Análise: Mega Man 11 traz a série para brilhar novamente em um jogo divertido e desafiador

Reviver um grande clássico depois de um bom tempo desde o último jogo lançado nunca é uma tarefa fácil. Ao longo dos últimos anos tivemos vários exemplos de jogos que ganharam versões novas e atualizadas em suas sequências. Algumas de boa aceitação e outras muito ruins. Parece que há uma busca na receita milagrosa do sucesso, e ao que tudo indica o caminho é mais simples do que parece: preservar a essência do jogo, suas raízes, jogabilidade. Em outras palavras, quando se inventa demais o resultado é ruim, ao que tudo indica nesse jogo de busca de excelência para séries clássicas, menos é mais. Levando-se tudo isso dito acima em consideração, abrimos a análise de Mega Man 11 dizendo: a Capcom acertou na mão. Foi grandiosa ao respeitar as origens do jogo e trazer para o fã do jogo todos os elementos dos jogos antigos e para os novos jogadores opções que se adequam a modernidade dos games de hoje em dia. O resultado é um jogo de muita ação no estilo plataforma, onde o herói ganha novos poderes e recursos, porém não perde sua “majestade” de saber muito bem como derrotar inimigos apenas com sua “M.Buster”.

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O que há do novo Megaman?

No jogo iremos encontrar novas habilidades além das já conhecidas trocas de armas dos jogos clássicos. A principal é o sistema Double Gear (que são as duas engrenagens que na verdade conduzem o enredo do jogo). Você tem um barra de energia que controla o quanto você pode utilizar de cada uma, e já adianto, o momento é breve. Na Speed Gear, ao clicar no R1 (testamos a versão de PS4), você desacelera o tempo, te dando uma visão detalhada e em câmera lenta de tudo que acontece no cenário, e acreditem, é muito útil. Eu como jogador clássico, demorei a me acostumar, mas já advirto os jogadores, aprendam a dominá-la, pois será de grande utilidade durante a campanha. A outra, Power Gear, pressionando o L1 te dará tiros mais potentes, uma espécie de power up no dano. E pra completar, quando você está prestes a morrer, você ainda pode combinar as duas pressionando os dois botões ao mesmo tempo, o que também pode ser um bem precioso.

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Dica: se você gastar toda a barra do tempo limite para utilizar a habilidade, ele entra em curto e demora até você poder usa-la novamente.
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Dica: adquira os produtos do laboratório do Dr. Light, pesquise a o que eu cada um oferece e que se adeque melhor ao seu jogo, não os ignore.

Ganhamos também nessa continuação várias outras opções, como uma especie de lojinha do Dr. Light. Nela você pode trocar seu “dinheirinho” que na realidade são parafusos coletados nas fases por acessórios, habilidades de suporte, itens, melhorias na arma e armadura e até mesmo a ajuda do passarinho robô Beat (custa a bagatela de 40 parafusos), esse que deve ser prioridade máxima de compra, pois te salva quando você cai de alguma plataforma, buracos, etc. E acredite, você vai cair como jamais caiu na sua vida. Quanto aos novos gráficos são lindos, uma mistura de 2D com alguns momentos de 3D, dando uma pegada moderna ao jogo. Há também alguns extras, onde você pode jogar um desafio de tempo, ver os placares, galerias etc..

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O que há do velho e bom Mega Man?

Aí sim! Muita coisa te relaciona com os jogos mais clássicos da série. A começar com a história simples, conhecida, mas extremamente charmosa. O vilão Dr Albert Wily (pra variar), se lembra da época da universidade que havia desenvolvido engrenagens que modificariam os robôs (as double gears), e isso foi simplesmente abolido pelo conselho da época. E o que ele faz? Volta, captura os robôs do laboratório do DR Ligth com aquela sede de vingança, os deixando malvados e perigosos. Básico né!? Sim, porém bem legal, o jogo começa com a mesma premissa dos outros jogos, 8 robôs, 8 desafios logo de cara. E aquela sequência já conhecida, o primeiro você destrói com sua arma básica, e a cada nova fase você adquire uma arma nova, e ela é a mais indicada para o robô seguinte, exemplo: para derrotar o Acid Man a arma mais indicada é a adquirida no robô anterior Block Man.

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Dica: fique ligado em cada fase pois ela te dá a dica de qual arma é melhor para prosseguir, por exemplo: a S. Thunder adquirida ao derrotar o Fuse Man, é melhor para a fase de gelo, onde enfrenta o Tundra Man que ao vencê-lo, ganha a arma T. Storm que facilita muito seu caminho na fase do Torch Man.

A trilha sonora é legal, bem clássica, e a música de apresentação dos chefes é literalmente a mesma dos jogos do passado, de arrepiar! A jogabilidade e os comandos respondem bem, seguindo também a pegada clássica da série, o que fugiu um pouco no balanceamento da jogabilidade com os jogos passados da série foi a dificuldade. Aí entramos em um pequeno ponto negativo do jogo. Pode ser bem difícil no começo. É bem complicado chegar nessa conclusão, mas tentarei explicar. Hoje estamos acostumados com os “saves” e vidas infinitas, e principalmente continuar de onde morremos. Mas não é só esse o motivo. O jogo te dá 4 níveis de dificuldade, Superhero, Normal, Casual e Newcomer. No normal temos 3 vidas, morreu, começa tudo de novo, no casual 5 vidas. Até aí tudo bem. O problema é que leva tempo para aprender as fases, e quando você vence os desafios da fase, chega o Boss, que também precisamos dominar seus movimentos. Em resumo, você leva tempo para chegar no boss com 3 vidas, quando chega as perde para aprender como enfrentá-lo. Aí o que acontece? Começa tudo de novo. Sempre foi assim nos jogos dos anos 80 e 90, porém era menos frustrante e menos opções de jogos diferentes, então não tinha muita escolha, a gente tinha que cair de cara no jogo e tentar até conseguir. A pergunta é: esse modelo vai manter o jogador frustrado continuar tentando?

No meu caso sim, e foi muito prazeroso conseguir. Mas receio que a dificuldade pode afetar o fator replay do jogo e novos jogadores possam desistir dele fácil. Aí para isso tem o nível mais fácil que é justamente para os novos jogadores, só que jogando nesse nível acaba ficando fácil demais, prejudicando o desafio. Então não ache que por ser um jogo teoricamente pequeno que você irá conseguir terminá-lo rápido, é preciso muita dedicação, boa memória e muita habilidade nos dedos. E fique tranquilo, se persistir suas habilidades aumentam naturalmente e o que era muito difícil no começo, depois se torna mais tolerável.

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Dica: comece o jogo no nível casual , e se você morrer, não se afobe, naturalmente irá conhecer a fase melhor e irá superá-la.

Conclusão: Mega Man 11 é um jogo muito divertido, mexe com as emoções, da alegria a raiva, da conquista a derrota, traz de forma fenomenal de volta uma série que amamos muito. Mistura muito bem e com maestria as edições clássicas com elementos modernos que exigem muita habilidade e ao mesmo tempo estimulam o raciocínio. Pecou um pouco ao passar do ponto na dificuldade, porém te recompensa muito quando a vitória é atingida. Agradará com certeza muito os fãs da série clássica e deixará uma incógnita para os novos jogadores: suportarão eles a pressão das famosas 3 vidas e morreu? A Capcom brilhou e esperamos mais sequências de jogos do herói.

notas

Publicado
Saudosista apaixonado por quase tudo que é antigo: games, música, costumes, ele mesmo e o único titulo brasileiro do time de coração Atlético-MG. Fã de RPG e jogos de luta, jura que fazia fila no fliperama na década de 90.

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