Análise: Castlevania Requiem, é a vida te dando mais uma chance de jogar um dos maiores jogos da história

Roberto Filho

30 de outubro de 2018

Depois de muitos anos clamando, o fãs de Castlevania foram atendidos. Finalmente a Sony disponibilizou um port de dois títulos da série para o console PS4, intitulado Castlevania Requiem. É muito importante deixar claro aqui que essa análise não é de Castlevania: Symphony of the Nigth e Castlevania: Rondo of Blood, que são os dois jogos no bundle lançado. A análise é do port, que trás novidades, mas não pode ser considerado uma nova versão por não alterar a história ou gameplay. Contudo, o mesmo apresenta melhorias que veremos a seguir. Os dois títulos inclusos dispensam análise. Eu particularmente tenho o Simphony of the Nigth como um dos melhores jogos não só de estilo, mas de todos os tempos dos videogames. Portanto, provavelmente você já jogou algum desses jogos e sabe do que estou falando.

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O review é válido por alguns fatores: há no mínimo 5 anos acompanho as comunidades de fãs do jogo, onde havia muita especulação e pouca ação no que diz respeito do lançamento para o PS4. Inclusive, em um determinado momento, a Sony confirmou que não fazia parte dos planos dela esse lançamento. Outra razão é que desde que começaram os rumores, muitos fãs ficaram realmente animados com a notícia. E de onde vinha essa animação, tendo em vista que se você é fã provavelmente já jogou muito no primeiro Playstation e também na versão do PS Vita? É que quando falamos de Playstation 4, sempre morou dentro de nós a esperança de um carinho, cuidado com esse port e que pudéssemos ter alguma surpresa, como uma melhoria de gráfico, renderização, som, etc.. Afinal, é um jogo de 1,2 gb, relativamente pequeno e relativamente fácil de estruturar. E para abrir a análise já dizemos, faltou a cereja do bolo.

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Vamos começar pelo primeiro problema. O jogo foi programado para telas pequenas da época em que os jogos foram lançados. Portanto, o nível de interpolação e sombreamento cabiam no jogo. Alucard, por exemplo, apesar de não ter um rosto definido e nem cabelos esvoaçantes e perfeitos, nosso cérebro era condicionado a interpretar uma expressão facial, devido ao tamanho e a até certo ponto, a ausência explícita dos pixels. O fato é que agora o Alucard está gigante, e parece um boneco de Atari 2600. É possível amenizar bem essa situação no menu de opções que aparece antes de escolher o título que irá jogar, acionando o “smoothing”. Outra opção legal é o próprio tamanho da tela. Se você se incomodar com o Alucard boneco de Olinda, diminua a tela e ponha do seu jeito. Ok, se acalmem, isso era óbvio, mas o cuidado que mencionei acima é justamente isso. Não caberia um simples trabalho de sombreamento, uma espécie de maquiagem?

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Tela onde podem ser feitos os ajustes de display

Pegando um gancho para o som, a impressão é que está mais limpo também, mas erraram feio, erraram rude no balanceamento da altura do som da música com o som BGM (golpes, pulos, gritos, barulhos em geral), a música está muito baixa. Quando fui testar o jogo liguei todas as minhas caixas de som, pus a TV no máximo numa alegria de finalmente escutar a música “Dracula’s Castle” que é uma das melhores músicas de ação que já ouvi, e a música não fica evidente com a altura do som BGM, e o jogo não te dá a opção de regular. Já quanto as dublagens elas foram todas refeitas, o que é um ponto bem positivo, os diálogos estão mais “cleans“, mas eu particularmente preferia a voz antiga do Alucard.

Outro detalhe que achei no mínimo questionável é a tela de carregamento do jogo. Quando vi a primeira vez achei legal manterem, porque chega a ser divertido brincar com as letrinhas na tela (até nisso o jogo é perfeito, no caso do SOTN), mas não elas duram uns 3 segundos. Estão lá, não dá pra brincar e o jogo carrega mesmo. Uma máquina como o PS4 carregar um jogo desse tamanho? Inadmissível.

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Tirando esses detalhes que oscilam entre positivos e negativos, vamos as novidades. Além da redublagem muito boa já citada, temos mais novidades, básicas, mas de grande impacto. A melhor delas sem dúvida é o sistema de troféus. Definitivamente, sem pestanejar isto já me convenceu de comprar o jogo. Ralei muito para ter os 200% nesse jogo sem premiação nenhuma, agora vou me esbaldar de troféus, e os nomes dos troféus são bem engraçados e cheio de referências. Nota 10. Além disso temos a vibração no controle, que não existia e a utilização do som do DualShock para algumas conversas no jogo. Isso é legal, mas seria mais legal se fosse um som independente, como em Sombras de Mordor por exemplo. Entretanto, na verdade no jogo só repete o que já sai no áudio normal da TV. Vale mencionar também que o joga suporta 4k e roda em 60 frames por segundo, o que necessita de uma sensibilidade grande para ser observado, já que os gráficos não foram trabalhados.

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Conclusão

Castlevania Requiem definitivamente chega para dar a oportunidade da nova geração de conhecer esse clássico, fazendo um port honesto para o PS4, mas com um gostinho de que faltou aquela pitada de tempero para tirar nota máxima. Principalmente na falta de carinho com uma renderização nova ou um interpolação para atenuar os efeitos dos novos modelos de TV. Mas em compensação, trás um sistema de troféus e te dá opções suficientes para customizar sua tela e curtir sua aventura. Convenhamos, é Castlevania, então faça o favor de ir jogar e ver o que é um jogo de ação/RPG de verdade e volte para conversar. Detalhe, está disponível na Playstation Store pela bagatela de R$61,00. Vale cada centavo.

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