Análise: Octopath Traveler chega como um dos melhores J-RPG’s da geração

Desde que Octopath Traveler foi anunciado (inicialmente chamado de Project Octopath) eu sempre fiquei muito interessado pelo jogo, afinal ele era um J-RPG clássico da Square Enix que abraçava os jogos da era 16 bits, onde a empresa fez mais sucesso nesse gênero. Depois de duas demos lançadas Octopath Traveler foi oficialmente lançado e nós pudemos testar o jogo graças a Nintendo que nos cedeu um código para este review.

E antes de iniciar o review já posso adiantar, caso seja um fãs de J-RPG, a compra deste jogo é obrigatória! Confira abaixo nossa análise.

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As oito histórias

Diferente da grande maioria dos jogos onde ele tem uma história/vilão central, em Octopath Traveler nós na realidade temos 8 histórias distintas. Assim como o nome já diz através de sua tradução literal, que seria algo como “Viajante dos oito caminhos”, nele será possível experimentar 8 histórias distintas onde cada um tem seu protagonista.

Confira aqui nossa matéria especial sobre cada personagem e suas vantagens

Eu não posso dizer que não senti falta de um grande vilão em comum para todos, mas eu achei as oito histórias muito bem construídas e com seus devidos plot twists. Ou seja, no caso de Octopath Traveler, não faz falta um grande vilão, pois temos histórias bem intrigantes. Por serem oito contos, certamente cada pessoa irá se afeiçoar mais com uma específica.

Abaixo darei uma leve palinha de cada personagem/história para você poder se situar. E não se preocupe, não darei nenhum spoiler.

  • Therion, o ladrão: Therion é um ladrão solitário que há muito tempo atrás teve um colega/amigo onde com ele poliu suas habilidades. Hoje ele fica vagando e sobrevivendo, até que ele ouve o conto de um grande tesouro em uma mansão. Após chegar ao tesouro, ele se vê obrigado a coletar os outros que estão espalhados pelo mundo.
  • Ophilia, a clériga: Basicamente a Ophilia será a maga branca do grupo e irá focar na cura. A história de Ophilia começa desde sua infância quando vira a filha adotiva de um sacerdote importante e ganha além de um pai, uma irmã. Quando atinge a maioridade, ela opta por trilhar o caminho que sua irmã deveria trilhar para retirar o peso das costas dela em uma peregrinação.
  • Cyrus, o erudito: Cyrus é um grande curioso e estudioso que quer viajar o mundo em busca de conhecimento. Após acontecimentos que vem muito a calhar, Cyrus resolve viajar o mundo atrás de um tomo muito antigo que fala de magia proibida. Ele será seu mago negro.
  • Olberic, o guerreiro: Se você quer poder bruto, Olberic é seu personagem. Ele é um cavaleiro que há muito tempo perdeu seu rei e amigos. Após vagar por anos sem rumo, ele resolve ir atrás de um velho conhecido que causou a queda de seu rei. Uma história de vingança.
  • H’aanit, a caçadora: H’aanit é uma caçadora muito habilidosa que espera seu mestre retornar de uma missão que já leva mais de um ano. Após receber “notícias” sobre ele, ela resolve ir procurá-lo no mundo.
  • Tressa, a mercadora: Tressa é o clássico cenário de peixe grande em um aquário pequeno. Após ficar anos em uma pequena vila, ela percebe que ser uma grande mercadora e conhecer os tesouros e produtos de todo o mundo. Portanto, ela decide deixar seus pais e explorar o mundo.
  • Primrose, a dançarina: Primrose é uma dançarina de uma cidade no meio do deserto. Ela atura diversos tipos de abusos e explorações somente para um dia ver e se vingar dos homens que mataram seu pai. Após conseguir novas informações sobre os assassinos ela deixa essa vida de exploração em busca de vingança.
  • Alfyn, o boticário (uma espécie de alquimista): Alfyn é um boticário muito habilidoso que está sempre olhando para as pessoas de sua vila e as ajudando com suas doenças. Porém, por mais gentil que seja, ele quer sair da vila e melhorar ainda mais suas habilidades e ajudar todo o mundo.

Como podem ver, são histórias bem distintas. O importante é frisar que ao longo de cada história, o personagem evolui e amadurece com os acontecimentos, além de vermos diversos plot twists. É possível fazer as histórias na ordem que quiser.

E claro, além das 8 histórias principais temos as famosas e obrigatórias side quests em um bom RPG, certo? Bem, as side quests não são a coisa mais elaborada do mundo e variam de simples atividades como achar uma informação/bater em alguém como ter que reunir uma família onde um está em uma cidade e outro em outra cidade. A principal vantagem de fazer as side quests, é que você ganhará sempre um item bom e muito dinheiro.

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Um gameplay inovador e seus jobs

Algo que eu gostei muito, mas muito mesmo, em Octopath Traveler é que as batalhas são muito estratégicas. Cada inimigo pode ter cerca de 2 a 5 pontos fracos e caberá você a explorar esses pontos, pois cada personagem seu terá uma arma e habilidade específica. No meio da luta será possível optar entre as possíveis armas para atacar os inimigos e não somente isso, cada inimigo tem uma espécie de barreira que pode variar de um acerto até mais de cinco acertos. Isso acaba elevando muito a estratégia, pois, na teoria, você irá querer quebrar essa barreira de todos ao mesmo tempo para dar um dano avassalador em todos ao mesmo tempo, mas nem sempre isso será possível.

Além da possibilidade de muitas estratégias e golpes diferentes no meio da luta, Octopath Traveler traz os BP’s (battle points). A cada turno da luta você ganha um BP por ação simples. Quando você quiser, será possível utilizar até 3 BP’s (multiplicando sua ação por 4 vezes) e será possível atacar ou com 4 golpes simples, ou com uma habilidade carregada por 4 vezes. Ou seja, um dano, que digamos, seria 500, vai se transformar em algo em torno de 2 mil.

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Na batalha você terá que se preocupar com a escalação do seu time aonde cada um terá suas habilidades e armas, também terá que se preocupar com a barreira e fraqueza que cada inimigo tem e a melhor hora para quebrá-la e, por fim, terá que saber quando melhor utilizar seus BP’s e quantos dele utilizar. Isso tudo da uma profundidade absurda no combate de Octopath Traveler.

Por fim, será possível escolher um segundo Job (classe) para cada personagem. Depois de certo momento do jogo, algumas cavernas estarão disponíveis para adquirir as classes bases. Com isso você terá que optar em cada personagem seu de ter sua classe primária e uma melhor segunda classe para compor seu time.

Resumidamente, temos que tomar decisões, decisões e mais decisões. E claro, vale pontuar que poderemos usar diversas habilidades dos personagens dentro das cidades. Por exemplo, o ladrão poderá roubar itens e equipamentos dos cidadãos, mas podendo ser pego no ato.

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A obra de arte

Algo que achei engraçado, é que muitos “fãs” ficaram num mimimi infinito sobre o estilo visual de Octopath Traveler onde ele seria um jogo indie por causa de seus gráficos homenageando a era 16 bits. Muito felizmente isso não passa de uma reclamação infundada e na realidade eu considero uma grande obra de arte o estilo artístico do jogo. Inicialmente os gráficos são uma homenagem muito bem feita a era 16 bits, porém, ele se passa em um mundo 3D (ou 2.5 D se preferir) o que da uma profundidade que não existia na década de 90. Além disso, a iluminação em Octopath Traveler é soberba. É possível ver e sentir a floresta densa com raios de luz passando entre as árvores, ou então o sol refletindo na areia e muitos grãos voando pelo ambiente, ou então uma densa neblina que dificulta a visibilidade. Este jogo é uma prova incontestável de que não é necessário gráficos 3D de última geração para fazer algo lindo.

E claro, o que a Square é super bem conhecida por fazer em RPG’s? Sua música e efeitos sonoros. E mais uma vez, venho com uma chuva de elogios aqui. A trilha sonora de Octopath Traveler é maravilhosa e ela encaixa bem em muitos momentos como um momento triste, um agitado, música de batalha e muito mais.

De forma resumida, não deixe seu visual o enganar. O jogo é maravilhoso e eu considero sim uma obra de arte.

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Conclusão

Se ainda não comprou Octopath Traveler, compre agora! Seja um fã de RPG ou um curioso, é certo que ele irá te agradar. Com oito histórias, será possível se divertir por mais de 60 horas de jogo. Além de seu tamanho, ele acerta em cheio tanto no estilo gráfico como tem uma trilha sonora memorável. Por fim, o grande destaque vai para a parte do combate e sua grande e excelente complexidade.

Vale lembrar que Project Octopath está disponível na Loja Nintendo do Brasil com o menor preço do mundo: http://loja.nintendo.com.br

notas

Publicado
Mestre supremo do Ultima Ficha, não manda nem em seus próprios posts. Embora digam que é geração PS2, é gamer desde o Atari e até hoje chora pedindo um Sonic clássico e decente. Descobriu em FF7 sua paixão por RPG que dura até hoje. Eventualmente é administrador e marketeiro quando o chefe puxa sua orelha com os prazos.