Análise: Starlink: Battle for Atlas cumpre bem sua proposta, trazendo uma aventura relaxante e deliciosa

Sabe aquela segunda-feira de folga/sem aula, com aquela sessão da tarde de um filminho gostoso em um dia chuvoso? Pois bem, não é um blockbuster num cinema Imax, mas é muito bom e faz bem. É isso que veremos a seguir no review de Starlink: Battle for Atlas.

O estilo Toys-to-life parecia já estar saturado no mercado para muitos. São jogos onde além do gameplay temos a oportunidade de colecionar e interagir brinquedos com jogos. O de maior sucesso foi Skylanders, e deu origem a outros grandes games de sucesso como Disney Infinity e os Amiibos que são exclusivos da Nintendo. Porém, há muito não se fala mais desse estilo. Hoje em dia praticamente o que resta são as coleções dos brinquedos, mas jogo que é bom, nada. Então porque a Ubisoft apostaria nesse mercado com uma história totalmente nova? A resposta já é o primeiro ponto positivo do jogo: ele não depende dos brinquedos para ser jogado. Ou seja, colecionar as naves e personagens passou a ser totalmente opcional, diferente dos outros citados acima, que pareciam focar no brinquedo e se “esqueciam” do gameplay. Inclusive para o nosso review não foram usados os acessórios, pois não estão disponíveis para venda no Brasil de forma oficial, o que é uma pena.

A Riqueza de Starlink

Ao jogar Starlink, sentimos um carinho muito grande da Ubisoft em agradar todos os públicos. É um jogo para variar um pouco, mudar de ares, sair de um personagem centralizado e poder optar por muitos, controlar uma nave em dois ambientes (o de voo em hiperespaço e flutuando à superfície), explorando como qualquer outro jogo de exploração em terceira pessoa. Tem momentos de batalhas épicas contra chefes gigantes (o que lembra muito Horizon: Zero Down em alguns momentos), e tem também puzzles, momentos mais calmos, tudo em uma animação alegre e colorida, balanceada, com um tom de combate leve sem violência explícita. Fiquei encantado com essa leveza do jogo, dá vontade de chamar o filho, o pai, a família toda para desfrutar dessa inocência, que ao que tudo indica é melhor para os mais jovens, mas também irá agradar o jogador Hardcore para os momentos de relaxamento. Não à toa, o jogo recebeu indicação para o prêmio de Jogo Família no Game Awards deste ano.

Agora o jogo

A história que embala o gameplay pode ser dita como simples demais para alguns. Você faz parte da equipe de exploração espacial iniciativa Starlink, que descobre uma nova tecnologia com seu cientista, a fonte de poder Nova. Esta é capaz de transportar objetos a longas distâncias, dando a oportunidade de explorar e conhecer novos mundos, o que a torna muito valiosa. Aí que entra o vilão Grax, que invade sua base, a Equinox, e sequestra seu chefe e capitão. Temos aí a origem da aventura, você escolhe entre 5 pilotos e parte em busca de pistas que te levarão ao resgate. Algo que qualquer comandado faria pelo seu chefe (espero que o meu leia isso, inclusive). Além dos pilotos com características bem diferentes e poderes especiais específicos (meu gameplay foi com a Razor), você pode escolher também entre 6 naves, elas também com vantagens e desvantagens que te darão a oportunidade de jogar exatamente como seu estilo é. Mais um ponto positivo do game.

O jogo possui elementos de RPG, como evoluções da nave e do personagem. Além disso, há uma gama alta de armas que você pode e DEVE trocar durante todo tempo no jogo. Elas podem ser encontradas explorando os planetas ou completando missões de melhoria, que te deixarão mais rápido, forte, veloz, tudo para facilitar sua vida durante a jornada. Por falar em dificuldade, o jogo te dá 4 opções de níveis. Contudo, a verdade é que não é difícil jogar, talvez até pela ideia do público alvo. O tutorial chega a ser longo, visto que o jogo explica detalhadamente cada estrutura. Nada mais justo, considerando a quantidade de opções disponíveis. Para os jogadores mais técnicos há uma espécie de “parry”, onde se você usar o escudo no exato momento de receber o tiro inimigo ele reflete contra o atirador, bem interessante.

Temos uma mecânica bem legal, bem variada, em que precisamos escolher bem as armas durante as batalhas, pois há um sistema de resistência e fraquezas em cada inimigo. A movimentação é excelente, os comandos respondem muito bem em “terra” ou no hiperespaço, o mapa é grande, criativo, rico e permite uma exploração tanto fazendo as missões principais, quanto as secundárias, que são muitas. Veja algumas das opções que você encontra durante o gameplay: Detonar gangues de foras da lei; destruir bases de extração; resolver puzzles de torres de energia, coletar itens de mineração; ajudar mineradores, realizar scans de novas raças de cada planeta; fugir de asteroides no espaço e cair em armadilhas de piratas; tudo isso além das missões da história principal e secundárias, ou seja, o jogo te prende em frente à TV e não te deixa sem opções.

Faltou algo?

Sim. Mas acho que não interfere muito no julgamento do jogo. O ponto negativo é que quando se joga muito tempo seguido as missões se tornam repetitivas. O que era opcional, como citado acima, de repente é uma missão principal, e você já está meio enjoado de fazer, perdendo o fator surpresa. Mas isso levando em consideração que você é um jogador hardcore que gosta de jogar durante horas o mesmo jogo. Faltou também, na minha opinião, uma mídia e promoção maior do jogo. A Ubisoft apresentou como uma opção, mas gostaria de vê-lo como uma referência e um super lançamento, que as atenções fossem bem mais voltadas a ele. Acredito que isso influenciou no “barulho” que o lançamento teve. É um jogo muito bom e muito bem feito, e a prova de que não foi dada devida mídia é a venda restrita dos brinquedos (acessórios, naves, bonecos) aos mercados dos EUA , Europa e Japão somente. Parece que não botaram fé até pela própria desconfiança do mercado para o estilo toys-to-life.

Conclusão

Altamente recomendado! Mesmo com o problema citado acima da repetição das missões, recomendo porque não acredito que será seu jogo principal, aquele que você chega da aula ou do trabalho e já quer jogar como um louco. Starlink: Battle for Atlas é o jogo que estará do seu lado para quando cansar de muitos tiros e violência, de missões impossíveis, desgastes, etc. Lembra da sessão da tarde que eu te disse? Pois bem, é isso, não é a Tela-quente, mas passa todo dia, e dá pra conviver com ela durante anos, se divertindo e relaxando, saindo do mundo real e explorando a fantasia e leveza de uma ficção científica feita com muito carinho para todas as idades e principalmente: para toda família!

notas

 

Publicado
Saudosista apaixonado por quase tudo que é antigo: games, música, costumes, ele mesmo e o único titulo brasileiro do time de coração Atlético-MG. Fã de RPG e jogos de luta, jura que fazia fila no fliperama na década de 90.

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