Análise: Sniper Elite 4 dá um belo tiro e traz evolução para a série

Sniper Elite III foi uma boa experiência na geração passada, inclusive ganhou remaster recentemente. O jogo trouxe aqueles bonitos e brutais tiros atravessando os inimigos em câmera lenta e raio-x, mostrando seus órgãos sendo perfurados, que me deixaram estasiado. Entretanto, os mapas um tanto pequenos e limitados e a necessidade de se ater quase que exclusivamente ao “se reposicionar, esperar e atirar novamente” me incomodaram com o desenrolar do game. Em Sniper Elite 4 isso não acontece mais, pois a jogabilidade foi refinada, os mapas melhorados e aumentados e as possibilidades deram um passo considerável à frente.

Sniper Elite 4 01

Mapas muito grandes com diversas e inúmeras possibilidades. Apesar da campanha não ser muito grande em termos quantitativos, relativamente são poucas fases, é no escopo que Sniper Elite 4 se consagra. Cada mapa do jogo parece ser cinco vezes o tamanho dos mapas do título anterior. Uma região específica que abarca uma missão secundária tem área tão grande e complexa quanto os locais da história principal. Este fato faz com que os mapas do jogo tenham diversas possibilidades de missões que ajudam na evolução do personagem e no desafio que o jogador enfrenta. Porém, o mais gostoso das fases serem muito grandes é conseguir realizar aquele tiro de centenas de metros de distância só para você dizer que “sim, eu posso.”

Além disso, diferentemente do título anterior, é possível ver aqui uma variedade mais completa e complexa que faz com que cada mapa seja um tanto único e torna, assim, o jogo menos repetitivo. O visual dos mapas é muito bonito e sem dúvida demonstra a evolução da geração passada para essa, em alguns momentos iniciais eu me senti um pouco inserido em algumas paisagens de Uncharted 4. Porém, eu ainda acho que algumas limitações do terreno, como não poder escalar determinadas pedras ou ter que dar a volta em pequenos e insignificantes obstáculos seja algo um tanto old school demais.

Sniper Elite 4 02

A jogabilidade recebeu um trabalho muito bom. A movimentação do personagem está muito melhor e mais dinâmica proporcionando meios e maneiras de se mexer entre as situações que antes não eram possíveis. Tudo isso porque o jogo tomou uma proposta mais móvel também, exatamente pelos mapas serem grandes e com diversas possibilidades, evoluímos de um jogo que a proposta sniper tomava conta de tudo para um onde o stealth passa ser a essência e o sniper é a cereja do bolo. Exemplo disso é que algumas fases você simplesmente é levado a cair no tiroteio mesmo, sem esconderijos ou necessidade de seu rifle. Alguns problemas nas mecânicas ficam para o botão de ação que em certos casos causam um estranhamento ao interagir com certos objetos e a limitação de alguns movimentos serem específicos em determinados momentos, como pular e escalar objetos.

O jogo em si não é muito difícil, achei incrivelmente fácil. Joguei no hard e quase não precisei usar nenhum dos itens extras além das minhas armas. Minas, armadilhas etc. figuravam como coadjuvantes no meu inventário de itens. Logo, acredito que o nível acima apresente a necessidade de não só usarmos tais items como estudar melhor cada passo. Uma pessoa experiente achará o nível normal um tanto fácil demais. Falando sobre ajustar níveis, o jogo dá uma bela gama de opção de ajustes através do menu inicial, podendo escolher muitas coisas do HUD que influenciam em como você jogará. Para completar a parte técnica, temos uma AI um tanto esquizofrênica, típica de jogos de stealth, onde ou eles são completamente retardados, dando as costas para qualquer evidência de onde partiu o tiro ou são extremamente videntes, indo de encontro a você escondido em um mato dezenas de metros de distância, tornando a experiência de um bom posicionamento um tanto frustrante.

Sniper Elite 4 03

Eu me incomodei particularmente com a pouca quantidade de armas e suas personalizações. Isso torna o fato de evoluir o personagem, fazer missões secundárias e executar mortes interessantes um tanto desnecessárias e pouco gratificantes. Logo após o início você já consegue garantir aquele rifle que mais se adapta ao seu estilo e pronto, pouco vai mudar até o fim do jogo. Por outro lado, a árvore de skills do personagem ajuda a suprir essa carência, haja vista que algumas habilidades são não somente úteis como divertidas. Para acabar com aquela necessidade chata do Sniper Elite 3 de esperar alguns barulhos para mascarar seu tiro, agora temos a possibilidade de achar pelos mapas “balas silenciosas” dando um pouco mais de dinamismo para avançar com a matança sem despertar a atenção de todos ao redor. Mas não se engane, achá-las não é tarefa fácil.

A minha maior frustração ficou justamente com um dos pontos chaves do jogo, os x-rays. Eu vi pouca evolução significativa quanto ao título antecessor tanto na hora do raio-x quanto no que fica depois. Achei que os modelos dos inimigos pudessem, agora nessa geração, ficar estatelados no chão com um buraco na cabeça, ou que a cabeça voasse longe, deixando vestígios brutais de como seria levar um tiro de um rifle em qualquer região do pescoço/cabeça. Mas infelizmente não é o que acontece, após o x-ray pouco inovador, o modelo fica no chão ainda inteiro com a cabeça no lugar, sem um arranhão. Eu queria mais sangue e mais tripas espalhadas por todos os cantos!

A história do jogo é muito tipicamente uma história de jogo de videogame. Aquele clássico embate estereotipado da Segunda Guerra Mundial com uma pitada de fantasia exagerada que faz parte de muitos games. Logo, se você é daqueles que espera uma boa trama com personagens bem elaborados, bons diálogos e plot twists bem elaborados, Sniper Elite 4 pode deixar a desejar. Entretanto, o gameplay certamente pode e vai compensar. Além disso, as opções multiplayer são interessantes, com destaque ao Co-Op que é possível fazer toda a campanha do jogo em parceria com algum amigo tornando a experiência bem mais interessante e gostosa.

Sniper Elite 4 sem dúvida evolui a série, mas tropeça em bobeiras. A história um pouco genérica e estereotipada deixa os mais atentos um pouco decepcionados, mas seu gameplay e a diversão certamente compensam caso você mergulhe de cabeça. As possibilidades de missões secundárias te dão horas de jogo a mais em cada uma das fases que são muito bem elaboradas e desafiadoras. A brutalidade do jogo poderia ter sido mais bem trabalhada nessa geração, mas ela continua lá, muito divertida como sempre, ver cérebros estourando, corações sendo dilacerados e pescoços sendo arrebentados é uma experiência no mínimo divertida. Jogar em Co-Op é muito prazeroso. É um bom jogo que proporciona horas de diversão e que ninguém irá se arrepender.

notas

Ricardo Carvalho

Gosto muito de escrever, desenhar, de me frustrar com política, de filosofar no barzinho, assistir filmes e defender que games são arte! Me segue no twitter que eu sigo de volta, beleza? twitter.com/perfilricardoc Beijos e boas jogatinas!
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