Análise: Tales of Berseria mostra o quanto a franquia ainda tem para oferecer

Tales of é uma das mais consagradas franquias de JRPG, principalmente por existir a várias gerações. O seu maior destaque é em relação ao sistema de combate por ser dinâmico e cheio de ação. Devido a isso, uma evolução em suas mecânicas sempre ocorreu, seja de forma lenta ou mais radical. Tales of Berseria carrega toda a evolução existente em Tales of Zestiria, mas fora isso também trás consigo características próprias que o deixa com uma expressão mais própria. Além disso, Berseria é um prequel de Zestiria que busca explicar inúmeras coisas que ficaram em aberto sobre a rica mitologia que nos é apresentada com a aventura do pastor Sorey.

ENREDO BEM CONSTRUÍDO E COM PROFUNDIDADE

Desde o Zestiria já somos apresentados a um mundo extremamente ferrado pela malevolência e com os humanos em busca de uma forma de se protegerem. Além disso, temos a questão dos seraphins não aparecerem para os humanos e a maioria deles possuírem um receio contra esses seres vivos tolos. Porém, a cada geração surge um pastor que recebe a benção dos seraphins e sai em jornada na busca de acabar com a malevolência e trazer paz para todos. Diante disso surgem inúmeras questões: Como era o mundo antes de ser afetado pela malevolência? Esse mundo sempre foi tão sombrio e sem vida?

Tales of Berseria chegou para responder estas e outras questões. Esse game se passa vários anos antes de seu antecessor. Aqui temos um mundo não afetado diretamente pela malevolência e que sofre com o ataque de demônios (hyouma) que, diferente de Zestiria, eles são visíveis aos humanos e os próprios podem se tornar essas criaturas obscuras. A protagonista, Velvet Crowe, é uma pessoa que acabou tornando-se demônio devido ao seu ódio e sede de vingança contra um homem chamado Artorius. Essa história se baseia muito mais do que apenas questões de vingança, pois temos uma construção do típico personagem clichê (a lá Sasuke de Naruto) em algo muito maior.

Não vou me aprofundar na questão do enredo, pois tudo que for dito acabaria tornando-se spoiler. Parece exagero, mas não é. Este jogo trás um peso enorme em cada ponto de sua história que trás um grande valor para a narrativa em geral. Tanto é que o botão de share do PS4 é bloqueado em todos os momentos.

Posso marcar dois pontos importantes na história:

Os personagens. Sejam todos ou só da party, aqui temos personalidades fortes e marcantes. Os membros da party não são nada clichês e conseguimos nos divertir com esse grupo tão água e óleo justamente por serem extremamente diferentes e mesmo assim estarem juntos. Também devo mencionar que cada um ali possui seus objetivos próprios que acabam se conectando com o objetivo dos outros.

Principal elogio vai para a Magilou que consegue ser uma “troll face” ao mesmo tempo que é o alvo de bully do grupo. Não tem como não rir com ela.

O outro ponto é nas questões sombrias que são abortadas em meio do game. Podemos notar uma grande maturidade que não envolve apenas a fantasia medieval, mas também acontecimentos que notamos no nosso dia-a-dia. Religiosos extremistas, questões políticas, traficante de drogas que as vendem como se fosse algo bom e outras coisas.

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SISTEMA DE BATALHA

O sistema de batalha de Tales of, como dito antes, sempre foi e sempre será action. Porém, a cada jogo tentam inovar em algo por menor que seja a inovação. Nos últimos anos a maior evolução do sistema se deve ao Zestiria, enquanto isso Berseria utiliza o mesmo sistema, mas sem a limitação de um humano ter que possuir um seraphim auxiliar. Aqui temos quatro membros principais da party e dois na reserva que podem ser trocados em meio da batalha.

Desta vez temos um sistema de “almas” que vai de 1 a 5 (iniciando em 3), cada golpe custa um tanto x de almas, da mesma forma que ao derrotar um inimigo ou atordoá-lo se consegue uma alma a mais. Com isso temos um limite para os combos e guard. Esse sistema consegue equilibrar o jogo, fazendo com que sofremos em ficar sem MP ou fiquemos a atacar sem parar.

Todo personagem além de possuir combos bem próprios, também apresentam habilidades individuais ao apertar o R2 e fazer uma “liberação de almas”. Se for usando Velvet, ela ativa a sua mão demoníaca para conseguir estender ainda mais os golpes e utilizar um ataque mais poderoso para finalizar, enquanto, por exemplo, Rokurou possui um counter-attack como liberação de almas.

O sistema de combate de Zestiria foi um divisor de águas, pois teve aqueles que odiaram por não ser igual aos outros e aqueles que amaram as inovações. O sistema de Berseria seria a harmonização das correntezas, pois consegue contrastar o inovado com o clássico (não tão clássico assim).

UM MUNDO INCRÍVEL

O mundo de Tales of Berseria é incrível em meio de sua exploração, construção e tudo mais. Consegue representar o que a franquia Tales of tem de melhor. Os belos gráficos conseguem criar contraste em cenários mais coloridos e iluminados, mas também em locais mais escuros e melancólicos. Por ser algo mais “anime”, não encontramos gráficos a nível Final Fantasy XV ou The Witcher, porém, os gráficos de Tales of Berseria tão longe de serem feios e são, sem duvidas, os mais bem trabalhados da série.

Já a temática de pirataria vem a ser um bônus interessante, pois a viagem entre continentes nos apresenta locais bem diferentes. Além disso, possui a utilização de um navio para ficar indo em busca de itens, receitas e tesouros, enquanto você pode continuar com a história, ficar upando ou ir em busca dos boss opcionais.  A cada 30 minutos você recebe as recompensá-las e pode enviá-lo novamente para outra aventura. Isso é feito pelo menu de opções do jogo. Lembrando um pouco o que tínhamos em Assassins Creed 4 Black Frag. E não, não temos batalhas navais.

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CONCLUSÃO

Tales of Berseria é um dos melhores da série. Atrevo-me a dizer que é o meu favorito até agora. A construção de personagens, a quebra do clichê, aproveitamento de um mundo já existente e o crescimento da franquia como RPG são fatores que me fizeram mergulhar de cabeça nesta narrativa. Só me entristece o botão share estar bloqueado em todos os instantes, porém, isso não é um fator que prejudica a experiência.

Os gráficos, equipe de dublagem (a japonesa, porque a inglesa foi horrível), OST e jogabilidade estão bem feitos. Porém, sofrem um pouco de limitação por ter sido originalmente projetado para o PS3 também aguentá-lo, tanto que o jogo recebeu uma versão para o console no Japão. O que pode ser considerado algo que o limitou, também pode representar uma promessa de que o próximo game da franquia conseguirá ser ainda melhor em questão de sua produção.

Tales of Berseria é um prato cheio para fãs de RPG, JRPG e, principalmente, amantes de Tales Of.

Obs: Aconselhamos que jogue primeiro Tales of Zestiria para entender melhor vários detalhes importantes que tornaram as revelações realmente surpreendentes.

notas

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Publicitário louco por toda a cultura geek. Redator do Última Ficha e apaixonado por jogos que vem da terra do sol nascente.

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