Anúncio do Nintendo SWITCH não agradou o Mercado

A Nintendo teve uma excelente fase no quesito “negócios” com o seu revolucionário Wii. A gigante japonesa escolheu, com esse console, buscar dentro de cada casa, de cada família, a vontade de jogar de quem não era um gamer de fato. Não à toa alguns dos primeiros comerciais do Wii tratavam de um representante da Nintendo demonstrando o console para donas e donos de casa e, em geral, pessoas mais velhas que à época figuravam pouco entre o público dos games. Ou seja, a Nintendo trouxe para o mercado de jogos eletrônicos, antes do boom de smartphones, as pessoas que normalmente não jogavam videogame. A reação do mercado foi incrível, a Nintendo cravou anos de liderança nas vendas de consoles sem precisar competir nem mesmo indiretamente com os consoles da Sony e da Microsoft.

Entretanto, com Wii U as coisas foram diferentes. Sem inovar tanto, eu diria que até muito pouco, a empresa japonesa viu suas ações despencarem 5% de uma dia para o outro após o anúncio do console, mesmo mais de um ano antes dos competidores lançarem seus novos consoles, o que em tese daria uma margem considerável de pontencial de vendas. Para piorar, o desempenho de vendas tanto de consoles quanto de games do WiiU foi muito ruim ao longo dos anos. A Big N amargou anos péssimos com seu atual console. Tal quadro negativo só não foi pior, pois a empresa conseguiu se manter com a liderança disparada no mercado de portáteis com seu querido Nintendo DS. Suas ações só foram ter uma crescente significativa com o lançamento de PokémonGO ainda nesse ano de 2016.

Infelizmente, a mesma reação negativa do WiiU se repetiu com o recém anúncio do Nintendo Switch. Na véspera, o mercado se animou e as ações da Big N subiram, porém no dia seguinte ao anúncio do console on-the-go da Nintendo, o valor das ações da japonesa caiu quase 7,3% passando de U$ 261,60 para U$ 242,40. Isso se dá provavelmente pelo fraco vídeo divulgado no Youtube. Apesar de divertido para alguns de nós, gamers, o trailer do Switch foi um banho de água fria no mercado que passou um ano inteiro esperando uma grande revolução na maneira de se jogar videogames, algo parecido com o impacto do anúncio do Wii. Pelo contrário, o que vimos não foi nada de muito inovador. Além da expectativa não alcançada no quesito inovação, as diversas dúvidas quanto ao que o console irá oferecer, deixou tanto o mercado quanto os próprios gamers extremamentes frustrados. Um anúncio ao vivo, em uma espécie de Nintendo Direct atenderia melhor essas grandes expectativas mesmo que fosse apenas para preparar o terreno para um anúncio mais completo depois.

Na minha opinião, a Nintendo deve tomar muito cuidado em como e o que anunciar nos próximos meses e próximas semanas. As antigas informações sobre o sistema de contas e integrações da Nintendo e a própria line-up de lançamentos do Switch poderiam ser explorados agora de forma a agitar ainda mais os ânimos. O mercado já até esqueceu desses dois casos, ao que parece. Porém, como comentei no post de anúncio do console, acredito que a empresa tem uma máquina poderosa em termos de mercado. Aproveitar a expertise que já possui em games portáteis, atrair usuários casuais que se inseriram no mundo dos games com Wii e mais recentemente com o boom dos smartphones, tomar o espaço como videogame secundário dos hardcore gamers explorando a comodidade da experiência on-the-go e o foco em multiplayer local podem gerar uma grande procura pelo console e uma base sólida de usuários. Porém, tudo isso tem que ser meticulosamente bem direcionado e refletir um preço condizente, pois cobrar o valor de um console já bem estabelecido como o PS4 seria um tiro no pé.

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Ricardo Carvalho

Ricardo Carvalho é escritor, desenhista, filósofo de sofá, cineasta frustrado e ativista pela aceitação mundial de que videogame é arte. Redes: twitter.com/perfilricardoc, instagram.com/perfilricardoc.
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