Análise: Dead Cells é o supra sumo do gênero Metroidvania

O estilo Metroidvania começou no fim da década de 80 com Metroid sendo lançado para o NES e se consolidou na década de 90 quando Castlevania: Symphony of the Night levou o estilo a um novo patamar. Desde então, diversos jogos e empresas copiaram seu estilo e, logicamente, o mercado e seus estilos evoluíram muito até o dia de hoje.

E o mais novo expoente deste gênero chega agora em Agosto de 2018 com Dead Cells. Confiram abaixo nossa análise deste jogo que é o equilíbrio perfeito entre desfio e frustração.

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Uma história simples com tons cômicos

Fica evidente ao jogar Dead Cells que o foco do jogo não é em sua história, mas isso não tira a habilidade da desenvolvedora Motion Twin em contar uma breve história. No jogo, você será uma espécie de espírito que irá sempre tomar um corpo após sua morte. E sua motivação é bem simples: fugir do ambiente que está, pois é uma prisão.

O que enriquece a experiência é que não é um mundo completamente vazio, mas possuiu alguns personagens chaves que eventualmente poderá conversar. Além dessas breves conversas, é possível ver anotações de pessoas que já passaram por ali ou então fatos e notícias passadas que ajudará a enriquecer a lore do jogo e de seus personagens. Nesse aspecto o jogo me lembrou muito de Darksouls onde existe uma história, mas você tem que procurar e interpretar ela.

Por fim, tenho que destacar o senso de humor e atitude do protagonista sem nome. Ao invés dele se perguntar o que está acontecendo, ele simplesmente tem o desejo de fugir dali. Ao longo da aventura a sua expressão corporal como diversos questionamentos que fará, irão te fazer dar boas gargalhadas.

Um Roguelite procedural

Além de Dead Cells seguir o estilo Metroidvania, ele também tem em seu DNA o gênero Roguelite, ou seja, toda vez que você morre, você volta ao início, mas traz alguma coisa da sua última tentativa, ou seja, a cada nova morte você inicia um pouco mais poderoso para sempre avançar um pouco mais. Porém, isso poderia ser facilitado caso o jogo entregasse somente um mapa. Para fugir do obvio, a Motion Twin resolveu fazer as fases de forma procedural, ou seja, a cada nova tentativa você irá experimentar novos mapas e sempre terá alguma novidade.

#referencias
#referencias

E com essa mistura de ideias e gêneros, nós temos um jogo com um maravilhoso game design. Além dos muitos inimigos onde cada um tem um padrão específico, as fases são sempre muito bem construídas que dão uma fluidez ímpar. Não somente as fases são muito bem construídas, mas elas contém diversos segredos que poderão surpreender o jogador. Além dos segredos, algo que achei muito interessante é que com o avançar do jogo, seu personagem ganha novas habilidades que não somente podem te dar acesso a novas áreas, mas achar novos caminhos por novas fases.

Algo que acho legal dizer e que me surpreendeu, é que em certos momentos você deixará de ter inimigos na tela, e terá que passar por desafios 100% plataforma com espinhos na tela, armadilhas e muito mais. Além de te desafiar em diversos momentos, Dead Cells tem um quê de speedrun em alguns momentos que irá polir suas habilidades a cada tentativa.

Olha só meus equipamentos lindos, que vou perder tudo quando morrer....
Olha só meus equipamentos lindos, que vou perder tudo quando morrer….

Aquele toque de RPG

Temos humor e fases muito bem construídas, então chegou a hora de falar de seu gameplay e da evolução do personagem. Antes de mais nada, é importante dizer que o nome do jogo Dead Cells, está diretamente ligado a sua mecânica de evolução. Alguns inimigos mortos irão liberar uma célula azul que poderá ser utilizada entre a transição de um ou outro cenário. Sua utilização irá desbloquear novas habilidades, capacidades e armas. Existem muitas dezenas a serem liberadas ao longo do jogo e você terá que morrer inúmeras vezes para poder ter seu arsenal completo.

Porém, não é simplesmente liberar novas armas, você tem que utilizá-las, correto? Pois bem, assim que funciona a lógica do jogo: Digamos que você necessite de 40 células para liberar uma nova arma. Após as 40 células, ela estará liberada para uso, porém, isso não quer dizer que você vai iniciar com ela. Para tal, você precisa gastar 60 células para que ele possa vir como um dos itens aleatórios iniciais. E claro, caso queira liberar um espada, por exemplo, é necessário antes desbloquear X quaisquer habilidades para que a espada possa ser desbloqueada. Isso dá sempre um frescor a cada novo gameplay, pois será sempre com um novo equipamento e em uma nova fase gerada de forma procedural. Sem contar que em certo momento você fica obcecado por conseguir cada vez mais células para liberar novos itens e habilidades.

Boa sorte liberando tudo!
Boa sorte liberando tudo!

Mas calma, ainda tem a evolução do personagem, certo? A cada tentativa, será possível fazer upgrades ao longo do jogo. O mais importante certamente são os tomos que aumentam um ponto seu, que variam de ataque (vermelho), equipamento especial (roxo) e vida (verde).  Cada equipamento possui uma cor específica e a cada novo upgrade a eficiência daquele (s) item (ns) irá aumentar sempre 15%. O que muda na estratégia é que quanto maior o nível de uma cor, menos vida você ganhará por cada upgrade e isso forçará o jogador a sempre nivelar os upgrades de acordo com o ganho de vida.

Por fim, ainda é possível conseguir novas armas, armas raras, comprar armas e itens ao longo da partida. E isso sempre acontece de uma maneira aleatória onde cada run se mostrará única e você terá que se adaptar ao estilo e desafio.

E suei para chegar ai....
E suei para chegar ai….

Conclusão

Eu simplesmente me apaixonei por Dead Cells. Eu sabia que ele tinha potencial, mas não tinha ideia do quão bom ele seria. Ao misturar diversos gêneros consagrados do mercado, ele traz um equilíbrio perfeito que te viciará cada vez mais. Os destaques são inúmeros que vão do seu humor, ao game desing e ao delicioso gameplay. E por mais que o jogo não apresente gráficos de última geração, os cenários são vivos com diversas camadas e com muita coisa acontecendo, juntamente com um empolgante trilha sonora.

notas

Publicado
Mestre supremo do Ultima Ficha, não manda nem em seus próprios posts. Embora digam que é geração PS2, é gamer desde o Atari e até hoje chora pedindo um Sonic clássico e decente. Descobriu em FF7 sua paixão por RPG que dura até hoje. Eventualmente é administrador e marketeiro quando o chefe puxa sua orelha com os prazos.

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