Análise: Battlefield V mantém padrão da série mas ainda não retorna a glória alcançada no passado

Existem duas verdades quando se fala de Battlefield: Uma é que a série compete há muitos anos com Call of Duty na briga pelo melhor jogo de tiro e guerra. Call of Duty reinou por muito tempo até a série Battlefield surgir com inúmeros jogadores em batalha, até 64 dependendo do modo de jogo, gráficos realistas e mecânicas de batalhas mais puxadas para o realismo – bem diferente das mecânicas aplicadas à Call of Duty que puxam bem mais para um FPS arcade. Outra verdade é que existem no mercado dezenas de jogos de guerra. Mas nenhum, nenhum mesmo, consegue te proporcionar a experiência mais próxima da realidade da época, desde os armamentos antigos, som das armas, veículos usados, mapas perfeitamente ambientados e por ai vai. A forma como a série Battlefield te imerge no tema da guerra de seus jogos é única, deixando de lado o arcade empregado pela Activision em Call of Duty, focando na melhor forma de transplantar as experiências de guerra para seu vídeo game/computador.

Foi possível surpreender em BF V? A pergunta é pertinente, pois o tema Segunda Guerra Mundial já foi amplamente explorado pelos jogos eletrônicos ao longo de décadas. Vamos então analisar os aspectos do mais novo jogo à abordar este grande conflito de nossa história!

MECÂNICA DE JOGO & GAMEPLAY (MULTIPLAYER E MODO HISTÓRIA)

Aqui é preciso separar BF V em dois jogos: single player e multiplayer.

O modo campanha, single player, peca ao mudar completamente o que os fãs da série esperam de um jogo da franquia. Fica nítido aqui um grande foco em você concluir missões em “modo stealth”, evitando conflitos, fazendo mortes silenciosas e táticas furtivas. Poxa, Battlefield sempre foi um jogo de enfrentamento clássico de campos de batalha! Inclusive, Battlefield é traduzido livremente para a nossa língua como campo de batalha! Por que, Dice, deixar a experiência single player tão distante da multiplayer? Não faz sentido. Parecem haver inspirações vindas de diferentes jogos de tiro em primeira pessoa atuais, fugindo da característica tão consagrada da série de grandes enfrentamentos, tiro para todos os lados, resistências frentes à enormes pelotões inimigos etc. O modo campanha, por mais que tenha uma história até legal em seu plano de fundo, me pareceu preguiçosa e implementada de qualquer jeito apenas para dizer que Battlefield V possuí um modo offline. O capricho passou longe aqui.

Multiplayer, a galinha dos ovos de ouro da série. Creio que assim como eu, grande parte de quem compra jogos da série BF, busca uma experiência única multiplayer de jogos de tiro em primeira pessoa. Nenhum outro jogo de grande nome na industria consegue entregar um gameplay próximo ao que BF consegue. Sua enorme maioria foca em um combate completamente artificial e arcade, passando longe da proposta que a Dice implementa aqui. É no multiplayer que você consegue entrar em conflitos da segunda guerra, pois o jogo suporta mapas gigantescos, bem elaborados, com até 64 jogadores simultâneos, diversos veículos, cenário destrutível, prédios que desabam a toda hora, snipers escondidos (estamos de olho em vocês, campers) e bala para tudo que é lado.

Já prometido pela EA, BF V irá receber atualizações com conteúdos adicionais gratuitos para o modo multiplayer, como modos coops, novos mapas e até mesmo conteúdo extra para o modo campanha, mostrando um lado diferente da guerra, o lado alemão. E claro, o modo mais esperado, também virá em forma de futura atualização: Firestorm, o Battle Royale de Battlefield V.

Pelo que tem-se até agora, Battlefield ainda é um dos melhores multiplayers de jogos de tiro da atualidade. Dinâmico, com armas mais realistas, sem aqueles tiros 100% retos e precisos independente da distância e com mapas excelentes e interativos, que desabam a cada bomba explodida. Mas, não pense que existe algo muito diferente ou revolucionário em relação a BFs anteriores. O que você já conhece dos antigos BFs está aqui, nada mais. Não há nenhuma inovação impactante aqui. Inovação prevista mesmo, só o Battle Royale.

GRÁFICOS

Como sempre BF surpreende com seus gráficos, desde a renderizações de personagens e veículos até a construção complexa de seus mapas, sempre interativos e destrutivos.

Nesta versão é possível sim notar avanços frente ao BF 1, que já era muito bom neste quesito. Mas o que transforma o gráfico deste jogo em impressionante é jogar com o Ray Tracing ativado, tecnologia que atualmente só é alcançada pelas placas mais atuais da nVidia, as RTX.

BF V é um excelente jogo para nos mostrar o que está por vir junto com esta nova tecnologia em futuros jogos. Será possível explorar novas áreas em mapas com a ajuda do Ray Tracing.

Quanto a gráficos não tem conversa, Battlefield continua sendo superior à qualquer FPS da atualidade.

CONCLUSÃO / TL;DR

Battlefield se mantém como o melhor jogo do gênero, seja em modo singles player mas, principalmente, em seus modos multiplayer. Essa soberania vem há anos e pelo que parece irá se manter pelos próximos, visto que é até difícil para a série uma repaginada ampla na forma como ela trata o seu multiplayer.

Os gráficos surpreendem e fazem babar aqueles sortudos que possuem uma placa de ponta da linha RTX da nVidia. Jogar com o Ray Tracing ligado é espetacular.

O que fica parecendo em BF V foi que a Dice e EA resolveram lançar o jogo as pressas ao invés de lança-lo mais completo. Faltam histórias do modo single player, faltam modos e jogo e, principalmente, o modo Battle Royale. Poderia ter sido adiado o lançamento para que o mesmo tivesse sido completo, sem ter que aguardar para partes cruciais do jogo. Pelo menos elas virão de forma gratuita.

Fica a expectativa para que os futuros conteúdos adicionais de BF V tornem o jogo melhor do que já é e preencham lacunas que ele possui atualmente. É um jogo com potencial, mas com gaps importantes demais para serem deixados de lado.

notas

Publicado
Formado em Administração e em GunZ: The Duel. Nogueira une estas duas formações para administrar de forma única suas skills em jogos de tiro, adquiridas em anos jogados fora jogando The Duel. Além da supremacia em jogos de tiro, Nogueira é fã de jogos com história bem trabalhada e tem no sangue as habilidades de Dominic Toretto para jogos de corrida.

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