Análise: Hellblade: Senua’s Sacrifice é uma obra de arte

É difícil falar sobre a psique humana. Se mesmo após anos de estudos o assunto ainda é tabu em muitos círculos, imaginem para uma mulher destroçada pelos horrores das guerras, invasões e outras violências perpetradas pela humanidade na Idade Média? Hellblade: Senua’s Sacrifice pega não apenas carona no tema, como vai fundo e mostra de maneira didática que há sim uma saída. Sempre há. É preciso enfrentar seus medos, seus fantasmas e triunfar.

Particularmente acho incrível os jogos de videogame desenvolverem esse tema, mostrando que infelizmente nem tudo é fantasia, heróis, grandes feitos e, mais importante, nem sempre há um vilão contra o qual lutarmos. As vezes é preciso ser ainda mais forte para encarar a si próprio e lutarmos pelo que acreditamos.

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Hellblade: Senua’s Sacrifice é um ambicioso projeto desenvolvido pela Ninja Theory. Feito em parceria com a Sony, Hellblade é exclusivo para consoles Ps4 e PC. O jogo entra na categoria indie (abreviação de independente), o que deixa tudo ainda melhor diante da grandeza dessa obra. Hellblade confirma uma tendência nos títulos modernos de jogos de videogame: a narrativa ganhou uma profundidade incrível nos anos recentes. Títulos como Heavy Rain, The Witcher 3, The Last of Us, The Town of Light e muitos outros que deixei de fora, são a prova disso.

Entendendo o drama de Senua

Em Hellblade: Senua’s Sacrifice vivemos a história de Senua, uma guerreira celta que parte em busca de uma jornada misteriosa nos portões do inferno após ter seu lar devastado por Vikings. Carregando apenas um objeto esférico em uma bolsa, uma espada e muita coragem, Senua não medirá esforços para alcançar seus objetivos. Não falarei muito mais sobre o enredo (ao menos não agora) para evitar spoiler e acabar com a graça de quem for jogar, mas prometo fazer um post inteirinho dedicado à história do jogo.

 

Hellblade também brilha em outros aspectos, como as animações da personagem, o sistema de combate muito divertido e gráficos de cair o queixo. Sim, é um dos jogos mais bonitos (graficamente) que eu já joguei e ele é indie (durma com esse barulho). Hellblade: Senua’s Sacrifice é linear. O que pode ser bom ou ruim, dependendo do seu gosto. Sua duração é ok. Nem curto a ponto de sentirmos falta de algo e nem longo a ponto de nos cansarmos. Sua duração foi feita na medida para que a turma da Ninja Theory pudesse contar essa história fantástica.

Por mais maluco que seja, escute as vozes de sua cabeça

A trilha sonora é bonita, mas limitada. Os efeitos sonoros são simples e legais. Aliás, o som é algo fundamental no jogo, pois por se tratar de um drama psicológico, Senua escuta vozes que a ajudam durante todo o jogo. Infelizmente o jogo não tem aquelas trilhas épicas na maior parte do tempo, mas também não deixa nada a desejar.

O único problema que encontrei em Hellblade: Senua’s Sacrifice foi que alguns momentos o jogo te deixa totalmente perdido, sem saber exatamente o que fazer. Claro, jogando pela segunda vez você entende coisas importantes como escutar as vozes que falam com você e ficar atento aos mínimos detalhes do jogo. Porém, a sensação é de que em alguns momentos faltou um cuidado maior com essa questão do fluxo de informações, pois você não tem muita liberdade de exploração.

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Aliás, essa rigidez na movimentação e um sistema de combate com poucas variações e sem uma árvore de evolução pode desagradar aos mais jovens ou aqueles que se apegam demais a esses aspectos. Além disso, o ritmo do jogo não é dos mais rápidos. Nada que me incomodasse, muito pelo contrário, mas pode ser que os mais ávidos por ação se sintam pouco estimulados.

Conclusão

Hellblade: Senua’s Sacrifice é denso, forte e te fará refletir por muito tempo. Vou além: o jogo é uma poderosa lição de vida que certamente marcará todos que perseverarem e terminarem a jornada de Senua. Estamos diante de uma obra prima da Ninja Theory e da Sony.

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