Análise: Fate/Extella The Umbral Star marca o retorno da franquia ao Ocidente

Fate é uma das franquias mais renomadas do Japão graças ao seu fantástico universo expandido. É até difícil acreditar que tudo começou devido a um visual novel do estilo “hentai” (pornografia de mangas/quadrinhos) lançado para PC em meados dos anos de 2000. Com uma história tão boa, resultou numa versão “censurada” com conteúdo mais sério e sem pornografia. A história tem como foco a guerra pelo cálice sagrado onde sete magos invocam espíritos heroicos para representá-los em combate. Primeiramente fomos apresentados a personagens como o lendário rei Arthur, Hércules, Medusa, Cu Chulainn e, até mesmo, Gilgamesh, o antigo rei da Mesopotâmia.

Devido ao sucesso logo surgiram vários spin-off. Um dos meus favoritos foi Fate/Extra (PSP) que mais nada era se não um RPG de turnos produzido pela Marvelous e que conta sobre uma guerra sagrada que se passa num mundo de realidade virtual. Toda a questão de magia presente na série original deu lugar para características envolvendo tecnologia, porém, manteve a mesma essência. Ao invés de 7 magos, agora era um número superior a 100. Fate/Extra também foi o segundo e último jogo da franquia a dar as caras no ocidente (o primeiro era o jogo de luta feito pela Capcom: Fate/ Unlimited Codes).

Poucos anos depois surgiu Fate/Extra CCC sendo uma continuação direta do anterior e que infelizmente não recebeu localização. Pouco tempo depois o estúdio fez o pedido de falência, fazendo todos acreditar que a “saga” Extra tinha chego a seu derradeiro fim. O anuncio de Fate/Extella e seu lançamento ocidental trouxe uma nova luz para a franquia Fate no geral, mesmo que seu carro chefe estivesse sendo o jogo de smartphone Fate/Grand Order que só se encontra no Japão e China.

UM MUSOU COM POTÊNCIAL

Fate/Extella abandona os moldes de RPG de seus antecessores e passa para a “pancadaria” dos musou, contudo, podemos encontrar várias características que foram mantidas. É interessante ver a adaptação dos “servants” (os personagens jogáveis) para o estilo, mantendo a lealdade para com os seus golpes e estilo de batalha. Por mais que os comandos sejam iguais para todos, cada um tem suas peculiaridades que é importante notar para se ter uma vantagem contra as hordas de inimigos e boss battle.

Não tem complexidade. Para vencer é necessário conquistar um grande número de áreas e realizar as missões que surgem na tela. No topo da HUD existe uma barra com quinze “chaves” de cada lado, cada área a ser conquistada garante o dono desta um número x de chaves. Desta forma não é necessário conquistar todas as áreas, mas o número necessário para adquirir 15 chaves. Seus aliados são ainda mais passivos que os inimigos e, por culpa disso, inúmeras vezes você acabará se encontrando em situações de extrema desvantagem.

A jogabilidade é fluida e não se vê nenhuma queda de fps. Tanto a versão de PS4 quanto a de PSVita conseguem fazer um bom trabalho tranquilamente em relação a isso. Problemas técnicos ficaram totalmente de fora.

UM MUSOU COM BOA HISTÓRIA

O maior medo em relação a Fate/Extella era exatamente a sua história, uma vez que jogos musou que pegam uma franquia já existente para tentar adaptar acabam falhando cruelmente em trazer um plot interessante, mas Fate é marcado por sempre possuir um bom enredo.  E Fate/Extella não iria ficar de fora, já que sua narrativa consegue fazer o jogador se apegar com os personagens e chocar-se por conta de certas revelações e desenvolvimento da história. Devo deixar claro que é emocionante, tem um vilão “filho da puta” e um final de quero mais.

Aqui vemos três rotas que se passam em linhas temporais diferentes, porém, elas acabam se encaixando e uma dando maior sentido para a outra. O primeiro foco é a batalha entre as serva Saber (Nero Cladius) contra a Caster (Tamamo no Mae). Porém, devo dizer que isso chega nem mesmo a ser 25% do que o jogo está disposto a apresentar.

A Marvelous fez um excelente trabalho em não puxar tantos assuntos envolvendo o Fate/Extra CCC, focando-se mais no que aconteceu em Fate/Extra para assim não causar confusão nos jogadores que não entendiam a escrita japonesa e, por conta disso, nem mesmo cogitaram em jogar o segundo game da trilogia. Até mesmo quem não jogou o primeiro jogo, acaba livrando-se de se perder graças a um bom resumo que Nero dá logo no começo do jogo.

Por mais que no momento de ação você controle os servos, o protagonista real é o “mestre” na qual você seleciona o sexo assim que começa a história. O dever dele é dar suporte aos combates usando habilidades como heal, aumento de defesa, escudo contra um elemento x e etc. Além disso, vale ressaltar que a forma que é contada a narrativa do jogo mostra as falas deste personagem de um jeito diferente dos demais, como se fosse a escrita de um livro em primeira pessoa onde podemos levar as ações, pensamentos e falas num texto corrido.

MUSOU COM SIMULADOR DE RELACIONAMENTO

Japonês ama colocar simulador de relacionamento em tudo. De alguma forma neste jogo acabou se encaixando bem, afinal um dos pontos chaves de Fate se na relação do mestre e seu servo. Como o jogo se passa após inúmeros acontecimentos, podemos ver que Nero e Tamamo já são apaixonadas pelo protagonista. Não se mostra o desenvolvimento da paixão, mas sim um desenvolvimento dentro de um relacionamento.

Cada personagem vai do level 1 ao 30 de afeição. Responder perguntas corretas, completar side quest e dar o suporte correto resulta numa elevação do nível e com isso é gratificado com bônus. É extremamente interessante a forma que conseguiram adaptar bem a personalidade dos personagens em relação as perguntas. Por exemplo: A Nero é mais possessiva e gosta quando escolhe a opção em que a resposta demonstra que você é dela, porém a Tamamo possui fetiches loucos e gosta de sentir ciúmes.

Infelizmente (ou felizmente para alguns) em certos momentos o simulador acaba exagerando um pouco no fanservice e trazendo cenas onde o protagonista toma banho junto de uma das servas. Contudo, não mostra muita coisa explicita, mas existe as descrições para recompensar a falta do “visual”.

CONCLUSÃO

Fate/Extella The Umbral Star é necessário para e todo e qualquer fã da franquia Fate. Apresenta uma ótima história com um gameplay realmente divertido que não deixa a desejar em nenhuma de suas versões. Contudo, o jogo pesa nem mesmo 3GB e seus gráficos não utilizam a potencia que o PS4 consegue proporcionar. Provavelmente esta escolha foi tomada para que a versão do PSVita não ficasse prejudicada. Enquanto a versão do console de mesa apresenta gráficos medianos, na versão do portátil podemos dizer que tais gráficos nos dão uma bela experiência. Se duvidar, desta vez o porte ocorreu da versão do PSVita para o Playstation 4.

Além de tudo que já foi mencionado, existe os seguintes modos: Main Story, Side Story e Free Battle. Todas apresentando quatro níveis de dificuldade.

Marvelous está realmente de parabéns pelo seu trabalho e sinceramente espero que isto dê frutos e abra os olhos da TypeMoon para localizar a visual novel do Fate/Stay Night seja a versão de PC ou o remaster lançado para PSVita.

notas

 

Confira gameplay de Fate/Extella: The Umbral Star

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Anderson Mussulino

Publicitário louco por toda a cultura geek. Redator do Última Ficha e apaixonado por jogos que vem da terra do sol nascente.
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