Análise: Ruiner é primorosa experiência cyberpunk

Ruiner é um action shooter brutal desenvolvido pela Reikon, empresa polonesa fundada por quatro experientes desenvolvedores com currículos que passam pela série The Witcher, Dying Light, This War of Mine e Shadow Warrior. Com um gameplay frenético, estética cyberpunk e diferentes possibilidades de estratégias de ação, Ruiner chega de surpresa com o intuito de ser um dos melhores jogos independentes de 2017. Será que o título consegue entrar para essa seleta lista? Veja abaixo na nossa análise:

Com sua temática cyberpunk extremamente bem detalhada, Ruiner se passa em 2091 na cybermetrópole Rengkok, uma cidade cheia de vielas, neon, e violência por todas as partes. A história se inicia com a voz de um homem dentro da cabeça do nosso protagonista dando instruções para que ele mate hordas de soldados rumo a uma misteriosa sala onde um chefão o espera. Prestes a adentrar o local, uma hacker apresentada somente como “Her” desconecta a mente do nosso personagem da influência do homem, e informa que uma corporação chamada Heaven raptou seu irmão. Para encontrá-lo, nosso protagonista, chamado de “Puppy” pela hacker que o liberta, deve percorrer todas as partes de Rengkok, buscando pistas e enfrentando criminosos e milícias corporativas de todos os feitios que o querem morto.

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A trama de Ruiner se desenrola de forma gradual. Pequenos trechos de falas entre as batalhas e cutscenes (todas incríveis) dão o tom do jogo, salpicando pistas sobre o que poderia ter acontecido com seu irmão ao mesmo tempo em que nos apresenta a Heaven, corporação dominante da região. Principalmente por conta da temática cyberpunk e pela forma como a cidade é apresentada, somos remetidos a obras como Blade Runner, O Quinto Elemento e Ex-Machina a todo o momento. Eu, como fã ávido do gênero, não poderia ter ficado mais feliz com o mundo em que a Reikon consegue nos inserir. Há riqueza de detalhes e atenção a cada pequeno trecho de história e cada esquina da distópica cidade. A ambientação de Ruiner é uma das melhores já inseridas em um jogo dessa temática, e ao mesmo tempo que traz influências das obras supracitadas, também cria terreno para que jogos posteriores bebam das suas ideias.

Ruiner traz uma mecânica que combina elementos de jogos como Hotline Miami e Furi, proporcionando uma experiência absolutamente frenética e satisfatória. Com uma visão isométrica, o jogo faz com que tenhamos sempre que pensar de forma rápida, colocando hordas de inimigos e chefões para serem enfrentados a todo momento. Todas as formas de assassinar seus inimigos são completamente brutais e exigem agilidade, o que remete bastante à Hotline Miami. Além disso, o dash (ou esquiva) de Ruiner é muito parecida com a de Furi, em que pode-se desviar de forma veloz de ataques, tiros e investidas. As semelhanças param por aí, entretanto, já que Ruiner incrementa todos esses elementos, criando sua personalidade própria.

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Com um arsenal incontável de armas e habilidades, como escudos, manipulação da mente de inimigos e o próprio dash, Ruiner é bastante desafiador e proporciona uma sensação de satisfação enorme a cada grupo de inimigos que temos que enfrentar. Quanto maior a precisão e menor a quantidade de mortes a que somos submetidos, melhor será a nota e a pontuação recebidas, e mais rápido conseguiremos pontos para desbloquear novas habilidades e subir de nível. Esse ponto foi um dos mais viciantes para mim no jogo, já que eu tenho sérios problemas com títulos que nos fazem repetir a mesma fase milhões de vezes até conseguir chegar à pontuação máxima (perdi a conta de quantas vezes zerei Super Meat Boy). Há linhas de melhorias para poderes, estes que podem ser modificados a cada nível que se ganha. Como exemplo, pode-se incrementar uma das habilidades que cria um escudo ao redor do jogador fazendo com que ele não somente nos proteja, mas também reflita as balas inimigas. Ainda, os pontos utilizados para desbloquear melhorias podem ser remanejados a todo momento, o que permite que o jogador possa mudar completamente de estratégia de uma hora para a outra se achar necessário.

A agilidade e a possibilidade de se enfrentar inimigos de formas completamente diferentes, seja usando espadas ou armas de longo alcance, torna o gameplay de Ruiner bastante variado e esteticamente belo. Como exemplo, há uma habilidade que permite que o tempo seja parado brevemente e que o jogador possa escolher múltiplos pontos da fase para dar dashes rápidos e consecutivos. Caso o jogador tenha agilidade o suficiente, este poderá eliminar vários inimigos em frações de segundos da melhor forma Kenshin Himura. Aliás, esta foi a minha forma preferida de jogar Ruiner, já que não são muitos os jogos que permitem que possamos fatiar diversos inimigos ao mesmo tempo fugindo de balas.

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Com relação aos seus chefões, Ruiner consegue fazer com que a forma de enfrentar cada um deles seja completamente diferente e desafiadora. Confesso, é incontável a quantidade de vezes que morri para a maldita “Mãe”. Como eu estava acostumado a enfrentar todos usando minhas habilidades com espada e velocidade, penei para que eu me acostumasse com a forma defensiva e paciente com que ela tem que ser combatida. Mesmo jogadores extremamente habilidosos têm dificuldades com o jogo. Para muitos, esse excesso de desafio é ruim, já que pode frustrar em muitos momentos, mas para mim esse é um fator de incentivo bastante positivo.

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No que tange aos seus gráficos e trilha sonora, Ruiner é simplesmente incrível. As músicas escolhidas para o jogo variam desde eletrônicos calmos e etéreos a dubsteps absolutamente frenéticos dependendo da situação em que somos colocados. Isso, aliado ao incrível visual proporcionado pela Reikon fazem com que o título seja uma obra de arte por si só. Me senti simplesmente imerso em um ambiente cyberpunk autêntico, praticamente dentro do cenário de Blade Runner. Só tenho elogios a tecer nesse sentido. O design de arte cheio de neon, luzes que dão a sensação de um ambiente panóptico, sujeira em todos os cantos, e tecnologias distópicas é uma mescla perfeita com os sons industriais, com compassos bem definidos e ritmos repetitivos, vozes reverberantes e batidas eletrônicas pesadas. Os envolvidos na produção de Ruiner souberam desenvolver uma obra cyberpunk primorosa.

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Em suma, Ruiner é uma experiência excelente. Sua jogabilidade frenética e flexível, aliada a gráficos e trilha sonoras primorosas, fazem com que o jogo seja um dos melhores indies do ano. Fãs da temática cyberpunk não podem deixar de jogá-lo. Talvez o único ponto que possa ser melhorado no título seja sua duração. É possível de zerá-lo em cerca de seis horas, e o gostinho de quero mais permanece mesmo após todas as sides quests serem finalizadas. Uma questão que deve ser levada em conta também é o fato de que seu preço para consoles é o dobro do que é cobrado para PC, entretanto, o que pode frustrar os fãs de indies acostumados a gastar pouco. No mais, Ruiner é simplesmente um dos melhores jogos independentes lançados em 2017.

notas

Publicado
Formado em Relações Internacionais, Bernardo aproveitou o dom de escrever para algo útil. Músico, viajante, cronista e amante de qualquer coisa que seja relacionada a jogos, seu sonho é ser jornalista na área. Tem um carinho especial por jogos que tragam o melhor de todas as formas de arte que os englobam.