Análise: The Crew 2 diverte em proporções gigantes, mas falta balanceamento

Sendo muito sincero, quando eu joguei o The Crew 1 eu não gostei muito dele e o abandonei rapidamente. Porém, quando joguei The Crew 2 na E3 de 2017 tudo mudou e imediatamente eu entrei no hype. Na época seu destaque era a possibilidade de trocar de carro, avião e/ou lancha a qualquer momento. Agora com o lançamento de The Crew , podemos explorar um mapa gigante dos EUA e competir em mais classes do que conseguirá imaginar.

Confira abaixo nossa análise do jogo.

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Um EUA em tamanho real

Assim como em The Crew 1, a desenvolvedora Ivory Tower resolveu trabalhar com um mapa dos EUA em escala real. Inclusive, caso queira, é possível atravessar todo os EUA de ponta a ponta e posso afirmar que verá os mais diversos tipos de ambientes como praias, cidades, montanhas, parte gélidas, desfiladeiros, florestas densas, deserto e por ai vai. Porém, um aviso de amigo, isso vai te tomar muito tempo. Como exemplo me lembro de uma corrida que fiz de Harley Davidson onde eu sai de Las Vegas e fui para um pouco antes de São Francisco. Essa corridinha que é perto, me tomou 14 minutos, e nem cheguei a São Francisco. Agora só espere cruzar todos os EUA.

Mas não se assuste, pois sabendo do tamanho de seu mapa a desenvolvedora aplicou um excelente quick travel que funciona lindamente bem e sem nenhum load. É impressionante a velocidade e eficiência de te transportar de um ponto do mapa para outro completamente diferente em 2/3 segundos. O único momento em que o jogo peca em seu carregamento ( e ai demora mais do que deveria) é quando você acessa um dos grandes centros do jogo que irá liberar novas pistas. Algumas vezes eu achei que meu console tinha travado o jogo, quando na verdade ele estava carregando esta área.

Tirando esse detalhe, que é chato e pontual, o mapa é absurdamente grande e irá te proporcionar centenas de cenários mais diferentes assim como corridas diferentes. É válido e necessário dizer que o jogo é absurdamente bonito. Como somos apresentados a muitas paisagens, temos incríveis visuais e efeitos de luz. Fica aqui uma observação que curiosamente o jogo não possui HDR, o que poderia levar essa iluminação a outro nível.

A LIVE, modos de competição e online subutilizado

The Crew 2 felizmente ou infelizmente possui um modo história. A parte boa desse modo história é que ele é bem simples e não incomoda praticamente em nada o jogador. A empresa LIVE é responsável por fazer diversas corridas de rua para entreter o público e você irá atrás de likes/curtidas/joinhas. Sim, seu objetivo é competir em centenas (talvez milhares) de corridas e conseguir a maior fama possível através das redes sociais. Felizmente essa história é bem leve e eventualmente apresenta uma ou outra cutscene. A parte do infelizmente vai para alguns diálogos que chegam a irritar de tão bobos ou por serem repetitivos demais.

E para conseguir o máximo de fãs pelo mundo, a LIVE promove corridas de tudo que é possível (só faltou corrida de bicicleta e rolimã). Para ter uma ideia, é possível correr em mais de 10 tipos/categorias de velocidade ao longo do jogo. Temos a corrida de rua normal, drift, drag, monster truck, corrida de fórmula, corrida de turismo, offroad (atravessar uma distância no menor tempo de forma mundo aberto), corrida offroad (um circuito fechado offroad), moto normal, moto offroad, lancha, avião velocidade, avião estilo e mais. Sim meus amigos, não podemos chamar The Crew 2 um jogo de carro, mas sim um jogo de velocidade. Porém, creio que algum de vocês estejam perguntando o seguinte: Com todas classes, como é que está a dirigibilidade? Bem, a dura realidade é que ela é simples e desbalanceada, afinal como é que vai entregar o melhor em mais de 10 estilos de corrida?

Tony Hawk Monster Truck edition
Tony Hawk Monster Truck edition

Particularmente eu gostei muito da corrida de rua e do modo offroad (são meus preferidos. Não há nada mais bonito e relaxante do que atravessar um grande campo podendo escolher o seu caminho). Já o mais temido para mim é o modo de corrida offroad seja com a moto como com o carro de rally. A estabilidade é estranha e parece que passaram sabão na pista. Em geral as decisões de física e ambientação foram acertadas, porém, é impossível balancear algo com tantos estilos.

E, por fim, nós temos a parte do online no meio dessa salada mista. Por ser um jogo sempre online eu pensei na hora que iriamos competir com/contra os amigos, mas isso não aconteceu. Na realidade o modo sempre online serve para você competir com os tempos do mundo inteiro e sempre tentar superá-los nos muitos pontos espalhados pelo mundo. Mas nas corridas, você irá correr contra a inteligência artificial. Será sim possível encontrar outros jogadores neste mundo, mas eu não achei nenhuma forma de interação com eles. Ou seja, uma oportunidade desperdiçada por forçar o usuário a ficar sempre online.

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Evolução e dirigibilidade

Como mencionei acima, The Crew 2 entrega diversos estilos de corrida e falta sim um balanceamento e melhor polimento em algum deles, porém, isso não quer dizer que o jogo seja ruim. Para falar a verdade eu me diverti muito com ele. Uma reclamação que eu tive em The Crew 1 era que simplesmente não era gostoso pilotar o carro. Agora em The Crew 2, tudo melhorou e muito. Certamente não é perfeito, mas posso afirmar que temos uma boa mecânica juntamente com muita diversão. Inclusive o que mais me chamou a atenção é como é divertido pular entre as categorias e simplesmente correr sem compromisso.

Além de acelerar ao máximo, existe um esquema dentro de The Crew 2 onde você poderá evoluir todos os veículos. Após ganhar uma corrida (no caso chegar até terceiro lugar que é o sistema que o jogo usa), você será recompensando com upgrade que podem ser normais, raros ou lendários. Quanto maior a raridade, maior os bônus que a peça dará, mas não necessariamente ela irá aumentar muito a sua performance. Na realidade algo que ao mesmo tempo eu gostei e que me incomodou, é que todo item que recebe, sem exceção, é sempre melhor que o anterior. Ou seja, você sempre irá substituir uma das peças substituíveis do jogo e uma peça rara ou lendária acabará perdendo seu valor rapidamente.

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Também será possível comprar diversos tipos de carros, motos, aviões, lanchas, etc, onde será possível fazer esse mesmo upgrade a cada classe. E mais uma vez aqui vemos o problema de balanceamento, por mais que possamos ter diversos tipos de carros, no final eles se comportarão de forma bem similar. Na realidade eu não vi uma necessidade de trocar de carro ao longo do jogo e acabei ficando com os primeiros de cada classe que em sua maioria são gratuitos. Porém, é visível a evolução deles ao colocar novos upgrades.

Por fim, algo que inicialmente não percebi, mas com o tempo senti falta foi a diferença na física com tipos de clima. De forma resumida, o carro irá se comportar do mesmo modo se for clima seco, se estiver chovendo ou nevando.

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Conclusão

É inquestionável que The Crew 2 é um bom jogo e extremamente divertido. Seu grande destaque vai para a quantidade de tipos de corrida assim como para os belos e ricos visuais que irão fazer seu queixo cair. Por mais que ele tenha evoluído e muito sua fórmula, ele deixa a desejar por causa de sua megalomania. Ao utilizar tantos tipos de corrida, o jogo sofre um pouco com o equilíbrio de cada estilo onde alguns são muitos bons e outros, como a corrida de moto offroad, é sofrível. O fato de ser sempre online acabou deixando esse ponto meio sub utilizado, onde você não tem uma interação direta com os outros jogadores.

The Crew 2 certamente irá divertir e é um grande passo para um jogo arcade definitivo. Corrigindo esses detalhes mencionados, poderemos ver um maravilhoso jogo de corrida no futuro.

notas

Publicado
Mestre supremo do Ultima Ficha, não manda nem em seus próprios posts. Embora digam que é geração PS2, é gamer desde o Atari e até hoje chora pedindo um Sonic clássico e decente. Descobriu em FF7 sua paixão por RPG que dura até hoje. Eventualmente é administrador e marketeiro quando o chefe puxa sua orelha com os prazos.