tem sido uma postura comum em muitas desenvolvedoras, principalmente as gigantes. A questão é que esse tipo de comportamento recorrente traz um grande problema para os usuários de consoles, principalmente àqueles de menor poder aquisitivo ou que não tem acesso à serviços de bandalarga de qualidade: a exclusão.

O principal ponto é que, na prática, jogos AAA de grandes desenvolvedoras lançados de qualquer maneira acabaram por obrigar que os usuários tenham acesso constante e de boa qualidade à internet. Lembrando que 3 anos atrás, quando a Microsoft sequer cogitou a necessidade de conexão initerrupta para o Xbox One funcionar, a internet veio à loucura. Ou seja, caso você não conte com uma conexão decente, você corre o risco de não conseguir baixar aquele pacote de atualização de primeiro dia (first day patch) que é cada vez mais necessário para o jogo ser jogável de forma minimamente aceitável. Em muitos casos a caixinha física, antes opção para quem não gostava de comprar versões digitais, praticamente virou um adereço decorativo.

Jogadores que esperam para comprar e jogar games mais antigos sofrem ainda mais, pois acumulam anos de pacotes de atualização e melhorias que juntos muitas vezes extrapolam o tamanho do jogo base completo. Exemplos não faltam por aí. Temos que admitir quando uma empresa investe na melhoria do título, sem dúvida, mas isso não pode ser prática comum, principalmente em jogos que têm como objetivo a campanha single-player. Melhorias constantes são completamente desnecessárias nesses casos se o jogo for bem feito, portanto, o jogo ser lançado intencionalmente incompleto é puro desleixo das desenvolvedoras ou uma necessidade gananciosa de atender aos investimentos do mercado financeiro, que cada vez mais influenciam o mundo dos games também.


Mafia 3 tem problemas bizarros.
Para piorar, em muitos países e regiões, há o limite de pacote de dados da internet (no Brasil essa sombra ainda paira sobre nós) inclusive em regiões e estados de países ditos de primeiro mundo. Portanto, em algumas regiões já é factível a realidade de que se você não tem muita grana, você só pode comprar/instalar um jogo/update por mês ou esperar dias com seu console ligado baixando na velocidade reduzida de um pacote limitado. A realidade de que videogame sempre foi algo para poucos nós sabemos que é verdade, mas excluir ainda grupos por pura falta de cuidado das empresas desenvolvedoras é um assunto muito complexo e que não merece nossa cumplicidade.

Além da inconveniência de um jogo mal feito, que por si só já é bastante estúpido, haja vista tanto bombardeio de marketing que recebemos, ainda temos que lidar com o fato do jogo excluir certa parcela de gamers. Por isso, já deu de aceitar que empresas lancem jogos incompletos. Temos que exigir nossos direitos, enviar e-mails para seus serviços de atendimento, ligar e reclamar, postar em fóruns e sites, fazer análises que apontem e não perdoem essa prática esdrúxula e questionar sempre que possível os produtores.

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Ricardo Carvalho

Ricardo Carvalho é escritor, desenhista, filósofo de sofá, cineasta frustrado e ativista pela aceitação mundial de que videogame é arte. Redes: twitter.com/perfilricardoc, instagram.com/perfilricardoc.
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