Análise: Shadow of The Colossus continua sendo um excelente jogo

Em Agosto de 2005 o já carimbado diretor Fumito Ueta, que fazia parte do estúdio Team Ico, lançou para PS2 o jogo Shadow of The Colossus que fez um estrondoso sucesso na época. Na época ele trazia um grande mapa que deveria ser explorado a bel prazer e que o objetivo era bem claro, matar 16 Colossos. Ou seja, era um jogo somente com chefões literalmente colossais.

Após receber uma versão em HD para o PS3 no ano de 2011 com pequenas melhorias, agora em 2018 o jogo chega completamente refeito para o PS4 atualizando essa obra de arte.

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Uma história simples, porém, cativante

Quando for jogar Shadow of The Colossus não espere muitos diálogos e nem uma trama muito bem bolada. Ao contrário, o jogo encanta na sua simplicidade e ausência de informações. Na história temos um homem que chega a cavalo em um lugar secreto/sagrado com uma mulher morta. Sem saber a origem ou o nome de nenhum deles, é deixado bem claro que o menino está disposto a pagar qualquer preço para reviver essa mulher.

Ao chegar em uma câmara específica, a entidade que se intitula Dormin fala que para salvar a vida da mulher, ele deveria, juntamente com sua espada mágica/sagrada, derrotar 16 Colossos. Assim o homem pega seu cavalo (Argo) e sai pelos vastos campos para iniciar seu trabalho hercúleo.

Assim como no último jogo do Zelda, o que importa não é a história, mas sim a experiência de explorar um vasto terreno, assim como o impacto de matar seus inimigos de proporções colossais. Ao longo do jogo você terá pequenos flashes de memória e fatos que irão preencher essa lacuna na história.

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Os 16 Colossos

Shadow of The Colossus impressionou em 2005 e continua impressionando em 2018. Sua mecânica é bem simples, sua espada mágica irá emitir uma luz para o ponto onde deverá ir e matar o próximo colosso. Você contará com um arco, sua espada e a habilidade de escalar e agarrar em alguns pontos específicos.

O que torna esse jogo único é que para chegar em cada colosso, você somente conta com esse raio de luz que não é exatamente preciso. A cada colosso abatido, a dificuldade de achar o inimigo irá aumentar cada vez mais. Além disso, um outro ponto de suma importância é a jornada até o colosso. Como foi falado acima, os cenários são muito vastos com pontes à serem atravessadas, cachoeiras, vales, florestas e muito mais. Cada novo inimigo irá apresentar um belo passeio até iniciar o confronto.

E a magia de Shadow of The Colossus chega ao seu ápice quando chega ao chefão da vez. Você normalmente encontrará o gigante vagando em seu habitat oferecendo zero resistência. Porém, quando ele te avista (normalmente após levar uma flechada), tudo muda incluindo a adição de uma música excepcionalmente bem feita para cada colosso, assinada por Kō Ōtani. Ao iniciar o embate, você se sentira completamente impotente perante seu rival gigante que se move de uma forma lenta. Cada inimigo terá uma parte felpuda que você deverá escalar até chegar ao ponto (s) fraco do inimigo.

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Isso pode parecer simples, mas na verdade será necessário prestar muita atenção na movimentação de cada um para entender seu padrão e como chegar ao ponto fraco. Além disso você conta com uma estamina limitada, ou seja, deverá fazer o balanço perfeito entre se segurar, descansar ou avançar para seu objetivo. Vale lembrar que o jogador fica perdido muitas vezes tendo que descobrir o que fazer contra cada chefão. Eventualmente Dormin poderá ou não dar uma dica para lhe ajudar na tarefa.

O que mais impressiona é na diversidade entre os colossos. Se todos seguissem o padrão de inimigo gigante, achar o ponto fraco e matar, seria um jogo enfadonho, porém, a realidade é outra. Cada colosso é único e tem seu padrão bem específico. Pode andar em 2 ou 4 pernas, pode voar, nadar, se esconder na terra, etc. Não só isso, muitas vezes você tem que utilizar dos ataques do inimigo ou do meio ambiente para conseguir uma abertura para o ataque. É simplesmente incrível estudar a movimentação dos inimigos e fazer a estratégia de ataque perfeita.

Muitas melhorias na versão de 2018

Eu tive a sorte de jogar as três versões do jogo. A de PS2 apresentava suas limitações da época e a do PS3 tenho que dizer que foi um tapa buraco sem apresentar melhorias significativas. Mas, posso afirmar que esse remaster/remake para a versão de PS4 é extremamente bem vindo e que essa é a definição definitiva de Shadow of The Colossus.

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Antes de mais nada, se você tem um PS4 Pro, será possível optar entre jogar a 60 FPS ou então em um modo cinemático que melhora ainda mais a qualidade visual. Falando de FPS, algo que é perceptível (mesmo a 30 FPS), é que ele é estável e não sofre quedas de frames ao longo da jogatina. Ou seja, sua performance é perfeita enquanto a versão de PS2 apresentava algumas lentidões.

Outro ponto que sempre me encantou em Shadow of The Colossus é sua qualidade sonora e musical. Como ela é absolutamente maravilhosa! O jogo não apresenta somente boas músicas, mas elas encaixam em cada colosso e ritmo de batalha. Não só isso, a engenharia de som é maravilhosa ao ouvir o eco dos seus passos, ao ouvir seu cavalo cavalgando nos campos e por ai vai. É simplesmente sublime a qualidade sonora do jogo.

Por fim temos que falar do visual do jogo. Eu me lembro que o jogo foi impactante em 2005 e trouxe bons gráficos para a época. Porém, essa nova versão é absurdamente maravilhosa. É claro o carinho e cuidado que o desenvolvedor teve ao fazer o mapa, iluminação, sombras e etc são muito impactantes. Duas coisas que inicialmente irão impactar é a iluminação e a grama (sim, a grama). O cenário é rico e lindo e irá te mesmerizar a cada poucos minutos com novas e lindas paisagens. Claro que a cereja do bolo fica para os colossos que ganharam muitas novas camadas de textura e que são absolutamente fantásticos tanto em sua movimentação como em seus detalhes. Afinal cada colosso é praticamente uma pequena montanha que se move e você deverá escala-la enfrentando diversos desafios.

Vale dizer que ao longo da minha jogatina não percebi nenhum bug enorme, mas pequenos detalhes que valeriam um polimento extra. Como o protagonista tem que se segurar em muitos lugares, pular, etc. E em alguns momentos será perceptível que o boneco não encaixa perfeitamente, mas isso não é nada que afete a experiência.

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Conclusão

Diferente de outros remasters que o jogo simplesmente ganha uma leve melhora, nós temos uma melhora significativa em Shadow of The Colossus. Ele traz uma nova e linda camada visual ao clássico jogo de 2005, com uma melhora na performance substancial e uma trilha sonora memorável. Alguns podem ficar um pouco receosos, pois Shadow of The Colossus é um jogo relativamente curto que pode ser finalizado em menos de 6 horas. Sabendo da possível crítica, a Sony o lançou abaixo do preço do mercado a U$39,99 (cerca de R$ 135) e em R$ 179,99.

Em minha opinião esse é um jogo obrigatório tanto para os curiosos como para os fãs do jogo desde o PS2. Caso ache o preço um pouco salgado, espere a primeira promoção e compre esta obra de arte.

notas

Publicado
Mestre supremo do Ultima Ficha, não manda nem em seus próprios posts. Embora digam que é geração PS2, é gamer desde o Atari e até hoje chora pedindo um Sonic clássico e decente. Descobriu em FF7 sua paixão por RPG que dura até hoje. Eventualmente é administrador e marketeiro quando o chefe puxa sua orelha com os prazos.