Análise: Moonlighter busca inovar, mas peca por falta de profundidade

Moonlighter é um roguelike de ação com elementos RPG desenvolvido pela Digital Sun e distribuído pela polonesa 11 Bit Studios. O jogo nos leva a um mundo pixel art no qual devemos eliminar monstros em dungeons gerados de forma procedural a fim de obter itens e loot para venda. Quer saber o que achamos do jogo? Confira abaixo nossa análise:

A ideia principal na qual Moonlighter consiste é muito simples. Devemos adentrar dungeons gerados aleatoriamente e lutar contra incontáveis monstros, estes que dropam artefatos valiosos que podem ser vendidos na nossa loja na cidade principal do jogo. Através de uma mecânica em que devemos administrar e descobrir o preço ideal das mercadorias que colocamos à venda, ganhamos dinheiro para melhorar nossas armas e a própria loja. De forma bastante simplificada, Moonlighter se baseia neste ciclo e faz proveito dele durante toda a sua história.

Bom, estamos acostumados com esse tipo de premissa, afinal roguelikes e roguelites estão aí há um tempo, mas sempre há a diversão de progredir à medida que vamos avançando pelos desafios do jogo. Em Moonlighter, por mais que tenhamos que seguir nos diferentes dungeons que o jogo proporciona, temos a falta de um real sentimento de progressão que nos faça de fato ter vontade de continuar. Os dungeons são interessantes e as armas e armaduras que podemos utilizar também são legais, mas Moonlighter peca por não ter um sistema de combate de fato desenvolvido. Tudo o que temos que fazer é apertar botões de ataque sem ter que pensar muito. Não há um sistema mais complexo de defesa, contra-ataque ou combos que possam ser utilizados de forma pensada contra diferentes inimigos. Nesse sentido, de nada adianta o jogo nos trazer uma variedade de armas e no final das contas não faz diferença qual estejamos usando.
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O título nos proporciona ainda a possibilidade de utilizar melhorias para deixar nosso personagem mais forte, mais rápido, dentre outros atributos. Agora, também tive a sensação de que o jogo poderia ter trabalhado melhor também nesta mecânica. Uma das coisas mais interessantes desse tipo de premissa é poder customizar o estilo de jogo do nosso personagem a fim de moldá-lo ao nosso gosto. Em Moonlighter, entretanto, não podemos variar muito o tipo de melhoria que faremos. Dessa forma, o jogo tem esse pequeno elemento RPG, que permite com que modifiquemos nosso herói Will, mas ao mesmo tempo falha ao não ser mais profundo que isso.

No que tange à mecânica de venda e compra da loja, por mais que eu seja um grande fã de jogos de administração, estes que exigem maior dedicação no sentido do planejamento, Moonlighter também não oferece profundidade e acabou não me agradando neste quesito. Há um pouco de estratégia envolvida na disponibilidade baseada na lei da oferta e da demanda, mas no final das contas, só estaremos de fato nos preocupando com a loja para obtermos dinheiro e comprar novas armas e armaduras, que no final das contas não mudam muito no gameplay do jogo em si.

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Por fim, a narrativa do jogo também não impressiona muito, com personagens genéricos e pouco empáticos. Os poucos NPCs interessantes que encontramos ao longo do caminho se limitam a aparecer poucas vezes, fazendo com que a experiência da história do jogo seja comprometida.

Agora, um dos pontos fortes de Moonlighter sem sombra de dúvidas é a sua parte artística. Tanto a arte pixelada quanto a parte sonora são muito bem feitos, trazendo inspirações gráficas de jogos clássicos (Pokémon, por exemplo) e uma trilha calma e relaxante em sua grande parte, com momentos mais animados quando em confrontos nos dungeons. Ambos os elementos juntos ajudam a aliviar a repetitividade das mecânicas de Moonlighter e nos fazem passar um pouco mais de tempo batalhando contra as criaturas do jogo.

Em suma, Moonlighter tenta trazer diversos elementos e mecânicas diferentes, mas acaba sendo muito raso em todas. É uma pena que com tantas ideias e propostas, o jogo não tenha conseguido desenvolver muito em nenhuma delas. Caso isso fosse feito, sem dúvida Moonlighter seria um dos jogos independentes do ano. Entretanto, a falta de profundidade e a mecânica repetitiva do jogo acabam o deixando no rol dos jogos medianos.

 

notas

 

Publicado
Formado em Relações Internacionais, Bernardo aproveitou o dom de escrever para algo útil. Músico, viajante, cronista e amante de qualquer coisa que seja relacionada a jogos, seu sonho é ser jornalista na área. Tem um carinho especial por jogos que tragam o melhor de todas as formas de arte que os englobam.