Análise: Yakuza 0 te leva a uma insana Tóquio dos anos 80

A franquia Yakuza não é muito conhecida por nós, pois é um jogo de nicho, além de ser feita por japoneses para japoneses. Seus jogos, embora localizados em inglês, sofrem com a demora nesta localização, porém, trazem uma história envolvente e cheia de altos e baixos. O mais novo título da franquia, Yakuza 0, é um jogo ideal para quem quer se aventurar pela primeira vez na franquia, pois conta o início de tudo. Originalmente, o jogo foi lançado em 2015 para PS3 e PS4 no Japão e sua adaptação finalmente chegou para nós.

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 Kazuma Kiryu e Goro Majima

Yakuza 0 se passa em Tóquio no final da década de 80. Como o nome já entrega, nós nos passamos por pessoas da máfia japonesa Yakuza e conhecemos a história do jovem Kazuma Kiryu – o personagem principal de toda série – que fica na região de Kantō (não, não há Pokémon aqui). Também conhecemos a história de Goro Majima, que fica na região de Kansai.

Nesta história, veremos os dois protagonistas procurando uma espécie de redenção com a Yakuza após terem passado por situações extremas. A história se baseia na premissa da revitalização da área central de Tóquio, onde todos estão interessados em adquirir o “Empty Lot” (espaço vazio). Esse é o único espaço vazio de toda a região, ou seja, quem o adquirir irá possuir muito poder de barganha, será o líder desta reforma e ficará extremamente bem visto dentro da Yakuza, com possibilidade de assumir sua liderança. Tanto Kiryu e Majima têm que literalmente lutar por suas vidas e escapar de todas as enrascadas que se metem para conseguirem a área.

O interessante deste jogo, é que na verdade ele tem duas histórias sendo contadas “ao mesmo tempo”. A cada dois capítulos você joga com Kiryu e os próximos dois você joga com Majima. Cada uma das histórias tem uma pegada diferente, já que os capítulos de Kiryu têm mais foco na compra e venda de terrenos e os de Majima no controle de cabarés.

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Trocando socos por dinheiro

Para quem não sabe, este belo jogo nipônico é no estilo beat them up, ou seja, é sair para as ruas e literalmente cair na porrada com a Yakuza, com membros de gangue e muito mais. Cada um dos dois personagens tem três estilos únicos de luta que variam entre: estilo normal, ágil, e “controle de massa”.

A cada luta que se passa ganha-se dinheiro, este que serve de experiência. O valor adquirido varia muito do seu estilo de luta (se você usa mais de um estilo, se consegue vencer sem ser acertado, se usa as finalizações especiais, etc). A quantia pode variar de alguns poucos Yens até milhões de Yens. Esse dinheiro pode, literalmente, ser investido em você para liberar novos perks de habilidade, força, resistência e melhorar a vida. O que acontece é que a partir de certo momento, cada novo perk custará literalmente dezenas ou centenas de milhões de Yens. Para conseguir somar tal quantia, você ficará viciado em comprar negócios e coletar seu lucro com Kiryu, ou então em fazer seu cabaré ser o de maior sucesso com Majima. A cada rodada destes mini games, você consegue ganhar dezenas de milhões. Um aviso: eles são viciantes!

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Falando sobre a luta em si, tenho uma grande crítica e um elogio. A crítica vai pro sistema de luta no geral, que é muito rígido e te frustrará por muitas vezes quando lutar com diversos inimigos ao mesmo tempo. Não existe um comando de esquiva com agilidade e redirecionamento de alvo. Ele é rígido e aleatório. Muitas vezes eu fiquei com raiva ao passar de uma luta, pois apanhava muito e não conseguia fazer nada senão levantar para cair novamente. Já o elogio vai para os estilos de lutas e possíveis combinações. O mais legal é a finalização especial, que sempre acaba com o inimigo de uma forma incrível e violenta.

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Sidequests, minigames e uma Tóquio dos anos 80

Em minha opinião, o ponto alto de Yakuza 0 se encontra em seu mundo vivo e no conteúdo além da história principal. Ao andar pelas áreas, você irá reparar que Tóquio é uma cidade decadente, machista e oportunista. Será normal encontrar pessoas tentando falar com você para vender algo, mulheres querendo se prostituir, bêbados cambaleando pela rua e muito mais. Essa ambientação é muito bem feita para mostrar o estilo das pessoas e de como os ricos mandavam na cidade, juntamente com a disputa territorial das gangues.

Embora a cidade tenha sua beleza visual, com suas ruas, lojas e esquinas escuras, o jogo deixa muito a desejar no quesito qualidade gráfica. Aqui, temos que entender que o jogo foi feito há quase dois anos para o PS3 e está recebendo esta versão para o PS4. Então, não devemos esperar por um jogo ultra realista (até porque não é a proposta dele), mas seria legal ter algo além do que foi proporcionado em Yakuza 0. O jogo simplesmente deixa muito a desejar. Enquanto as cutscenes são muito bem feitas e os personagens principais são bem legais  (possuem uma animação robótica, entretanto) os personagens secundários e NPCs, com quem você interage muito, são dignos do início da geração do PS3. Eles são simplesmente feios demais e muito toscos. No geral, o jogo varia de gráficos e momentos muito legais a personagens toscos.

Embora fisicamente eles sejam mal feitos, suas histórias são as mais incríveis e aleatórias. Não vou dar nenhum spoiler, mas darei pequenos exemplos. Você é um cara mal encarado da Yakuza e, de repente, um cara sem calças pede sua ajuda, pois ele teve as suas roubadas por um caçador de calças de estudantes. Ou então, você, este ser nada simpático, se envolve num caso onde tem que ensinar uma menina a ser dominadora/masoquista para ela ter sucesso em seu trabalho e chamar seus clientes de porcos imundos enquanto pisa neles. E claro que tem o tarado da cidade chamado de “Homem Libido”. Acho que vocês conseguiram entender meu ponto. Essas missões secundárias são maravilhosas, super engraçadas e absolutamente aleatórias.

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Por fim, Tóquio é uma cidade do prazer. É possível participar de todo tipo de atividade, da mais séria até a mais inescrupulosa. É possível investir seu dinheiro em fundos de ações, jogar sinuca, dardos, beber, comer, cantar karaokê, dançar na boate e até assistir um vídeo de soft porn. Sim, tem muita coisa para se fazer em Tóquio e isso complementa muito bem o jogo.

Ótima história e personagens

Durante minhas mais de 30 horas de gameplay, eu pude fazer muita coisa em Yakuza 0 e, felizmente, a qualidade da história nunca caiu (muito pelo contrário, só melhorou). Se você está acostumado a assistir séries no Netflix em que há muitos plot twists e muitos dos seus personagens morrem, então Yakuza 0 é seu jogo. Particularmente, eu gostei muito de todas as cutscenes, que consistem em uma melhora visual nos feios gráficos de gameplay e sempre são cheias de tensão. Os personagens são muito bons e suas motivações são muito bem definidas. E quando parece que vai ser o fim da linha, algo completamente inesperado acontece, apresentando algum novo personagem ou resgatando algum esquecido.

Algo que acaba pesando um pouco é que você deve se preparar para longas cutscenes durantes as conversas. Muitas das vezes joguei-o à noite e posso afirmar que em certos momentos dava sono. Não porque o jogo é ruim ou a história é desinteressante, mas porque as cenas são longas e lentas.

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Conclusão

Yakuza 0 foi o primeiro jogo da franquia para mim e gostei muito do jogo, em especial por eu ser fascinado pelo Japão. Achei a cidade muito viva e bem caracterizada para a proposta de uma cidade decadente dos anos 80. Os destaques vão para os personagens, que são muito bons, e para a história, que sempre te deixa com um gostinho de “quero mais”. E claro, as sidequests aleatórias são uma ótima forma de dar boas gargalhadas e ver algumas bizarrices japonesas. Já para o lado negativo, temos que citar o fato de que o jogo tem uma qualidade gráfica abaixo do aceitável (mesmo levando em conta que ele foi feito para o PS3), o que acaba causando estranheza diversas vezes, lembrando um jogo do início da geração do PS3. Também tenho que deixar bem claro a frustração com a mecânica de combate, que por muitas vezes te deixará irritado. Existem lutas fáceis ou muito difíceis, não existe um meio termo em que você possa usar suas estratégias.

notas

Publicado
Mestre supremo do Ultima Ficha, não manda nem em seus próprios posts. Embora digam que é geração PS2, é gamer desde o Atari e até hoje chora pedindo um Sonic clássico e decente. Descobriu em FF7 sua paixão por RPG que dura até hoje. Eventualmente é administrador e marketeiro quando o chefe puxa sua orelha com os prazos.

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