Opinião: Porque The Witcher 3 já é o jogo desta geração

Esse é um artigo de opinião e não reflete necessariamente a posição de toda a Redação.

As empresas que esperaram o pleno domínio das plataformas desta geração fizeram uma escolha clara: Tiveram em mãos a capacidade de fazerem jogos impecáveis, mas perderam o espaço de fazer história. Caso parecido foi o mais recente lançamento da Rockstar Red Dead Redemption 2. Mas o que é um jogo primoroso por si só se não só mais um jogo primoroso? RDR2 sem dúvida é uma dádiva dessa geração, uma em meio a muitas outras que marcaram esses tempos recentes, mas “só” isso. Em minha opinião, para um game ser considerado o Jogo da Geração ele tem que ser e transformar muito além da sua própria experiência particular. Fazendo uma análise dos grandes lançamentos dos últimos anos (e não foram poucos) o nome mais claro para ocupar este lugar ao sol é The Witcher 3. Sem mais delongas, segue abaixo as razões para minha escolha:

1 – Uma bela porta de entrada à geração atual

Das 9 milhões de cópias que The Witcher 3 vendeu em 2015, ano de lançamento, 68% foi de consoles de mesa. Ou seja, mais de 6 milhões de cópias! De 2015 para 2016, os números de consoles vendidos foram de um pouco mais de 4 milhões (entre Xbox e PS4). Levando em consideração a baixa média de vendas que a geração mostrou ao longo dos anos seguintes – ao redor de pouco mais de apenas 1 milhão de unidades por ano, e que a maioria dos títulos mais vendidos de 2015 eram de franquias já estabelecidas, The Witcher 3 se mostrou um dos vendedores de consoles da geração.

2 – Escopo

The Witcher 3 foi ousado. Enquanto poucas empresas tinham se aventurado no desenvolvimento de projetos ambiciosos nas novas plataformas, a CDPR lançou seu RPG com um escopo enorme, talvez nunca antes visto. Mais de 120 horas de conteúdo de qualidade para todos os lados. Um enorme mundo aberto onde nenhuma áreas foi subutilizada, trabalho de dublagem fenomenal e o mais importante de tudo, um roteiro que nenhum outro jogo conseguiu sequer chegar perto. Ao contrário da maioria dos games de mundo aberto, The Witcher 3 não apenas inseriu conteúdo sem uma razão consistente para eles existirem, apenas com intuito de cobrir o espaço que o jogador percorre. Cada canto do continente do game tem um propósito para estar lá, contando com itens importantes, side quests envolventes, pedaços e fragmentos que agregam no entendimento do mundo em que estamos inseridos e batalhas divertidas.

3 – Side Quests

As aventuras de Geralt nessa geração mudaram a perspectiva sobre as side-quests nos jogos de RPG. Cada missão, cada caçada a um monstro ou cada simples ajuda a um NPC é uma história completa por si só. Existe uma linha narrativa de início, meio e fim, com personagens desenvolvidos com suas próprias histórias e anseios. Essas linhas se desenrolam para lados diferentes de acordo com as escolhas que fazemos e, além disso, se entrelaçam com a trama principal do jogo. Poucas são as aventuras laterais que não agregam muito para o mundo de The Witcher. O feito foi tamanho que muitos críticos ao redor do globo não aceitam mais side-quests mal escritas, com missões simples de serem executadas e pouca razão de fato para o personagem principal se engajar nelas. Jogos como Mass Effect Andromeda, Assassin’s Creed Odyssey e até Horizon Zero Dawn (um dos melhores de 2017) sofreram com essas exigências. The Witcher 3 se tornou um marco para as produtoras investirem mais no desenvolvimento das missões extras dos jogos de video game.

4 – Gwent

Gwent poderia ter sido apenas mais um minigame de cartas dentro de um grande jogo de RPG. Assim foi com muitos outros em diversas franquias, como Final Fantasy por exemplo. Mas não foi o caso aqui. A mecânica simples, porém com potencial para complexidade, abriu as portas para os visionários da CDPR que logo viram que aquele jogo de cartas, um excelente adendo ao The Witcher 3, poderia ser um game próprio, contando com um cenário gamer exclusivo. The Witcher 3 lançou GWENT, um jogo de cartas competitivo que chegou ao mercado para disputar com grandes nomes da área que é dominada pelo fenômeno Hearthstone. Além disso, a partir de Gwent, tivemos mais outro jogo baseado na série: Thronebreaker – The Witcher Tales. Thronebreaker é um single player de mundo aberto com narrativa e batalhas baseadas em partidas de Gwent. Dois jogos de sucesso derivados diretamente de um mini-game do jogo principal. Poucos tem esse poder.

5 – Expansões melhores que muitos jogos por aí

Por falar em jogos derivados do original, The Witcher 3 conta com duas expansões incríveis. Hearths of Stone e Blood and Wine somam, juntas, cerca de 50 horas de jogo, muito mais do que jogos inteiros que circulam por aí custando R$ 250,00. E não só pelas horas de jogos, as duas expansões contam com tramas bem escritas e extremamente bem desenvolvidas, sem deixar nada a desejar do jogo base. O conteúdo adicional traz novidades nas mecânicas, personagens novos e icônicos, além de novas localidades.

Leia nossa crítica de Thronebreaker clicando aqui

6 – Prêmios, mas é claro

Começou ainda em 2013 com premiações nas feiras de games pelo mundo. Cravou melhor jogo de RPG em desenvolvimento em várias E3, People’s Choice Awards, prêmios diversos de jogo mais aguardado pelos sete continentes e após lançamento em 2015, ganhou cerca de 250 prêmios de Jogo do Ano, recordista até então. Estima-se que em agosto de 2016, cerca de 1 ano e meio depois do lançamento, The Witcher 3 tinha mais de 800 prêmios por todo o globo, sem contar os veículos menores e de menos destaque.

Leia: The Witcher 3 continua ganhando muitos prêmios 19 meses após seu lançamento

No meio de tantos prêmios, podemos destacar a maioria das premiações de peso: Golden Joystick Awards, The Game Awards, D.I.C.E. Awards, Game Developers Choice Awards, IGN, GameSpot, Game Informer etc. Tudo isso deu a CDPR, sua desenvolvedora, diversos prêmios de desenvolvedora do ano e a colocou no pódio da história dos videogames como a atual melhor empresa de games entre a crítica especializada e os gamers.

7 – Vendas, vendas, vendas

Por causa disso tudo. The Witcher 3 continua vendendo muito, mas muito. Em 2017, sem nenhum conteúdo novo desde 2016, o jogo marcou presença no grupo Platinum (os 12 mais vendidos). Em 2016 também não foi diferente. Em 2018, ainda não temos os números, mas tudo indica que se manterá onde está.

8 – Influência fora das telinhas

The Witcher 3 foi base para a criação do jogo de tabuleiro The Witcher Adventure Game, com pouco destaque no Brasil, infelizmente. Além disso a Netflix, gigante do Streaming, está produzindo uma série ambiciosa baseada nos livros que deram origem à franquia The Witcher, mas que traz consigo total influência visual e estilística do terceiro jogo da série.

The Witcher 3 trouxe gente para a geração; ousou quando poucos tentaram tanto risco; virou referência para a maneira de contar histórias nos videogames; influenciou diretamente a criação de outros jogos, incluindo um jogo competitivo de destaque (GWENT); trouxe expansões maiores, melhores e mais ambiciosas que muito jogo do mercado, a um preço extremamente atrativo e, claro, ganhou perto de 1000 prêmios ao redor do mundo; não há como negar a influência deste game para esta geração e os novos jogos provavelmente não terão tempo de tirar essa diferença. Se eu fosse fazer uma escolha, The Witcher 3 será o jogo dessa geração.

Publicado
Ricardo Carvalho é escritor, político e filósofo de sofá, cineasta frustrado e ativista pela aceitação mundial de que videogame é arte. facebook.com/oficialricardoc, twitter.com/oficialricardoc, instagram.com/oficialricardoc

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