Análise: Tekken 7 ainda é bom de briga e está em busca do cinturão

Tekken é uma série que eu acompanho desde muito novo. Meu primeiro contato foi num flipperama no interior de Minas Gerais, quando passava férias na casa da minha avó e, diariamente, frequentava os botecos da cidade jogando Street Fighter, Mortal Kombat, Samurai Shodown e muito mais. Tekken chegou numa época em que o 3D ainda era coisa de outro mundo. Tínhamos pouquíssimos representantes deste mundo tridimensional como Virtua Racing e, até, o irmão mais velho de Tekken, Virtua Fighter (lançado um ano antes).

Porém, Tekken tinha uma mística especial. Mais refinado? Talvez. Graficamente impactante, Tekken iniciava sua jornada meteórica rumo ao sucesso. O ápice da franquia, ao menos pra mim, foi Tekken 3. Além de uma reviravolta na história (morrreram alguns dos principais personagens), o jogo trazia o lendário Eddy Gordo, capoeirista que fez um sucesso estrondoso por terras tupiniquins. Depois disso acho que a série se perdeu um pouco. Histórias confusas, jogabilidade mais do mesmo e uma inexplicável rasa aderência fora de terras orientais. Tekken ficou nichado. Até a chegada de Tekken 7…

Após dois anos sendo “encubado” e lapidado em arcades nipônicos, finalmente colocamos as mãos em Tekken 7. E o resultado está incrível.

Uma história fantástica

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Depois do sucesso em Mk9 e posteiormente em Injustice, Tekken se rendeu ao modo história contado de maneira continua e usando vários personagens do jogo. Esse novo formato, que não exclui as jornadas individuais, acaba transmitindo melhor a ideia da história por não obrigar os jogadores a zerarem com quase todos os personagens.

Uma saga com início, meio e fim

Por ser o sétimo título de uma série que teve, entre eles, alguns spin offs, alguns jogadores atuais nem eram nascidos qua do Kazuya jogou Heihachi do precipício e conquistou o primeiro título de King of the Iron Fist, em Tekken “1”. Também provavelmente não eram nascidos quabdo Heihachi volta desse mesmo precipício para se vingar de Kazuya e joga-lo em um Vulcão do alto de um helicóptero.

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Tekken 7 mostra tudo issoé mais um pouco em seu modo história. Apesar dos muitos personagens envolvidos, a trama foca nas disputas entre a família Mishima. E o resultado é glorioso. De longe é a menor história da série e tranquilamente uma das melhores que já nesses meus bem curtidos 36 anos.

Horas e horas de conteúdo offline

Me perdoem oa pró-players, mas um bom modo offline é fundamental. Entendo perfeitamente que as competições estão fervendo, mas você não pode ignorar uma massa gigantesca de pessoas que só querem sentar e relavar distribuindo sopapos contra uma CPU após um longo dia de escola, faculdade ou trabalho.

Além de um modo história individualizado para cada jogador (como falei acima), Tekken 7 ainda traz um modo arcade clássico, com algumas lutas até enfrentarmos o chefão do jogo. Um ouro modo muito interessante do jogo é uma espécie de survival mode, mas com itens customizáveis como recompensa. E isso é incrível demais. Com tantos acessórios para desbloquear  e customizar seu personagem, esse modo lhe poupa dinheiro ganho no jogo ao passo que você vai desbloquando os próprios itens conforme avança nas lutas.

Customização incrível
Customização incrível

Por falar em customização, Tekken 7 traz de volta não somente aqueles adereços espalhafatosos clássicos de jogos japoneses (e casamentos), mas roupas clássicas de todos os personagens. É possível vestir Eddy Gordo igualzinho à sua primeira aparição na série, em Tekken 7. Kazuya pode reutilizar seu clássico terno vinho de Tekken 2, quando ele era o chefão do jogo. E muito mais.

Muita diversão online e olho vivo nos eSports

Não é segredo para ninguém que, de agora em diante, 99% dos jogos de luta terão algum nível de interesse nos torneios de eSports. E com Tekken 7 não é diferente. Sucesso nos arcades e torneios desde que foi lançado (exclusivamente para fliperamas até então), o jogo aposta forte no cenário competitivo. Personagens balanceados, input window mais generosa e uma série de reversals, okizemes, punishes e muito mais para que o jogo fica ainda mais cerebral, o que garante mais interesse na competitividade por todos os players.

Infelizmente não conseguimos jogar muitas partidas online por estarmos testando o jogo no PS4, mas no PC tudo roda as mil maravilhas. Netcode aprimorado, conexões seguras e estáveis, garantem a entrada do jogo de cabeça no cenário competitivo.

Enfim, música para os meus ouvidos

Nunca fui fã das trilhas sonoras de Tekken. Com excesso de arranjos musicais moderninhos, a batida da maioria das fases me soava um tanto estranha com tantos tons metálicos e pouca melodia. É possível encontrar uma ou outra música bacana em Tekken 5 e 6, mas nada se compara à evolução de Tekken 7 neste quesito. As trilhas nas batalhas mais emblemáticas do jogo dão o tom do frenesi ou importância da luta e fazem toda a diferença. Arrisco dizer que em poucos jogos de luta escutei trilhas tão boas e, sem dúvida, são as mais belas dessa geraçã atual.

Gráficos, gráficos, gráficos

Tekken 7 está lindo… nos PCs e no Ps4 Pro. Sim, infelizmente o Ps4 e o Xbox One vieram com gráficos um pouco abaixo do esperado. Iluminação ruim em alguns personagens, objetos excessivamente serrilhados, texturas de pele ruins e, até, falta de nitidez. No geral, Tekken 7 é muito bonito. Tem belos efeitos especiais, iluminação boa na maioria dos casos, mas para quem jogou o game em feiras antes do lançamento, a diferença gráfica se faz notar. Os donos de PCs ou consoles mid-season (como o PSPro e, futuramente, o Xbox Scorpio) certamente desfrutarão dos gráficos de Tekken 7 em sua plenitude.

Conclusão

Tekken 7 é um jogaço, aço, aço. A famosa franquia de lutas chega aos seus 21 anos de vida (isso mesmo, abiguinhos, Tekken foi lançado em 1994) no auge da sua forma. Os melhores gráficos, a melhor trilha, o melhor enredo e prontinha para o ávido mercado dos eSports. E o ponto alto (quase um rage art): Tekken 7 está revigorado. Altamente gostoso e fácil de jogar, o game tem tudo para voltar ao seu lugar de destaque no mundo da luta e certamente será a porta de entrada de novos jogadores, como seu fundador, há mais de duas décadas, o foi.

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