Análise: GRIP: Combat Racing chega com potencial mas peca em detalhes cruciais

Roberto Filho

6 de novembro de 2018

O estilo Combat Racing, ou corridas de combate, sempre inspiram grandes jogos e muita diversão, principalmente multiplayer. Ao longo dos anos tivemos grandes títulos nesse estilo, desde clássicos como Rock’n Roll Racing da gigante Blizzard e Mario Kart que dispensa apresentações. Esse jogos serviram de inspiração para vários outros jogos que envolvam corridas e destruições, entre eles Wipeout e  Rollcage, ambos publicados pela Psygnosis.

Por que abrimos o review mencionando esses jogos? Porque parece que de algum forma todos estão interligados. Wipeout que teve seu fãs (eu joguei muito no Sega Saturn) era um jogo de corrida em combate futurista que precisava de muito esforço para gostar lá por volta de 1995. A produtura  Psygnosis 4 anos mais tarde tirou as naves voadoras de Wipeout e as colocou no chão, mantendo um ambiente futurista e lançando o bom Rollcage em 1999. Quando joguei a primeira vez o GRIP ficou impossível não comparar, parece o mesmo jogo, com mais customizações , gráficos melhorados e lógico que com a capacidade dos consoles atuais, uma sensação de velocidade absurdamente maior. Mas isso é bom ou ruim? Descobriremos a seguir.

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O que o jogo oferece?

Você controla um carro de corrida que também está pronto para batalhas. O game oferece 4 modos de disputa além da campanha: Classic Race (corrida tradicional), Ultimate Race (onde danos valem pontos), Elimination Race e Time Trial. Sendo que os três últimos parecem muito superficiais, com exceção do “Elimination Race” que é divertido, – onde quem fica por 30 segundos na última posição sai da corrida – os demais não tem muito a acrescentar e prender a frente da TV.

O que salva é o modo Classic Race, que também além de todas as manobras, batalhas, explosões, vem a disputa pelo primeiro lugar. Você encontra os famosos power-ups nas fazes e em uma mecânica boa, é bem fácil usá-los (você tem espaço para dois). O que chega a impressionar é a falta de criatividade dos power-ups, são muito poucos e praticamente os mesmos de Rollcage. Será quem em 15 anos ninguém conseguiu criar mais nada de diferente?

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Ainda temos mais modos de disputa singleplayer ou multiplayer. Um deles é o Arena, que possui ainda uma subcategoria Deathmach. É uma disputa frenética em campo aberto.

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É um jogo muito acelerado, em alguns momentos você perde completamente a noção do que está acontecendo na tela, seja pela cenário confuso, ou por uma dificuldade em controlar o carro em altíssima velocidade.

Falando em cenário, as pistas são em um aspecto apocalíptico , confusas e com poucas sinalizações, o jogo te induz desde a primeira volta parecendo te dizer “use a pista inteira, o teto, a parede, desfrute do cenário”. E caindo nessa, do nada surge uma rocha, totalmente inesperada e imprevisível, feita somente para fazer o jogador não gostar do game e desistir da corrida. Mas espera, não desista ainda, tem mais, pois confesso que ainda não entendi a Inteligência Artificial que mencionarei analisando a dificuldade do jogo.

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E o desafio?

Tem algo estranho com a inteligência artificial do jogo, por diversas vezes topei com uma rocha, capotei, fui destruído por um míssil (que é bem legal), ou mesmo decolei para fora da pista em uma manobra mal feita. Em todas as ocasiões caí para última posição e demorei a retomar o rumo da corrida, não entendi porque em todas as vezes bastaram alguns segundos para alcançar os adversários novamente e já estar disputando a liderança de maneira rápida e fácil. Para um teste derradeiro, corri boa parte de uma volta inteira na direção contrária e ninguém me adiantou volta, e quando retornei para a direção correta, bastou uma acelerada e de novo já figurava na disputa das primeiras posições.

No modo multiplayer podemos correr de forma bem simples com até 3 amigos, somando 4 carros no total. Aí o desafio melhora, pois já entra a habilidade humana e o desafio parece mais sensato. Digo sensato porque não é fácil ficar em primeiro jogando sozinho, é um jogo difícil, mas todos os carros parecem estar sempre juntos para que a batalha fique em evidência. Então vai da interpretação de cada um se isso é bom ou ruim.

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Corra do seu jeito!

O grande ponto positivo do game é a customização. Ela é completa, você customiza seu carro detalhadamente e, a medida que evolui no game, mais acessórios se tornam disponíveis. Outra ótima maneira de customização são as próprias corridas. Você pode alterar número de voltas por exemplo, em outros jogos de corrida, somente nas corridas de demonstração, “freestyles”, etc. No caso de GRIP não, podemos customizar inclusive no modo campanha, reduzindo inclusive o número de voltas das pistas maiores ou que não gostamos muito. E não para por aí, podemos alterar a quantidade de dano sofrido, número de carros na pista, capacidade de absorver o dano das armas e até se o carro pode explodir ou não.

Dica: Fica mais divertido com todo dano possível no máximo.

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Conclusão

GRIP: Combat Racing não é um jogo para todos. É impressionante a quantidade de modos de disputa, são várias opções extremamente customizáveis, podendo jogar sozinho ou com amigos e ainda criar os próprios torneios. Mas a verdade é que o problema está no gameplay (no jogo jogado), é difícil sentir vontade de jogar mais de uma partida seguida.

Ele traz de volta um estilo que já agradou a muitos, mas poderia ter explorado mais a capacidade dos novos consoles, com gráficos melhores e visual mais bonito. Não define se é um jogo de corrida com combate ou se é um jogo de combate simples de carro –  a disputa da linha de chegada não parece estar em primeiro plano. É um jogo que te manterá pouco a frente da TV mas tem sua dose de adrenalina, então caso seja um fã do estilo vale a tentativa, caso não, melhor não se aventurar. Testamos a versão do Playstation 4, mas o jogo está disponível também para Xbox One, Nintendo Switch e PC.

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