Análise: Crackdown 3 diverte, mas esbarra em diversos problemas e limitações

Crackdown 3 foi originalmente anunciado na E3 de 2014 e ele seria o primeiro jogo a utilizar o tão falado poder da nuvem que a Microsoft anunciou um pouco antes do Xbox One e até hoje ele não havia sido utilizado. Após longos 5 anos de seu anuncio e alguns muitos atrasos de lançamento, temos em mãos o mais novo exclusivo da família Xbox.

Será que vale a pena ou não? Vamos ver isso abaixo.

História genérica com um Terry Crews apagado

Em termos de história, Crackdown 3 deixa muito a desejar. A história (completamente dublada) se passa na ilha/cidade de Nova Providência onde a empresa Terraforce construiu esse “paraíso” após uma força misteriosa ter lançado um apagão mundial.

Você, Terry Crews, conhecido como o agente Jaxon, ou então outro agente a sua escolha, deverá combater a empresa Terraforce, pois ela controla Nova Providência com punhos de ferro. E bem, essa é a história sem colocar nem por nada. Após ter uma entrada de cutscene muito legal e bem feita, todas as outras cenas de história são colocadas com imagens animadas e com um diálogo no fundo.

E por falar de diálogo, tenho que falar da dublagem. Quando anunciaram o fantástico, explosivo e louco Terry Crews eu na hora pensei que ele iria utilizar centenas de jargões e gritaria que nem um maluco empolgado. Ledo engano. Na realidade sua atuação é apagada e a dublagem, no geral, é muito fraca. Tanto em inglês como em português a dublagem é fraca, em especial porque duas pessoas ficam palpitando a cada coisa que você faz.

Por exemplo, você vai pegar um orb de agilidade. Ai então o comandante te lembra pela vigésima vez como os orbs ajudam a melhorar a agilidade. Ou então você pega uma arma nova e você é lembrado do que a arma faz. Ou se pegar o carro? Claro que vão te lembrar que o carro da agência é o mais rápido já construído e bla bla bla. Isso me fez lembrar o Need For Speed de 2016, onde a cada minuto alguém ficava te ligando e infernizando sua vida.

Eu gostei de andar, explorar, e explodir Nova Providência, mas tanto o protagonista como os vilões são esquecíveis. Não somente isso, o objetivo do jogo é vazio. Parece que estamos jogando um modo campanha de side quests somente.

Durante sua aventura, será necessário destruir X construções para fazer o chefão daquele segmento sair e você poder enfrentá-lo. Ao fazer isso, ai será possível enfrentar o responsável por aquela atividade de área como, por exemplo, a logística da cidade. E após matar esses três responsáveis de logísticas diferentes, ai você poderá combater a presidente da Terranova, a grande vilã do jogo. Ao longo do jogo, existirão diversas side quests e pontos de controle.

Sim, se prepare para um modo de campanha bem repetitivo.

Um gameplay muito empolgante

Se por um lado o modo história e os personagens de Crackdown 3 são esquecíveis, por outro lado temos um gameplay maravilhoso e super divertido. E antes de mais anda, vale dizer que a tecnologia de nuvem não foi utilizada no modo campanha, somente no online.

Como mencionei acima, o jogo é um grande mundo coberto de side quests e até as missões principais seguem o mesmo padrão. Muito felizmente o gameplay está muito rápido e polido. Esse gameplay me fez gastar diversas horas em Nova Providência destruindo tudo pelo que via pela frente sem me cansar.

O início do jogo (primeira hora) é realmente simples e não impressiona muito, afinal você está cru tanto em poderes como em armas. Com a sua evolução, será possível ter novos poderes como pulo duplo, pulo maior, soco de área no chão, soco forte, poder carregar mais munições e por ai vai. São muitos os poderes que será possível colocar em seus agentes.

Não somente é possível evoluir seu agente, mas como você terá acesso a três armas por vez. Muitas delas são armas básicas como metralhadora, pistola, sniper e escopeta. Porém, existem diversos tipos de armas que são super divertidas como a escopeta de gelo, um raio de plasma que queima os inimigos, um raio de musgo que envenena os inimigos, bazuca com míssil perseguidor e muitas outras armas muito loucas.

Dentre as missões possíveis temos das mais simples como destruir uma horda de inimigos, como ter que destruir suportes de um broca de mineração ou então sobrecarregar o equipamento inimigo. De todas as atividades principais, a mais original de todas é o desafio de torre, onde você será submetido a desafios de plataforma. Ela quebra o ritmo do jogo e faz você ser bem cuidadoso em sua escalada.

Por fim, tenho que falar dos inimigos. Eles são muito variados e te darão diversos tipos de desafios. Existem desde os soldadinhos básicos, como soldados pesados com escudo, ou então robôs que tem maior resistência, inimigos voadores, diversos sub chefes com armas muito interessantes, empilhadeiras assassinas e muito mais.

Gráficos agradáveis, mas que não impressionam

Por estarmos falando de um jogo exclusivo, nós já pensamos de imediato em gráficos lindos. Afinal os exclusivos do Xbox One são lindos em sua maioria. Quem irá esquecer toda a beleza em Ryse que foi lançado no inicio da geração até os mais recentes Gear of Wars e Forza?

Pois bem, se está esperando visuais deslumbrantes, se prepare para uma decepção. Por ser um jogo exclusivo, ele deixa a desejar nesse ponto. A ideia é que Nova Providência tenha uma pegada cyberpunk com neon para todos os lados, algumas coisas futuristas e prédios enormes, assim como grandes favelas. Porém, embora eles tenham alcançado perfeitamente isso, acaba sendo uma visão Cyberpunk da década de 80/90 e não dos dias de hoje. Ou seja, é muito colorido, mas é simples demais.

Felizmente posso falar que isso não atrapalha a experiência. São visuais agradáveis, mas que acabam não impressionando. As muitas explosões que acontecem ao longo do jogo ajudam a colorir o mundo e é legal sair explodindo tudo e ver os “fogos de artifício” acontecendo.

Wrecking Zone

Já que estamos no Xbox e temos um jogo de tiro, nada mais natural do que ficar esperançoso para o modo multiplayer. No geral, posso falar que ele é uma continuação do que vimos no modo campanha com altos e baixos.

Logo de cara vamos falar do poder da nuvem. Após jogar dezenas de partidas eu vi que as muitas paredes de cada fase são completamente destrutíveis. Em algumas situações, eu peguei a bazuca e simplesmente fiz um buraco na parede para atravessá-la e matar o inimigo. Em outro momento eu destruí uma passarela que meu inimigo estava andando e fiz ele cair, matando-o consequentemente. Não somente isso, mas é possível ver os cacos da parede caírem e todos ficam com física no chão, ou seja, é possível subir nos escombros, chutar eles e mais.

Embora seja algo muito interessante e legal, eu não acredito que o suposto poder de 12 Xbox One serve somente para isso. E vale enfatizar que estamos falando de fases que são mais simples (alguns dirão feias) do que as já simples fases do modo campanha. Em comparação, cito a franquia Battlefield, que também tem uma destruição detalhada como uma mudança severa na ambientação, tem 64 jogadores (contra 8 de Crackdown 3) e apresenta um impacto visual maior.

Falando sobre o gameplay, ele é muito mais ágil do que vemos no modo campanha. Cada jogador irá ao campo de batalha com duas armas equipadas em um time de 5 pessoas. Iremos literalmente quicar loucamente por uma das três fases disponíveis matando os adversários. Eu efetivamente achei muito bem feito o game design, pois é possível ficar em constante movimentação atacando e desviando dos inimigos. Além disso, existem dois modos para se aventurar no mundo online. O primeiro é o clássico modo de dominação de área onde o time que ficar mais tempo com mais áreas dominadas ganhará. O twist neste modo é que os pontos irão mudar de tempos em tempos. E o segundo modo é o chamado Agent Hunter onde não bastará matar o inimigo, mas será necessário pegar sua medalha, ou então defender a do sue amigo abatido.

Embora na teoria seja interessante eu tenho algumas críticas. A primeira é que somente tem três mapas online, eu esperava um pouco mais. A segunda é que as armas são muito básicas. No modo campanha temos dezenas e mais dezenas de armas, enquanto no modo online não tem nem 10 armas. Outra coisa estranha é que embora ambos os modos sejam em forma de partidas em equipe, não existe um sistema de party para chamar seus amigos. Por fim, e isso pode ser um grande problemas para muito, o modo Wrecking Zone não é nem um pouco técnico, mas é pura correria. Isso acontece porque a mira é fixa, basta puxar o gatilho que a mira gruda mais do que chiclete. Ou seja, ao invés de ter precisão, na verdade ganhará quem atirar primeiro e pular mais. Isso não me incomodou nem um pouco, mas como a comunidade online está cada mais competitiva, isso poderá influenciar a opinião de muitos.

Conclusão

Crackdown 3 entra na lista de jogos que teve um hype grande em seu início, mas os diversos atrasos e problemas de desenvolvimento acabaram jogando um balde de água fria em muitos dos ansiosos. Eu não vou negar, Crackdown 3 é sim muito divertido e é uma sessão da tarde relaxante que de vez em quando irá olhar seu celular e esquecer do que ta passando na TV. Porém, Crackdown 3 não chega aos pés dos grandes exclusivos da Microsoft que tem excelentes jogos de tiro como Gears of War e Halo e são referencias no mercado.

Embora mecanicamente o jogo seja muito fluido e é maravilhoso poder evoluir seu personagem, ele peca pela repetição em excesso, além de ter visuais fracos e uma dublagem bem questionável. Por fim, o modo online deixa  desejar, em especial para os jogadores competitivos, e não posso aceitar que o tão falado poder da nuvem é somente isso.

notas

Publicado
Mestre supremo do Ultima Ficha, não manda nem em seus próprios posts. Embora digam que é geração PS2, é gamer desde o Atari e até hoje chora pedindo um Sonic clássico e decente. Descobriu em FF7 sua paixão por RPG que dura até hoje. Eventualmente é administrador e marketeiro quando o chefe puxa sua orelha com os prazos.

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