Análise: The Frozen Wilds atesta que Horizon é um dos melhores jogos do PS4

The Frozen Wilds é uma excelente desculpa para você revisitar o mundo de Horizon. Digo desculpa porque este DLC que se diz ‘Story DLC’ na verdade nada mais é do que uma grande e magnífica side-quest. Sim, apesar de ser sensacional e em muitos pontos melhor que o jogo base, Frozen Wilds pouco adiciona para a história principal e é, de forma prática e objetiva uma grande side-quest para ganhar itens e informações (além da diversão, é claro). Você pode acessar a região a partir do nível 30 e depois da missão “A Seeker at the Gates”. Por fim, se você nunca jogou Horizon, essa é a prova definitiva de que esse é um dos melhores jogos da geração e que você tem que embarcar nessa aventura o quanto antes.

Como quase todos os jogos de RPG e Aventura fazem, é na exploração de um dos mistérios do jogo base que essa expansão se pauta, ou seja, na sociedade dos, até então, pouco conhecidos Banuks, donos dos colecionáveis Banuk Figurines de Horizon: Zero Dawn. Adentramos seus territórios gelados e descobrimos como uma nova ameaça similar ao vilão de Horizon está afetando suas tribos e a paz na região.

Os Banuks são muito parecidos com os Noras, sociedade da personagem principal caso você não saiba. Eles são primitivos, cheios de misticismo e tradições, até mais do que qualquer outra tribo de Zero Dawn. Portanto, a chegada de Aloy novamente traz para as mãos do jogador, o conflito das tradições e crenças contra inovação e “ceticismo” (até certo ponto). O tempo inteiro, temos que nos provar dignos da confiança do líder da tribo, Aratak, para conseguirmos progredir na investigação desse mal iminente.

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A ambientação é fantástica e não só pelo ambiente gelado, constantemente sob nevasca forte, mas também porque é em Frozen Wilds que visitamos com frequência ruínas muito mais interessantes do que aquelas de Zero Dawn. O destaque fica para a grande represa que encaramos em uma das side-quests da expansão. Além disso, o vulcão (chamado de tambor do trovão) onde a nova ameaça “dorme”, constantemente aparece em nosso campo de visão, criando tensão e nos lembrando o tempo inteiro de que o perigo está logo ali, excelente recurso da equipe de desenvolvimento do jogo.

Um ponto fraco em Horizon: Zero Dawn, na minha opinião, foi o roteiro das side-quests – inclusive falo sobre isso neste artigo (clique aqui), mas felizmente isso não acontece em The Frozen Wilds. Sendo uma espécie de side-quest em si, é nessa expansão que eu encontrei os melhores personagens desse universo, e as missões secundárias daqui são realmente mais bem elaboradas e interessantes do que as do jogo original.

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Para manter tudo isso coerente, o DLC traz de volta tudo que há de melhor em Horizon: Zero Dawn e adiciona mudanças pontuais, mas que são extremamente bem-vindas: mais espaço no inventário; habilidades para pegarmos itens do chão enquanto “cavalgamos”; ataques direto da montaria; novos e interessantíssimos equipamentos; e, minha alteração preferida, a possibilidade de usar modificação no bastão. O jogo também conta com uma nova moeda, o Brilho Azul, que dá acesso a novos itens e, portanto, os mapas com suas localizações são mais complexos de se comprar, você vai precisar de algo além de apenas uns trocados, outro ponto positivo.

A crítica nesta parte fica para a falta de upgrades em alguns itens antigos, como o Ropecaster e o Tripcaster, tornando-os quase obsoletos a partir de determinado ponto do jogo. Aliás, se você já zerou o jogo original ou se encontra em um nível muito perto do 50, alguns dos itens novos são úteis apenas pontualmente ou no final, pois os anteriores estarão muito mais poderosos e úteis para as máquinas já conhecidas. Isso aconteceu com minha armadura, por exemplo, que não deixei de usar a Shield Weaver Outfit em nenhum momento.

Os novos monstros são realmente desafiadores. Aliás, eles precisavam ser, pois essa expansão se resume a muito diálogo cortados por muita, mas muita, batalha. No início, enfrentar um Scorcher é realmente complicado (eu morri de cara, no Hard), mas com o tempo você pega o jeito e aprende a lidar com eles também (alguns itens novos ajudam, fiquem de olho).

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Um inimigo interessante são as Torres de Controle, que brotaram do subsolo desde que a tal ameaça surgiu na montanha vulcânica. Essas torres emitem um pulso de energia que cura os inimigos e causa dano às máquinas aliadas. Você deve fazer um Override nelas ou destruí-las, antes de enfrentar inimigos por perto. Fiquei triste em me dar conta de que a diferença na abordagem não influencia significativamente em nada, então correr o risco de se aproximar para um Override, na maioria das vezes, sequer vale a pena. Mais fácil atirar de longe com uma Precision Arrow.

Os gráficos são um show à parte, afinal é Horizon! Particularmente, achei até que alguns modelos são mais bem caprichados em The Frozen Wilds do que a maioria que encontrei no jogo original. O tal vulcão é uma maravilha de se observar, sempre imponente no horizonte soltando fumaça e raios. As nevascas que atingem a região são de arrepiar e atrapalhar, também. De vez em quando é até difícil enxergar direito no meio da neve, tornando o desafio de uma batalha ainda maior. A crítica fica para a performance que em um ou outro conflito contra chefes (momentos bem pontuais) vi a taxa de quadros (FPS) despencar para perto de 5 (sem exagero).

A missão final é primor! Ouso dizer que é tão boa quanto ou até melhor que a missão final de Zero Dawn. O visual é incrível, como pouco vi nessa geração, a mudança do cenário e a imersão em algo totalmente diferente do resto da expansão é realmente de cair o queixo. A escalada da ação e da adrenalina é pulsante e a necessidade de se pensar abordagens em determinados momentos é essencial. Sem contar, é claro, a batalha final que é simplesmente grandiosa e divertidíssima.

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Frozen Wilds traz até 15 horas de conteúdo adicional ao já consagrado Horizon: Zero Dawn por cerca de R$ 70,00. Apesar de ser um conteúdo grande e de qualidade por um preço relativamente justo, muitos dos que jogaram antes podem ficar um pouco frustrados por ver que esse DLC não agrega muito para o arco dramático principal. Como comentei antes, The Frozen Wilds é mais como uma side-quest, ou add-on, do que expansão de história de fato. No fim, apenas sabemos um pouco mais dos porquês de Zero Dawn. Mas o lado bom é que não recebemos sequer uma pista ou resposta sobre a cena pós-crédito do jogo base (sem spoiler aqui), o que é bom, pois aquela cena não estava ali somente para forçar os fãs a comprarem o DLC, como muitos outros jogos fazem.

Acredito que novos jogadores poderão usufruir muito mais desse DLC já que ele traz significativas mudanças que afetam o gameplay como um todo – não só na área nova, além do que novos jogadores não vão ingressar no território Banuk sedentos por respostas para o final de Zero Dawn como eu e muitos jogadores antigos fizeram. Se você é um novo jogador, esse é um jogo 5/5, caso você esteja procurando respostas, acredito que The Frozen Wilds se encaixa mais no 4/5. Talvez as considerações finais desses últimos dois parágrafos sejam as únicas críticas reais a mais essa obra de arte da Guerrilla Games.

notas

Ricardo Carvalho

Gosto muito de escrever, desenhar, de me frustrar com política, de filosofar no barzinho, assistir filmes e defender que games são arte! Me segue no twitter que eu sigo de volta, beleza? twitter.com/perfilricardoc Beijos e boas jogatinas!
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