Análise Switch: Max and the Curse of Brotherhood encanta e frustra ao mesmo tempo

Max and the Curse of Brotherhood foi um dos primeiros exclusivos lançados no Xbox One e na época ele dividia opiniões. O jogo indie que foi lançado em Dezembro de 2013 para o Xbox One, recebeu neste ano de 2017 uma versão para o PS4 e agora, quatro anos após seu lançamento, chega ao Nintendo Switch.

Será que as críticas e elogios feitos ao jogo no passado serviram para termos a edição definitiva deste jogo no Switch? Confiram abaixo.

O bicho efetivamente veio!
O bicho efetivamente veio!

Uma história com toque de Disney

Max and the Curse of Brotherhood é um jogo no estilo de plataforma, e assim como a maioria dos jogos desse estilo, a história é o menos importante. Você é Max e tem um irmão mais novo chamado Felix. Assim como quase todos os irmãos e irmãs no mundo, o Max estava de saco cheio com seu irmão mais novo e procura na internet uma magia para fazer seu irmãozinho desaparecer. O que Max não previa era que a magia iria funcionar e que Felix seria raptado para outra dimensão.

Percebendo a cagada que fez seu erro, Max pula no portal para salvar seu irmão. Neste novo mundo ele encontra uma senhora que entra com seu espírito em sua caneta/marcador e lá começa a aventura para salvar o jovem Felix das mãos do temível Mustachio (traduzindo ficaria algo como bigodudo ou homem do bigode) que por estar velho quer passar sua mente e espírito para viver muito mais e continuar a dominação deste mundo.

Respeita o moço, bigode grosso
Respeita o moço, bigode grosso

Assim como um desenho da Disney, a temática é sobre o amor fraternal e a busca pela redenção e compreensão.

Usando o marcador

Algo fascinante em Max and the Curse of Brotherhood é que além de ser um jogo de plataforma, ele é um jogo de puzzle. Ou seja, você terá que prender inimigos para passar por eles, movimentar caixas para alcançar pontos mais altos e muito mais.

Porém, o jogo vai muito além de simples puzzles. A ideia é que seu marcador possui um poder mágico e com ele você poderá controlar o poder da natureza e com isso irá literalmente desenhar e alterar seu caminho. Muitas vezes você terá que fazer uso do poder de observação para fazer o melhor caminho entre um ponto e outro. E para tal, seu marcador mágico poderá fazer a terra se levantar, irá criar cipós, correntes de água e muito mais.

Pule com sabedoria
Pule com sabedoria

Por mais que esses pontos estejam pré programados, o modo como você os desenhou não estão. Darei dois exemplos. O primeiro é que é possível levantar um pedaço de terra, porém, é possível levantá-lo reto, para esquerda ou direita. E isso irá afetar sua taxa de sucesso para resolver o puzzle. Um outro exemplo é quando você cria um cipó. Você pode simplesmente criá-lo e subir nele, porém, é possível criar um na diagonal e ele ficará balançando para que seja possível pular nele e alcançar uma plataforma mais distante.

Poderia ficar horas aqui descrevendo diversas possibilidades. Certamente é aqui onde o jogo brilha e tem seu grande diferencial. E sim, caso jogue Max and the Curse of Brotherhood no modo portátil do Switch, será possível usar a tela de toque para resolver esses puzzles.

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Gameplay quebrado

Até agora temos somente elogios certo? Infelizmente terei que para por aqui, pois o jogo possui um problema muito sério. Antes de mais nada, devo dizer que fui buscar informações sobre isso e tudo o que falarei agora já existia nas versões de Xbox One e de PS4, ou seja, o desenvolvedor fez mais um port do jogo ao invés de melhorá-lo.

O primeiro problema é que o jogo tem um delay entre o input de comando e a ação do personagem, ou seja, demora mais do que deveria entre eu mandar ele pular e ele efetivamente pular. Simplesmente não é prazeroso controlar Max em diversos pontos do jogo.

O segundo problema fica com o hitbox do jogo. Ou seja, a física e contato de Max com o mundo vai além de seu corpo. Em muitas situações e interações será possível ver um mini bug em Max, pois ele não encaixará em espaços que deveria encaixar.

Por fim temos o game design. A ideia do plataforma + puzzle é sempre muito bem vinda se bem executada, porém, neste caso ela é muito confusa. Existe um ponto específico onde você desliza por um caminho e tem que pular por vários espinhos. Com o pulo tendo o delay você morrerá algumas vezes até acertar o tempo de pulo. Depois, em um outro ponto desta mesma fase, você deverá pular em um mar de espinhos e o jogo ficará em slow motion, ai você terá cerca de 2 a 3 segundos para levantar uma plataforma com seu marcador, aterrissar nele e repetir a ação. O problema aqui é que a ação com o marcador não é precisa nem ágil, além disso o pulo quase nunca acerta a plataforma.

Em um mundo com tantos jogos de plataforma precisos e bem feitos, Max and the Curse of Brotherhood vem com erros básicos que irão frustrar muito o jogador.

Se ficar o bicho come, se correr o bicho pega
Se ficar o bicho come, se correr o bicho pega

Conclusão

As ideias por trás de Max and the Curse of Brotherhood são muito boas e quando você resolve algum puzzle, a satisfação é garantida. Porém, com erros que vem desde seu lançamento em 2013 para o Xbox One, ele chega em um mercado com muitos jogos mecanicamente melhores que ele.

Ao mesmo tempo que é divertido jogar Max and the Curse of Brotherhood, também é igualmente frustrante por causa dos erros mencionados. Vale notar que seus gráficos sofreram um downgrade na versão de Switch e o impacto visual é menor do que as outras versões, embora isso não comprometa a experiência.

notas

Publicado
Mestre supremo do Ultima Ficha, não manda nem em seus próprios posts. Embora digam que é geração PS2, é gamer desde o Atari e até hoje chora pedindo um Sonic clássico e decente. Descobriu em FF7 sua paixão por RPG que dura até hoje. Eventualmente é administrador e marketeiro quando o chefe puxa sua orelha com os prazos.