Análise: Wolfenstein 2: The New Colossus

Acho que todo gamer, que se prese, já ouviu falar de Wolfenstein. Esquece datas… vamos pra nostalgia!

Quando eu penso em Wolfenstein, eu lembro de um 486 com botão “Turbo” que você acreditava com fé que ele mudava completamente a potência do seu computador e transformava ele numa super-máquina capaz de rodar o emulador de game-boy “no talo”! Sabe do que eu to falando? Aquele computador que ficava bege e a gente colocava capinha plástica no teclado, no mouse, no monitor… nada podia pegar poeira, tudo era caro e precioso demais.

Então, sabe o Wolfenstein todo pixelado que provavelmente você conhece e se gaba por ter jogado? Então… ele é o TERCEIRO da série!

Wolfenstein 3D é sem sombra de dúvidas o maior e mais famoso jogo da série e foi lançado em 1992! Só queria mostrar o quanto a maioria de nós está ficando velho e pros mais novos: Respeita nossa trajetória!

“Previously on Wolfenstein”

Essa linha do tempo de Wolfenstein que estamos avaliando é mais nova. O primeiro jogo foi lançado em 2014, já para a nova geração. Eu não vou falar muito sobre ele, mas caso você não tenha jogado, eu recomendo muito que você tire esse tempo/dinheiro para isso. É um ótimo jogo. Na verdade é um excelente jogo. É foda pra cara@#$!

De qualquer forma, caso você não tenha jogado The New Order, a sequencia te da uma colher de chá e faz um belo resumo (bem corrido) dos últimos acontecimentos. Wolfenstein 2: The New Colossus começa exatamente após os acontecimentos do primeiro. Você irá jogar novamente (desde sempre) como William Blazkowicz.

Nesta realidade de Wolfenstein, os Nazistas não só venceram a guerra como também dominaram e colonizaram os Estados Unidos! Ai não né?! Mexeu com o Tio Sam mexeu com os muleque doido. Simbora pra guerra!

Só que com um porém.. Após os incidentes do primeiro jogo você só acorda 5 meses depois e paraplégico! (TAM TAM TAAAAMM!)

Vale ressaltar que o jogo já começa pedindo decisões difíceis, talvez cruéis, e tem imagens fortes logo de cara. Sem vaselina. Ou você se prende ao personagem ou você se prende ao personagem.

Colinho antes do caos
Colinho antes do caos

Tá tudo destruído mas tá lindo!

Os gráficos continuam da melhor qualidade. Várias vezes me peguei prestando atenção em uma paisagem, objetos aleatórios nos mapas e quinas de mesa, sim … quinas de mesa, me deixa! Aqui não temos o que falar, tudo parece perfeito. As partículas de materiais se desintegrando e estilhaços de explosões impressionam logo de primeira. E olha que não joguei em um PC master race boladão que vale um fiat uno tunado. Joguei no meu humilde PS4 PRO e já tava coisa linda!

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Outra coisa que muda completamente o ritmo de um jogo é a trilha sonora, concordam?! Hoje em dia a importância já chegou à um ponto de ser decisiva para o sucesso de um jogo ou não. Mas aqui estamos falando de um jogo FPS publicado pela Bethesda. Você já viu eles errarem alguma vez nesse ponto? Eu nunca.

Temos muito Rock n’ Roll com versões exclusivas para o jogo, para embalar os momentos tensos e corridos de batalha. Temos música de época para dar brilho aos diálogos super trabalhados e complexos sobre o nazismo e suas crueldades.

Quanto aos diálogos, prepare-se para um prato cheio de frases de impacto e exemplos claros de racismo, preconceito, força feminista e todo esse diálogo que os produtores e o jogo provam existir desde muito tempo e perduram até os dias de hoje.

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Tudo isso que eu falei ainda recebe uma cobertura de piadas e sacadas realmente interessantes. Temos piadas trash (várias vezes me senti dentro de um filme do Jason Statham, que inclusive daria um bom William nos cinemas.. fica a dica haha) e temos boas sacadas e uma pitada de relacionamento carnal entre os nossos companheiros, bebedeira e tudo mais que prove que mesmo em uma guerra impossível de se vencer, todos precisam fazer a vida valer a pena.

Dificuldade, tiroteios e stealth

Wolfenstein sempre teve como característica o desafio das dificuldades. Com uma lista acima do normal, Wolfenstein 2: The New Colossus tem a dificuldade exata para você e para o seu desenvolvimento no jogo.

Você pode transformar o jogo no Call of Duty, no modo mais fácil. Ou pode transformar o jogo em uma mistura de Black com Dishonored nas dificuldades mais elevadas. Vamos focar na dificuldade mais normal, afinal de contas esse review tinha que sair o quanto antes não é mesmo?!

O jogo cobra de você um comportamento furtivo logo no início de sua jornada. Mostrando a importância de derrotar inimigos um a um sem ser visto. Pouco tempo depois temos que lidar com os oficiais de patente alta, que são responsáveis por acionar o alarme e transformar qualquer quartinho em um campo de guerra. Estes têm que ser eliminados o quanto antes e para isso o jogo te dá um indicador de distância e direção que eles se encontram. Não pense que isso facilita muito as coisas. Chegar até eles sem ser visto é um baita desafio e você com certeza morrerá bastante até encontrar a melhor maneira de fazê-lo.

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Quando as coisas não dão certo ou quando você tem que partir pra cima é onde o jogo se consagra! Atirar em Wolfenstein 2 é uma das melhores experiências que eu já tive em jogos de tiro. Cada arma tem um impacto diferente, um coice diferente e um momento diferente. Não temos uma lista grande de armas, você terá em torno de 10 ou 12 opções, porém, completamente distintas. Além disso você deverá encontrar “partes” para poder melhorar cada uma das suas armas. Esses itens são encontrados durante as missões ou quando você termina alguma das simples missões secundárias que o jogo te possibilita, dentro da sua base. Coisas como tirar caixas do caminho ou alimentar um porco.

As batalhas são muito intensas e a IA do jogo te desafia a todo momento. Você escuta os inimigos se comunicando, planejando te flanquear ou lançar bombas e você que se vire, porque eles de fato vão fazer isso. É muito normal você tomar tiro pelas costas de um lugar que você achava seguro não chegar ninguém. Isso lembra bastante o jogo Black, um dos jogos mais queridos por amantes do FPS Hardcore. E isso é ótimo!

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Mais da metade para o final do jogo, você poderá escolher acessórios que mudam completamente a maneira de lidar com fases seguintes. Você poderá escolher entre: ser ainda mais sorrateiro e caber em lugares mais estreitos, destruir paredes e portas com “ombradas”, ou ter pernas que te elevam, alcançando assim novas áreas para vasculhar ou se refugiar. Um belo fator replay para cada dificuldade que você decidir enfrentar.

Os inimigos possuem fortes armaduras que são destruídas conforme são atingidas, então não é interessante atirar de qualquer maneira, tiros pensados e sequenciais abatem mais rápido, headshots são decisivos. Aqui a sua habilidade é colocada a prova de uma maneira muito mais fina do que em jogos multiplayer.

Essa mistura de stealth com ação traz dinamicidade e trabalha bem os “highs & lows” necessários em jogos de FPS. Quem não se lembra das fases de espionagem em Medal of Honor e 007: Goldeneye?! A estratégia é antiga.

E aí? Pronto pra pegar uns nazistas?

Wolfenstein 2: The New Colossus é um jogo focado no público carente de jogos desafiadores do gênero FPS single player. A MachineGames decidiu não arriscar demais e entregou uma bela sequência para The New Order, seguindo a mesma racionalidade:

  • Uma jogabilidade sólida, divertida e desafiadora;
  • Uma história louca, que diverte;
  • O ódio pelo nazismo e sua ideologia;
  • Cenas bizarras dignas de um filme trash que você odeia amar.

O jogo é recomendado para fãs da franquia e para jogadores hardcore de jogos em primeira pessoa. Sua curta duração, com cerca de 11 horas, não tem um fator replay forte para os outros públicos e o investimento pode parecer alto demais.

Já para os citados, com calos no dedo, as dificuldades de Wolfenstein 2 não se limitam à danos maiores por parte do inimigo. Mudanças no HUD e bengalas apresentadas até a dificuldade intermediária não estão presentes a partir do primeiro nível do modo Difícil. Trazendo um verdadeiro desafio, lotado de “Game overs”, caos, nazis malvados, piadas, diálogos complicados… como todo e bom Wolfenstein!

notas

 

 

 

Bruno Degering

Gamer há tanto tempo que usa consoles como referência cronológica para lembranças de sua vida. Amante de Mega Man, Resident Evil e Warcraft. Se gaba por ter zerado Battletoads aos 9 anos mas abandonou Bloodborne com 26.
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