e-Sports mostram força ao punir desvios de conduta e crimes na vida pessoal

A National Football League (NFL), maior entidade de esportes do mundo, que carrega nas costas o maior evento esportivo do mundo, o Super Bowl, encara há anos diversas pressões para mudanças nas regras no que tange a punição de má conduta e crimes por parte de seus jogadores. Tendo um histórico de atletas problemáticos que conta com envolvimento com drogas, agressão, assédio e outros crimes, a Liga tem se mostrado fraca em criar uma linha de pesos e critérios em suas punições.

A moralidade estadunidense, um tanto complexa, haja vista o quanto os Estados Unidos da America é heterogêneo, revela a hipocrisia carimbada nas letras do livro de regras do Futebol Americano. Apesar dos midiáticos esforços, muito mais midiáticos nesse caso, para mudar, ainda persiste a desumanidade de que o uso de drogas por parte dos jogadores, por exemplo, mesmo que em quantidade ínfima, acarreta punições mais severas do que violência doméstica e assédio e abuso sexual.

Darren Waller

Só para usar alguns exemplos, em 2017 o atleta Darren Waller (foto) foi suspenso por 1 ano por uso de drogas. Uns anos antes, D’Qwell Jackson agrediu um entregador de pizza e não sofreu nenhuma punição, só 2 anos depois foi suspenso por, advinha? Uso de drogas. O atleta Adam Jones já foi preso mais de 10 vezes, na maioria dos casos por violência, e juntando todas suas suspensões, mal chegamos a 20 jogos. Sabemos que Waller não foi nenhuma vítima, usou drogas que são proibidas, mas onde está o critério? Vidas humanas ou moralidade exacerbada?

O que isso tudo tem a ver com games, você deve estar se perguntando.

Tudo!

Os E-sports, ao contrário, tem dado ótimos exemplos de que jogadores que se desviam da conduta esperada não serão bem-vindos.

Recentemente, o coreano Lee Seon-woo, mais conhecido como Infiltration (imagem da notícia), um dos mais famosos atletas profissionais de Street Fighter do mundo, foi proibido de participar de um torneio na Tokyo Game Show (TGS) – clique aqui para a notícia. A decisão da produção se deu pelo fato de que há uma investigação em curso sobre denúncias de agressão e tortura contra sua ex-mulher. Não somente isso, se instalou uma mobilização entre competidores, fãs, patrocinadores e organizadores para expulsar Infiltration de vez da cena competitiva profissional de Street Fighter.

No início de 2018, o Mr Lengyel (foto abaixo), atleta de Overwatch, foi suspenso da Overwatch League por quatro partidas e multado em dois mil dólares por ter “apenas” (em comparação à agressão física) usado um xingamento homofóbico. Além disso, seu próprio time, que nos esportes tradicionais correm em defesa irrestrita de seus jogadores culpados ou não, decidiu suspendê-lo do primeiro estágio da competição. Enquanto isso, ser gay em esportes tradicionais é um dos tabus mais consolidados ao redor do mundo e usar xingamento homofóbico é tão comum quanto respirar.

Mr Lengyel

No final de 2017, o chinês Li Wei Jun, mais conhecido pelo seu apelido Vasilii, foi demitido da liga profissional de League of Legends em que era atleta desde o início do ano por ter agredido sua namorada. A agressão foi vista pelos espectadores de seu streaming, que puderam ouvir ao fundo a namorada implorar para que ele não perdesse a calma. Daí para frente só piorou! O jogador arremessou sua webcam longe, gritou agressivamente com ela enquanto a própria implorava para que ele não a tocasse. Por fim, barulhos de impacto foram ouvidos, seguidos de gritos e choro. A Riot, produtora do jogo, suspendeu qualquer participação de Vasilii no jogo até 2020.

Frente aos esportes tradicionais, os jogos eletrônicos tem a chance de assumir um protagonismo interessante na busca por atletas que não sejam racistas, machistas, homofóbicos e agressores. E isso é essencial para um futuro saudável para todos. Enquanto sabemos que a comunidade ainda é muito tóxica, reflexo de um passado dominado por homens conservadores, há pelo menos um esforço por parte de produtoras, jornalistas, competidores e patrocinadores em tornar a cena dos e-sports em exemplo de empatia para o mundo.

Vem com a gente, faça parte dessa corrente positiva!

Publicado
Ricardo Carvalho é escritor, político e filósofo de sofá, cineasta frustrado e ativista pela aceitação mundial de que videogame é arte. facebook.com/oficialricardoc, twitter.com/oficialricardoc, instagram.com/oficialricardoc

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *