Análise: Celeste mostra que jogos de plataforma ainda estão (muito) vivos

Bruno Degering

9 de fevereiro de 2018

Antes de mais nada, vamos falar um pouco sobre a essência de Celeste.

Jogos que se auto-intitulam difíceis estão voltando a aparecer com mais frequência. Isso se dá ao fato de que, mesmo os gamers atuais, entenderam que gráficos são legais, mas sem desafio real tudo é mediano e raso. O sentimento de você masterisar  se tornar master, sinistro, em um jogo, é uma das melhores sensações e é o que transforma qualquer jogador normal em um jogador mais hardcore.

O gênero “plataforma” surgiu na década de 80 e desde então nos trouxe vários ícones da indústria dos jogos, como: Mário, Donkey Kong, Sonic, Crash Bandicoot, Castlevania, Mega Man.. e por aí vai. Esses jogos sempre foram reconhecidos por sua escada de dificuldade. A cada fase um desafio mais puxado. Até hoje existem competições em jogos clássicos como Mário, onde jogadores tentam acabar o jogo da maneira mais rápida e provando suas habilidades em fases editas.

O que eu quero dizer com isso?

Jogos de plataforma são os culpados por essa mistura de adrenalina e endorfina que vicía os jogadores de longa data (alow OMS) e que agora tem conquistado a geração ps1 nova geração de gamers!

E para cada geração de jogadores que vem temos uma nova geração de jogos. Para o estilo plataforma eu vos apresento:

CELESTE

No jogo você controla Madeline, uma menina confusa que decide escalar uma montanha no Canadá que dá nome ao jogo (Celeste Mountain). Sem spoilers, até porque no início nem Madeline parece saber o verdadeiro motivo de querer realizar esse desafio. Porém, logo de cara, uma senhora idosa na base da montanha te alerta que a montanha tem o poder de mostrar visões profundas do seu eu interior, visões essas que talvez você não esteja preparado para receber. Eu ali já ia embora.. mas Madeline segue sem pestanejar.

Não vou me aprofundar mais na história porque tudo pode virar um grande spoiler. Mas é importante dizer que Celeste tem um enredo muito interessante, atual e real. Os mais jovens podem se perder um pouco nas conversar confusas que a personagem tem “consigo mesma” mas quem for um pouco mais vivido saberá que Madeline tem muito a nos ensinar.

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Gameplay Frenético e desafiador

A jogabilidade de Celeste é uma mistura de Towerfall (afinal, este foi feito pela mesma produtora) e Super Meat Boy. Towerfall pelos gráficos, movimentação da personagem e esquema de botões. E Super Meat Boy pelo desafio plataforma com uma ausência quase que total de inimigos, totalmente focado na tentativa e erro até que seus dedos estejam preparados o suficiente para seguir até o próximo capítulo.

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Para controlar Madeline você usará apensar 3 botões além do direcional: um para pular, outro para dar o dash e um para se agarrar na parede. Apesar de serem poucos comandos, não se deixe enganar. O jogo é totalmente pensado na sincronia perfeita em cada escolha de botão que é feita pelo jogador. Um exemplo disso é que logo após alguns acontecimentos do jogo, não muito longe do inicio, Madeline começa a ser perseguida por criaturas assombrosas que imitam o percurso do jogador fazendo com que você não tenha a opção de parar para pensar ou voltar para um caminho que acabou de tomar há pouco tempo. Essa é uma maneira genial de fazer com que cada corrida, ou rodada, seja frenética. Sem espaço para erros ou para respirar.

O mais interessante, e que todos deveriam aplaudir, em Celeste é o fato de que o jogo não enjoa. Um dos maiores desafios em um jogo indie plataforma é não cair na repetição. Mesmo não tendo quase nenhum inimigo, o pessoal da Matt Make Games conseguiu trazer uma nova experiência a cada novo capítulo de Celeste. Horas se passam sem que você se canse do jogo e das mortes. Cada detalhe adicionado muda a dinâmica dos quebra-cabeças e você sempre está querendo tentar ‘só mais uma vez”. (Inclusive eu não vejo a hora de acabar de escrever essa análise pra voltar a jogar)

Não tivemos simplesmente nenhum problema com a movimentação do jogo ou com sua jogabilidade. O que já esperado, já que Towerfall também é uma obra da Matt Makes Games. uma referência para jogos indie de plataforma da atualidade.

Design das fases e trilha sonora

Os levels, ou fases/telas, de Celeste são muito bem elaborados e buscam testar não só seu reflexo e habilidade mas também seu conhecimento sobre o jogo. O jogo te guia pelos primeiros desafios te apresentando tudo que é possível ver dali em diante. Até que em certo momento ele simplesmente coloca tudo e mais um pouco em uma mesma tela e fala: “”Vai Filhão! Além disso, as fases não lineares como parecem. Desde o início da aventura de Madeline você já poderá descobrir itens escondidos, passagens secretas (no melhor estilo Sonic e Wonderboy) e as fitas com o “Lado B” que trazem capítulos extras completos que remixam os níveis anteriores e os torna algo ainda mais insanamente desafiador. O resultado final é um jogo que apesar de durar de 6 a 8 horas, contém uma tonelada de coisas para descobrir e continuar jogando, mesmo depois de terminar a história principal.

Tudo isso regado a uma trilha sonora digna de premiações em 2018. A escolha das canções de Celeste parece ter sido levada muito a sério. Aqui tudo se encaixa, cada uma tem seu momento e contribuem para animar o jogador durante suas 50 mortes seguidas ou para alertar de que o papo agora é serio e Madeline está em uma de suas buscas emocionais.

Eu não me sentia impactado com um trilha sonora indie desde Bastion (eu ouvia no carro a OST de Bastion). É simplesmente imperdível. Se você é um amante das trilhas sonoras, assim como nosso parceiro Bernardo Cortez, este é um grande, se não seu maior motivo para jogar Celeste.

Conclusão

De forma resumida, Celeste é um clássico instantâneo. Cenários incríveis, com uma grande quantidade de desafios, um vasto número de conteúdo pós-jogo e uma história que surpreende e toca. Celeste é mais um daqueles jogos obrigatórios em uma lista gamer de respeito.

Se você está com medo da dificuldade do jogo, não tenha. O jogo sabe tratar isso de maneira muito sábia, deixando as coisas insanas de demandantes para quem quer descobrir todos os desafios e fazer 100% de tudo que a Montanha Celeste tem a oferecer.

Com certeza Madeline levou sua aventura ao topo da montanha e agora olha de cima para todos. Aguardando um desafiante a altura ou quem sabe um novo pico.

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