Análise: Just Cause 4 diverte e cansa de forma igual

A Square fez um grande marketing em cima de Just Cause 4, mostrando a nova mecânica de tempo e como seria enfrentar os tornados. Ao jogá-lo me decepcionei porque esperava encontrar um tornado a cada esquina e não é isso o que acontece. Além disso, quem estiver vindo de Just Cause 3, irá encontrar semelhanças demais.

Confira abaixo nossas impressões sobre Just Cause 4:

Mais uma ilha e mais um ditador para Rico derrubar

Em Just Cause 3 Rico derrubou um ditador que controlava a ilha tropical de Medici. Agora, em Just Cause 4, Rico irá derrubar um ditador que controla a ilha tropical de Solis (bem original, não?!).

E como ele fará isso tudo? Sendo um assassino incansável matando milhares de pessoas e destruindo tudo que passa pela frente. Munido de seu gancho, paraquedas e seu wingsuit, Rico irá destruir todas as instalações com fantásticas explosões, enfrentar todo o exército da mão negra (o mesmo grupo que já estava presente em Just Cause 3) e liderará a resistência.

A história é bem simples, como já devem suspeitar. Rico irá formar uma parceria com Mira, seu contato principal no jogo, e iniciará a resistência para liberar Solis. O jogo apresenta sim outros personagens, mas são poucos os momentos com interações. Acabei achando o desenvolvimento dessas relações muito fraco.

Sendo muito sincero, eu coloco Just Cause no mesmo patamar de filmes como Os Mercenários, em que a história pouco importa e o importante é ter muita explosão. Nesse ponto, Just Cause 4 funciona tão bem quanto Just Cause 3 e é um excelente “Tela Quente”.

O mundo de Solis e os poucos tornados

Como falei acima, o grande marketing de Just Cause 4 foi em cima da nova engine da Avalanche Studios, em que iríamos vivenciar grandes tempestades e chegaríamos ao ápice com os tornados que cortariam Solis. A boa notícia é que é muito divertido quando isso acontece, porém, a má notícia é que não chega a mudar o jogo, já que esses eventos acontecem poucas vezes. Explico mais abaixo.

Antes de falar do clima de Solis, tenho que falar de seu mundo. Solis é dividido em regiões que possuem praias, cidades, selvas, montanhas, neves, deserto e mais. Com isso, cada região tem uma tempestade específica como de areia, de neve, de raio, temporais e até o tão aclamado tornado.

Dito isto, muitas vezes seremos brindados com lindas paisagens e temporais, que requerem atenção redobrada (já que podemos levar um raio na cabeça). Em compensação, teremos vantagens como vôos longos.

Bom, uma coisa que peguei pensando com mais ou menos 8 horas de jogo foi: “Ué, cadê os tornados?” E já deixe-me acalmá-lo, os tornados existem, mas eles demoram um bocado para aparecer.

Caso você opte por explorar o mundo, fatalmente um irá aparecer, pois existem algumas áreas específicas em que é possível encontrá-los. Porém, eu optei por seguir o modo história e isso irá te liberar as tempestades e tornados somente muitas horas depois (Cerca de 10 horas ou mais de jogatina). E novamente, friso que a mudança climática é bem legal, mas ela não é tão presente quanto achei que fosse ser. Após jogar horas e mais horas, você acaba tendo um sentimento de subutilização das melhorias nesta nova engine.

Novidades e tiro pra todo lado

Quem conhece a franquia Just Cause sabe que o gancho de Rico é o ponto principal do jogo. Combinando seu gancho com seu paraquedas portátil e sua wingsuit, Rico se torna o agente mais difícil de se pegar de todos os tempos.

A verdade é que o que era bom em Just Cause 3, continua bom em Just Cause 4. É extremamente prazeroso atravessar Solis com o combo wingsuit/paraquedas, roubar helicópteros e jatos para sair destruindo tudo, trocar tiros com dezenas de inimigos, se pendurar em um helicóptero ou navio e sequestrar ele… dentre outras muitas coisas que envolvem muita testosterona e grande poder de fogo.

Além disso tudo, o gancho de Rico dá um show a parte. Derrubar as estruturas usando eles é legal, “colar” dois helicópteros e fazer eles se baterem é super divertido, prender um soldado inimigo a qualquer coisa e depois fazer ele sair voando/explodindo é quase arte. E aqui vemos a maior evolução do jogo ao meu ver, a possibilidade de customizar seu gancho, que te proporciona um belo leque de possibilidades. É possível reservar três setups diferentes utilizando o gancho clássico, o gancho “a jato”e o voador. A medida que você vai completando diversas side missions pelo mapa, você ganhará pontos de experiência que darão a possibilidade desbloquear perks de cada tipo de gancho. São diversas as opções de customização para cada estilo. Infelizmente, durante as lutas – que geralmente são ultra frenéticas – não será possível ficar mudando de estilo a cada novo inimigo e você ficará focado no gancho clássico/o de sua preferência.

Além de poder customizar seu gancho extensivamente, Just Cause 4 apresenta inúmeras encomendas que podem ser feitas. Esses pedidos – que felizmente não tem que passar pelo buraco negro de Curitiba – chegam de forma expressa e variam entre uma arma específica, uma moto ou carro, um avião ou helicóptero e até diversos tipos de navio/barcos. Ou seja, é possível embarcar em uma missão armado até os dentes ou então no meio do tiroteio pedir um pequeno reforço como um tanque de guerra.

Falta de capricho

Antes de mais nada quero frisar que Just Cause 4 é sim um jogo divertido e de certa forma ele foi exatamente o que achei que ia ser, inclusive em suas falhas. No geral o sentimento que tive é que faltou um tempo de desenvolvimento e polimento no jogo.

O primeiro grande baque que tive foi no aspecto visual. OS NPC’s são simplesmente MUITO FEIOS e toscos. Com algumas poucas exceções, os personagem são modelados de forma preguiçosa, o que lembra jogos questionáveis da geração passada. Além disso, é claramente perceptível o problema no draw distance, ou seja, nas coisas que vão aparecendo quando você se aproxima ou se afasta de um certo ponto. O mais gritante aqui é o pop-up de árvores ao longo da aventura, que chega a ser chato. Outra coisa que acontece é que dependendo da sua altitude você simplesmente não verá itens que podem ser destruídos na base adversária.

Contudo, o que mais me deixou pasmo foi a chuva de helicópteros e o nascimento mágico dos barcos! Vou explicar. Existe um sistema de quick travel no jogo em que Rico é jogado de uma altura absurda e tem de controlar seu vôo até o chão. Toda as vezes em que fiz isso, pude perceber helicópteros surgindo do nada e caindo que nem um cocô se espatifando no chão. Outro momento mágico é quando estamos na águia dirigindo um barco/lancha e outras lanchas e barcos pipocam na sua frente saindo do fundo do mar como se não fosse absolutamente nada. Vai entender, né?!

E por falar em veículos que surgem de forma mágica, tenho que pontuar a dirigibilidade. Voar pelo cenário é tranquilo, mas o mesmo não pode ser dito com relação a andar na terra. A gama de carros, por exemplo, é gigante e a dirigibilidade é caótica na maioria deles. É praticamente impossível manter um carro esportivo em linha reta ou então um carro convencional. Em compensação, se pegar um carro blindado, fica relativamente fácil dirigi-lo. E o mesmo vale para os barcos, que parecem fazer drifts constantes.

E antes que venham falar: “Mas quem é que usa carros em Just Cause?” – o que é um bom argumento diga-se de passagem, o jogo te obriga em diversas missões a arrumar um carro e dirigi-lo. Além disso, para evoluir seus perks de gancho, é necessário fazer missões secundárias que exigem que o jogador dirija. Isso aumenta a dificuldade de uma forma impensada.

Por fim, tenho que falar da estrutura do jogo e das missões. Primeiro, tenho que falar sobre a repetitividade. Afunde carros com bombas, desative X pontos num tempo fixo, proteja uma área, escolte alguém e faça tudo de novo. Porém, o problema da repetição se agrava quando isso é levado para a história do jogo. De forma resumida, você tem que tirar o controle temporal do vilão e usar contra ele. Tendo isso em mente, o mapa está dividido em muitas dezenas de áreas e cada uma tem uma missão específica. Ao fazer essa missão, você ganha a possibilidade de liberar essa região. Mas imagina isso dezenas e mais dezenas e mais dezenas de vezes? Simplesmente é muito cansativo, sendo que demora muito para liberar missões padrões até chegar a uma missão mais elaborada com NPC’s da história principal e algum diálogo.

Conclusão

Sim, Just Cause 4 tem muitos problemas. Além dos bugs tradicionais de jogos de mundo aberto, aparecimentos mágicos de helicópteros e barcos, a estrutura é muito, mas muito repetitiva. Isso sem contar que a história é clichê e a grande novidade do jogo, infelizmente, aparece pouco. Mas isso quer dizer que o jogo é ruim?

A resposta é: depende. Posso dizer que Just Cause 4 é um jogo super divertido e que explodir tudo que encontramos pela frente é quase poético. Isso sem contar que é extremamente divertido e desafiador atravessar o mundo com sua wingsuit.

Se você quer um jogo descontraído com muita explosão, Just Cause é seu jogo. Entretanto, caso queira algo mais elaborado, polido e com uma história mais profunda, recomendo esperar uma baita promoção.

notas

Publicado
Mestre supremo do Ultima Ficha, não manda nem em seus próprios posts. Embora digam que é geração PS2, é gamer desde o Atari e até hoje chora pedindo um Sonic clássico e decente. Descobriu em FF7 sua paixão por RPG que dura até hoje. Eventualmente é administrador e marketeiro quando o chefe puxa sua orelha com os prazos.

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