Análise: The Council eleva o gênero a outro patamar

Sua cabeça gira em transe. Seu corpo todo dói. Ao recobrar a consciência, você se vê dentro de uma sala, amarrado a uma cadeira junto com outra pessoa. Uma piscada para recobrar as ações e você se dá conta de que a pessoa é sua mãe. À sua frente um torturador tenta arrancar de vocês dois informações. Como em uma grande peça de teatro, você e sua mãe se livram das amarras e, para surpresa do captor, o rendem em uma jogada cinematográfica de habilidade e sagacidade.

Assim começa The Council, jogo desenvolvido pela Big Bad Wolf em conjunto com a Focus Home Interactive e que chega agora ao mercado para Playstation 4, Xbox One e PC. Nele você é Louis de Richet, um jovem aristocrata parisiense. Filho de Sarah de Richet, Louis é um jovem talentoso. Aos 14 anos, ele adentrou a sociedade secreta Golden Globe, fundada por sua mãe. Não demorou muito para Louis começar a ajudar Sarah em missões secretas da sociedade.

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O enredo

O ano é 1793. Após os fatos narrados no início deste texto, Louis é convidado para uma ilha particular localizada na costa da Inglaterra. O local é propriedade do enigmático Lord Mortimer. A razão para este convite é um mistério. Ainda mais estranho é o sumiço de sua mãe, Sarah de Richet, que desapareceu exatamente nesta ilha.

A ilha de Lord Mortimer reuniu um time robusto de figuras histórias icônicas, como o presidente americano George Washington, o líder revolucionário francês Napoleão Bonaparte e o cruel general Jaques Peru. Compõem ainda a lista de convidados Emily Hillsborrow, uma bela e discreta duquesa inglesa, Manuel Godoy, chefe de estado da Espanha, Giuseppe Piaggi, um misterioso cardial do Papa Pio VI e Johann Von Woellner, ministro da Prússia.

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O estilo

The Council é um jogo baseado em escolhas e decisões, como Heavy Rain, Beyond Two Souls e os jogos da Telltale. Adicione também bastante exploração e um sistema inédito de progressão ao melhor estilo RPG (falaremos dele abaixo). Em The Council, cada decisão afeta diretamente a história do jogo e não é possível fazer loading ou, de alguma forma, tentar reverter uma ação tomada.

Logo, pense bem antes de fazer suas escolhas e, mais do que isso, esteja sempre de olho no perfil de cada personagem que você encontra, para descobrir pistas e, com isso, saber a melhor forma de lidar durante a aventura. Para isso, basta acessar o menu do jogo, que lhe mostra não apenas as características de cada personagem, mas também seus pontos fracos frentes as habilidades de Louis.

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Progressão estilo RPG

Louis tem habilidade únicas que lhe ajudarão durante toda a aventura. De maneira macro, elas podem ser divididas entre três grandes pilares: ocultista, detetive e diplomata. Cada uma faz com que você avance na história de uma maneira. E você pode evoluir todas as três, sem ficar preso a uma única escolha. Para fazer esse review, escolhi trilhar o caminho Detetive. Com ele, consegui pescar informações importantes apenas olhando para a reação facial dos personagens.

Detetive também me ajudou a resolver enigmas pelo cenário e deduzir algumas informações importantes. Porém, com o desenrolar da aventura, senti a necessidade de liberar uma habilidade furtiva que estava na casa do ocultista e que me ajudou muito a fazer lockpick em alguns baús e portas. Em breve verei se consigo jogar novamente para experimentar outras habilidades, como ler escrituras antigas e usar a diplomacia para resolver alguns conflitos.

Narrativa única

The Council tem um sistema único que torna o jogo ainda mais bacana do que ele já é: são as chamadas Confrontations (Confrontamentos). Durante esses momentos, que são o ápice do jogo e moldarão sua experiência e a história, você precisa vencer um duelo mental, digamos assim, argumentando com destreza e, claro, usando as habilidades únicas de Louis.

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Louis conta com uma barra de energia de esforço mental, digamos assim, que você usa para ativar suas habilidades de persuasão durante um diálogo. Dependendo da dificuldade da ação, você gastará mais ou menos barras. Ao longo do jogo, você encontrará itens que recuperam essa barra de persuasão para que você possa obter melhores resultados durante seus encontros no jogo. Dessa forma, é importante investigar bem o cenário para obter esses itens de recuperação.

Ambientação

The Council, como falamos acima, se passa na Inglaterra 1793. O jogo é extremamente feliz ao recriar os domínios de um Lord extremamente rico. As dependências da ilha são faraônicas. Obras de arte lendárias, aposentos suntuosos e uma boa variedade de itens de decoração e demais objetos da época.

Você realmente se sente vivendo uma aventura nesta época, seja por conta de tudo o que falei acima, seja pelos modos como as pessoas se portam e falam. É tudo muito bem detalhado e harmonizado. E isso impacta positivamente nos gráficos do jogo, que carregam um estilo próprio e entregam um resultado muito positivo. Ponto para os times da Big Bad Wolf e Focus Home Interactive.

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Conclusão

The Council não é apenas mais um jogo dentre tantos no estilo escolhas e decisões. Ele é O JOGO. A Big Bad Wolf e Focus Home Interactive conseguiram não apenas criar uma história sólida e interessante  (que é a base de todos esses jogos), como trouxe elementos inovadores que catapultaram o gênero para outro patamar. Dificilmente os próximos jogos do gênero não beberão em alguma fonte vinda de The Council.

Estamos diante de um daqueles jogos que darão muito o que falar e que, certamente, merecem um lugar de destaque na sua coleção gamer. Vale apontar que assim como os jogos da Telltale, The Council terá um total de 5 episódios que serão lançados ainda neste ano de 2018.

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Fundador do Última Ficha. Jornalista, nerd, marido, pai e gamer. Acredita fielmente que videogames são para divertir. #PAS