Análise: Forza Motorsport 7 – Um simulador para todos

A série Forza Motorsport é sem dúvida vitoriosa. Para os amantes dos jogos e simuladores de corrida, não existe dúvida de que a franquia é responsável por aumentar o patamar de qualidade de outros jogos e força sempre a concorrência a pensar em novas maneiras de alcançá-la em vendas.

A ideia de fazer lançamentos anuais torce o nariz de alguns gamers e põe em dúvida a capacidade de criar e se reinventar em um período tão curto de tempo, assim como acontece com os jogos de esporte mais famosos, como FIFA e NBA. Só para colocar em números o que estou dizendo, desde 2011, todo ano temos um novo Forza, seja ele da série Motorsport ou Horizon. Com isso, as vendas não se tornam tão “às cegas” e os jogadores procuram motivos para gastar seu humilde dinheiro em um jogo que, em tese, ele já comprou há no máximo 1 ano atrás.

Brilho nos olhos dos amantes de velocidade

Como a maioria dos jogos de corrida que joguei de uns anos pra cá, Forza Motorsport 7 começa com um vídeo lindo e motivacional. Transparecendo a paixão de seus criadores pela velocidade e corrida automotiva de maneira esportiva. O tutorial começa em meio a teorias (como de praxe) e temos uma pequena prévia do que estar por vir. Podemos testar os comandos, o jogo te ensina um pouco sobre a possibilidade de mudar assistências e outras funções.

Depois disso o jogo te leva até o menu e aqui nada poderia ser tão simples e objetivo. O menu de Forza 7 diz exatamente o que tem por trás de cada opção, nada de opções confusas ou “sub-funções”. A cada escolha ou loading do jogo podemos ter a surpresa de um profissional do ramo falando sobre alguma experiência vivida em suas corridas ou passando dicas de como lidar com alguma situação inusitada como chuva forte ou areia na pista, isso faz com que até mesmo quem não tem nenhuma noção de mecânica ou bagagem com simuladores de corrida, tenha a chance de se sobressair nas corridas fazendo as escolhas certas para cada situação.

O modo carreira (Single-player) é divido em em copas (Cups) e cada uma delas é repleta de torneios de corridas e eventos. Os eventos me chamaram muita atenção por serem testes entre empresas e potências, brincadeiras de boliche, Fórmula 1 retrô, buggies, caminhões e muitos outros. Isso faz com que a jogabilidade se renove entre os torneios e dê um “ar” mais casual para o jogo.

Ao competir, ganhamos SP (para desbloquear novas divisões) e XP (para aumentar o nível do nosso piloto e obter recompensas sob a forma de carros, créditos ou aparências). Para aumentar o ganho de XP, podemos usar Mods, cartas especiais que chegam de forma aleatória nas Caixas de Conteúdo (compradas com dinheiro do jogo). Estas cartas proporcionam desafios como jogar sem algumas das assistências de direção, em troca de um aumento considerável de XP.

No total, Forza Motorsport 7 possui 700 veículos das mais variadas marcas como Ferrari, McLaren e Porsche. Todas elas com uma modelagem exterior e interior muito detalhada. Todos esses carros tem danos visuais e mecânicos nas colisões. Além disso, como é costume na franquia, podemos personalizar os carros com uma infinidade de projetos e modificar certas partes para melhorar seu desempenho.

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Um jogo para ‘todos’

Para muitos, entrar no mundo dos jogos que puxam para a simulação é uma tarefa complicada. Ainda mais quando o jogo em questão é cheio de termos técnicos de mecânica, tunning e medidas físicas de pressão, torque e etc. Confesso que nem eu mesmo tenho muita paciência para me aprofundar em muitas dessas coisas. E é aí que Forza Motorsport 7 nos surpreende. O jogo pode ser customizado muito facilmente, se tornando o jogo ideal para qualquer pessoa, inclusive você!

Além das dificuldades pré-definidas (Super fácil, Fácil, Profissional e etc) você pode customizar cada uma das opções de assistência e simulação, por exemplo:

  • Eu gosto de sair batendo em tudo, sentando o pau no carrinho acelerando igual doido mas quando eu bater… quero me ferrar.. quero que o carro saia todo ferrado. Tem como? TEM!
  • Eu quero controlar tudo! Quero que a pressão de ar dentro do meu pneu influencie minhas curvas mas não quero frear… odeio ter que frear. O jogo pode fazer isso por mim? PODE!
  • Não quero fazer nada… quero ficar no sofá, quase dormindo, apertando UM ÚNICO BOTÃO igual carrinho de autorama. Nem sei porque quero isso.. mas quero. E aí? Dá? DÁ!
  • E eu tenho que sair da corrida se mudei algo e não gostei? NÃO! As opções de assistência podem ser alteradas a qualquer momento da corrida. Testes podem ser feitos e e diferença é sentida na hora!

 

Se você optar por uma abordagem mais próxima da simulação, notará a diferença de dirigir cada veículo na hora, oferecendo a cada um sensações diferentes e muito realistas. Devido a isso, teremos que controlar a aderência dos pneus, medir a travagem bem, acelerar com cautela ao sair dos cantos e tentar não ter acidentes. A Turn 10 fez um ótimo trabalho e, embora o novo Forza não pretenda ser um simulador puro, os jogadores mais exigentes vão ter uma experiência muito imersiva.

Ou seja, não tenha medo de testar Forzar Motorsport 7 por conta das opções detalhadas de simulação. Elas podem ser ignoradas neste que talvez seja o Forza mais acessível lançado até hoje!

forza

A experiência nas pistas

O jogo chega ao consumidor com 32 pistas, um número baixo que tentaram minimizar alterando e criando caminhos alternativos dentro de cada pista. Transformando o número 32 em mais de 200 circuitos “distintos”. As aspas se dão ao fato de que isso não chega a “enganar” nossa experiência e da metade pra frente das Copas as pistas e cenários se tornam um tanto quanto repetitivos.

Temos pistas emblemáticas como Brands Hatch, Spa-Francorchamps, Monza, Le Mans Top Gear e, para nós brasileiros, o circuito do Rio de Janeiro. A crítica fica em cima de pistas que não tem tanto apelo e, talvez por conta disso, estão com gráficos mais defasados ou, no mínimo, não tão bonitos. Se somarmos isso à uma trilha sonora que falta inspiração, temos corridas que vemos a hora de acabar na esperança da próxima ser mais empolgante.

Mas em questão gráfica, a verdade é que ficamos muito surpresos com o nível de detalhes no sistema de partículas e iluminação. Encontramos tempestades de areia, chuvas torrenciais e belas iluminações que vão mudando a experiência e necessidades de mudança no carro em tempo real.

A experiência climática e as mudanças de horário nas pistas são, com certeza, o ponto alto de Forza Motorsport 7.

Racha online

As competições online são cada vez mais importantes em jogos de corrida e Forza Motorsport 7 fez um bom trabalho nesse sentido.

  • Possibilidade de disputar inúmeras corridas com até 24 jogadores ao mesmo tempo;
  • Eventos especiais, seguindo a linha dos eventos do modo Carreira;
  • Forzathon, um modo que promete ser muito emocionante e com boas recompensas para os participantes;
  • Ligas – que deve ser uma espécie de campeonato online que ainda não está disponível.

Em nossas experiência online, não tivemos problemas com lag e nem muita demora ao procurar por partidas.

“Start your Engines”?

Em comparação com seu antecessor, Forza Motorsport 7 não tem muitas diferenças. A maior diferença é realmente as mudanças climáticas de maneira dinâmica e a intensidade de cada uma delas. Tempestades fazem total diferença no volante, e nesse momento a melhor experiência é vista na câmera dentro do carro. Assim, você consegue realmente simular uma corrida nessas condições extremas.

O número baixo de pistas pesa da metade para o final do jogo e com a repetição começamos a prestar atenção no capricho que tiveram em cada uma delas. Umas estão muito bem elaboradas enquanto outras parecem ter sido criadas para fazer número. Falando de um jogo que cria expectativa por sua qualidade, pistas deveriam ser a maior preocupação depois dos carros. Estes, por sua vez, não temos do que reclamar. Os carros são uma obra prima e você vai querer completar seu álbum de 700 figurinhas.

Forza Motorsport 7 continua sendo um ótimo jogo/franquia de corrida esportiva, mas precisa tomar cuidado para não cometer erros parecidos com jogos que se tornaram anuais. Felizmente o sétimo jogo da franquia ainda tem muito a oferecer. Sua acessibilidade deve garantir que novos jogadores adentrem esse mundo dos soft simulators (nem sei se existe esse termo), onde entusiastas e casuais convivem bem e se divertem.

notas

Publicado
Gamer há tanto tempo que usa consoles como referência cronológica para lembranças de sua vida. Amante de Mega Man, Resident Evil e Warcraft. Se gaba por ter zerado Battletoads aos 9 anos mas abandonou Bloodborne com 26.