Análise: GRIS é mais uma obra de arte dos jogos indies

A primeira vez que vi o trailer de GRIS eu imediatamente me apaixonei pela arte e a proposta do jogo que mostrava algo visualmente lindo e conceitual onde eu iria aproveitar uma jornada.

Com o jogo em mãos tive o prazer de devorá-lo em cerca de 4 horas e sair extremamente satisfeito tendo um sentimento muito parecido com que tive ao jogar Journey (de PS3). De certa forma posso até dizer que GRIS é um Journey 2D, com sua própria mecânica. Uma curiosidade, é que ele foi desenvolvido pelo novíssimo estúdio espanhol Nomada  que é composto por ex integrantes da Square Enix e da Ubisoft.

A história em GRIS é muito interpretativa e sendo sincero, essa é a intenção. Você controla uma menina/mulher que acorda em um mundo triste e sem cores. Ao chegar em algumas estátuas específicas, que tem uma mão estendida, ela aparenta lembrar de algo doloroso e ai uma cor é recuperada. Com o passar do jogo o mundo vai ganhando cores e vai ficando cada vez mais lindo! Minha interpretação da história, é que essa personagem estava superando traumas do passado e com isso seu mundo voltou a ter cores. Se estou certo ou errado, acho que nunca saberei.

Além da parte artística, vale destacar que sim, o jogo tem uma certa interação com as criaturas desse mundo e é muito bem feito. Diferentemente de Journey onde outros personagens eram pessoas que os controlavam, em GRIS existem NPC’s que irão reagir as suas ações. O grande destaque vai para um amigo que você faz relativamente no início onde após pegar algumas maçãs para saciar sua fome, ele vira seu amigo e te segue por um bom tempo além de interagir com o mundo e ajudar na solução de puzzles. Existem outras interações mais simples como ter um caminho iluminado, por exemplo. O importante a dizer é que eu sempre vi esse mundo vivo e as reações eram muito bem feitas!

E para finalizar esta análise, tenho que falar da parte de desafios de plataforma. Inicialmente eu achei o jogo bem fácil e essa seria uma crítica minha a ele, porém, com o passar do jogo eu vi que o desafio aumentou muito e em diversas vezes fiquei batendo cabeça por muitos minutos até conseguir evoluir. Para ter ideia, ter puzzle de cabeça pra baixo, de plataforma que desaparece, que troca de forma, de tempo, de quebrar o chão, de voar, de nadar e de fazer tudo ao mesmo tempo (esses são os mais insanos). Vale pontuar que novos poderes e habilidades serão ganhos ao longo da jogatina para solucionar esses puzzles. Além disso, o jogo te apresenta um chefão que aparecerá em diversos momentos e em diversas formas e irá apresentar desafios de perseguição, plataforma, entre outros.

E para colocar a cereja no bolo, todos esses desafios que mencionei tem uma veia artística muito forte e linda e será um real deleite visual. Além do excelente visual, também pontuo a trilha sonora que é um tanto melancólica e que preenche muito bem sua jornada, assim como os momentos de descoberta e de tensão.

Conclusão

GRIS é um excelente jogo que honestamente não tenho nenhuma crítica construtiva a ele. Ele acerta em tudo que se propõe a fazer e eu não mudaria nenhuma vírgula. Sua arte é fenomenal, o mundo é lindo e o desafio aumenta exponencialmente com sua evolução. Quem gosta de jogos artísticos, belas jornadas e desafios de plataforma, encontrará em GRIS uma excelente desculpa para passar horas se divertindo.

Vale pontuar que o estúdio estreante Nomada começou muito bem com seu primeiro jogo e caso tivesse sido lançado no mês passado, certamente estaria disputando categorias no The Game Awards como melhor indie, melhor arte e melhor novo estúdio. Fica aqui minha previsão para 2019.

notas

Publicado
Mestre supremo do Ultima Ficha, não manda nem em seus próprios posts. Embora digam que é geração PS2, é gamer desde o Atari e até hoje chora pedindo um Sonic clássico e decente. Descobriu em FF7 sua paixão por RPG que dura até hoje. Eventualmente é administrador e marketeiro quando o chefe puxa sua orelha com os prazos.

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