Análise: Resident Evil 7 eleva os parâmetros de survival horror e entra para a história

A franquia Resident Evil foi originalmente lançada em 1996 e cunhou o termo Survival Horror. Depois de ter tido seu sucesso garantido, a franquia recebeu muitos jogos, remakes e remaster de Resident Evil 0 e 1. Porém, após o também aclamado Resident Evil 4, a série começou a se perder e sofreu com a influencia dos jogos de ação em sua formula e voadoras incompreensíveis na cara dos zumbis. Com tudo isso os spin off’s e continuações levantavam muitas dúvidas na comunidade. Após a Capcom ouvir milhares de reclamações, podemos dizer, como fãs da franquia, que ela voltou melhor do que nunca e Resident Evil 7 bota a franquia de volta aos trilhos de forma magistral.

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O misterioso Ethan e sua esposa desaparecida Mia

Após diversas tentativas da Capcom de introduzir em seus novos jogos os personagens principais da série, ela tomou a audaciosa e correta decisão de apresentar novos personagens sem obrigatoriamente se fundamentar na história e em personagens do passado. Resident Evil 7 se passa após os acontecimentos de Resident Evil 6 em uma fazenda no interior dos EUA, na Lousiana. Nele, o personagem Ethan Winters, irá para a propriedade dos Bakers para procurar sua desaparecida esposa Mia Winters. Ao chegar nesse local é obvio que as coisas não vão nada bem e ele é capturado por esta peculiar família que é composta pelos antagonistas Jack Baker (o pai), Marguerite Baker (a mãe), seu filho Lucas Baker e a “avó” Baker que literalmente te olha em sua cadeira de rodas ao longo do jogo. Há ainda Zoe Baker que terá papel fundamental ao longo da campanha.

O tema desenvolvido ao longo do jogo é que os Bakers tem uma obsessão pelo conceito de família e eles farão de tudo para que você entre na sua deturpada família. Logicamente ao negar esse quase irrecusável convite, caberá a você escapar desta residencia com vida. O que é interessante desta pequena composição de personagens, é que cada um tem seu estilo próprio e domina uma área da propriedade. Sem entregar muito da história, podemos falar que Jack é um tanque que lhe perseguirá ao longo da casa, que Marguerite tem um temperamento mais instável e controla uma horda de insetos e por fim Lucas que fará você alvo de sua insanidade. O interessante, é que os personagens bebem muito na cultura pop como, por exemplo, Jack lembra o implacável Michael Myers de Halloween ao lhe perseguir e seu filho Lucas tem uma inspiração em Jogos Mortais (want to play a game?), com seus jogos psicológicos.

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O survival horror está de volta renovado, mais apavorante, e incrivelmente fascinante

A franquia Resident Evil não fundou o termo survival horror atoa. O segredo de seus jogos, sua essência, sempre foi tentar sobreviver em meio a um cenário de terror/horror. Resident Evil 7 segue essa linha. Mais do que isso. Ele faz uso de elementos contemporâneos de jogos de terror que fizeram muito sucesso e adapta isso ao lendário mundo de Resident Evil. Tudo está ali: o ato de poupar itens e encontrar a melhor forma de sobreviver. Os mistérios que envolvem a trama e a sensação de pavor e angústia que te seguem ao longo do jogo. Esqueça os soldados fortemente armados e treinados dos últimos jogos. Aqui, você se sentirá no final da cadeia alimentar (dos Bakers) e algumas vezes terá que se esconder como um garotinho assustado enquanto os Bakers te procuram. Como é de se esperar, há um vírus na história. Ele é apelidado de “mofo” (e vamos parar por aqui para não dar spoilers). Historicamente, os vírus da série Resident Evil foram produzidos para controlar a mente humana e colocar todos sob seu controle (um exército de zumbis), porém, sendo um vírus mais imprevisível do que o outro, nós tivemos todas as catástrofes que conhecemos na franquia. Neste caso o mofo tem a fase de controle, como os Bakers e depois segue para seu estágio final que são os “zumbis” do jogo e tem seu nome de “Mofados”.

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Monstros muito mais espertos e apavorantes

Diferente dos zumbis que eram burros, os mofados tem uma inteligência interessante. Como é sabido, o melhor lugar para atirar é sempre na cabeça e os mofados também sabem disso. Com isso, eles irão desviar de sua mira ou então colocarão a mão na frente para proteger sua cabeça dos tiros.

O interessante deste vírus é que ele não somente afeta as pessoas, como também afeta o ambiente e deixa ele com uma aparência de gosma que lhe da calafrios. A cada novo cenário, a cada porta aberta, você ficará receoso de que o inimigo irá aparecer e tentará te matar. E diversas vezes você vê a transformação do cenário que passa de algo normal e limpo para um cenário totalmente aterrorizante e medonho. E não só isso, este mofo da uma notável habilidade de regeneração dos inimigos, então você sempre vai querer mirar na cabeça custe o que custar ao tentar se esquivar dos monstros em ambientes fechados e com pouca mobilidade.

Por falar em ambientes, temos que aplaudir de pé a Capcom pela construção de seu mundo. Ela trouxe de volta o sentimento de claustrofobia ao ficar dentro de uma casa com pequenos corredores e uma movimentação mais pesada. E não é só isso, a caracterização de cada comodo é impecável, em especial quando você conhece o porão nada amigável dos Bakers.

E por fim existe as memoráveis lutas contra os chefões. Todas elas são muito legais e o que achei mais interessante, é a possibilidade de diferentes mortes. Embora como em todo jogo existe uma lógica e padrão de movimentação, os chefões mudam constantemente a cada luta, dando um ar de novidade a elas. É incrível como Resident Evil 7 teve seu gameplay atualizado para conseguir sentir o mesmo nível de tensão que sentíamos no inicio da franquia.

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Nova câmera, medo antigo e muito saudosismo

A evolução na câmera da franquia é algo notável. Inicialmente tínhamos uma câmera fixa que foi a marca registrada de Resident Evil por muito tempo. A partir de Resident Evil 4, tivemos a revolucionária câmera em cima do ombro que mudou o mercado de games e acabou levando a franquia para uma pegada mais de ação. Agora temos a câmera em primeira pessoa que faz retornar o sentimento de tensão. Bebendo da fonte dos jogos modernos como Outlast, Alien Isolation e outros, Resident Evil 7 entrega um nível de tensão muito grande ao longo do jogo enquanto percorre os mofados corredores do jogo.

Mas as mudanças não se resumem somente a câmera. Vale notar que a mobilidade é mais pesada para que você não possa sair correndo do inimigo e tenha que pensar rápido ao enfrenta-los. Uma adição simples e valiosa é o botão de proteção. Ao longo do jogo você irá apanhar (e muito), porém, existe o botão L1/LB que levanta a mão de Ethan ao seu rosto e diminui o dano tomado (a mesma mecânica de proteção dos mofados).

O inventário limitado é trazido de volta, juntamente com as armas clássicas e o saudoso baú. Também existe a possibilidade de forjar medicamento e munição. Poderíamos ficar horas discutindo cada homenagem feita a todos os jogos da franquia e aos comandos e habilidades, mas podemos resumir que os fãs da série se sentirão em casa.

E por fim, temos os maravilhosos puzzles que são uma marca registrada da franquia. Seja pegar a chave certa para abrir uma porta, ou então pegar peças necessárias para prosseguir, o jogo lhe brinda com diversos desafios (e muitos deles nojentos). O que mais se destacou para nós, foi o puzzle da sombra onde você tem que igualar o simbolo da parede. É absurdamente bem bolado.

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Compra obrigatória: sim ou com certeza?

Para quem estava saudoso pelos tempos áureos da franquia, Resident Evil 7 traz aquela empolgação juvenil de volta, como eleva todos os parâmetros de survival horror já vistos no mercado. Mantendo essa forma, Resident Evil tem tudo para marcar mais uma era de jogos lendários.

É difícil destacar algo no meio de tantos acertos, mas a ambientação assustadora e tensa vale aplausos de pé. É curiosamente reconfortante voltar a sentir medo após virar cada corredor ou abrir uma nova porta.

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Leonardo Coimbra

Mestre supremo do Ultima Ficha, não manda nem em seus próprios posts. Embora digam que é geração PS2, é gamer desde o Atari e até hoje chora pedindo um Sonic clássico e decente. Descobriu em FF7 sua paixão por RPG que dura até hoje. Eventualmente é administrador e marketeiro quando o chefe puxa sua orelha com os prazos.
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