Análise: Wargroove bebe da fonte dos clássicos e traz combate tático sólido

Wargroove é um jogo de combate por turnos feito para os amantes de clássicos como Advance Wars. Com o intuito de trazer o estilo de jogo dos seus predecessores espirituais à modernidade, o título aposta na nostalgia e na introdução de novas mecânicas a um gênero já conhecido.

A Chucklefish Limited, produtora conhecida pelo excelente Stardew Valley, parece ter um gosto em trazer clássicos à modernidade. Assim como feito com o clássico Harvest Moon, a empresa bebeu das fontes de jogos consagrados do passado como Fire Emblem e Advance Wars para criar Wargroove. Assim que batemos o olho no design do jogo lembramos dos seus predecessores espirituais. Claro, há adições aqui e ali, mas basicamente a estrutura do jogo é muito parecida com a dos jogos citados.

Se você jogou qualquer jogo de combate por turnos no passado, saiba que as fundações de Wargroove são muito similares. Mercia, herdeiro do reino de Cherrystone, é forçado a fugir do seu reino após o assassinato de seu pai, o rei. Conforme progredimos através do mapa e completamos missões, novos caminhos se abrem, trazendo toda a estrutura da história principal e suas sidequests adicionais. As mesmas são extremamente úteis a medida que avançamos pelo jogo, já que se pode obter novas unidades e novas informações sobre o que aconteceu na história ao longo da jornada.

Cada mapa consiste de conflitos em diversos tipos de terrenos e situações climáticas que trazem desafio ao planejamento estratégico. Cada unidade possui uma fraqueza e uma força, e é extremamente importante cuidar para que as forças sejam utilizadas e as fraquezas sejam evitadas. Há unidades com menor capacidade de movimentação, outras com um alcance maior de locomoção, entre muitas outras habilidades.

Tudo isso, claro, é somente uma camada de dificuldade a mais na estrutura do jogo, que basicamente consiste de um combate tático por turnos dos clássicos. E é aqui que Wargroove manda extremamente bem. A sua apresentação, trilha sonora imersiva e polimento sem igual fazem de Wargroove um deleite, já que contribuem bastante para trazer a sensação de desafio a todo momento. Além disso, o nível de dificuldade elevado de alguns mapas nos faz prestar atenção em cada detalhe de tudo que está acontecendo, contribuindo ainda a mais no quesito imersão.

Apesar de estar disponível para muitas plataformas, muitos dirão que Wargroove possui sua melhor experiência no Nintendo Switch, visto que o jogo é um sucessor espiritual de Advanced Wars, que basicamente era portátil. Além disso, vem muito a calhar o fato de que se pode levar o jogo para qualquer canto, já que é extremamente útil termos a possibilidade de pausar o jogo, levar para algum lugar e continuar posteriormente. Em muitos momentos, nos encontramos em combates extremamente difíceis e ter que ficar na frente da tela do console simplesmente acabaria com a produtividade do meu dia.

Dependendo da missão e das suas pequenas nuances e desafios, Wargroove pode tomar um bom tempo do seu dia. A curva de aprendizado é tão complexa que às vezes chega a dar preguiça de tentar resolver alguns conflitos ao longo do jogo. Em muitos momentos nos vemos morrendo dezenas de vezes até finalmente pegarmos o jeito de como o mapa deve ser vencido. E, claro, não há nada mais frustrante que simplesmente chegar praticamente no final de um mapa e morrer nos últimos instantes, tendo que voltar tudo desde o começo. Em muitos momentos ter que terminar um mapa se torna um fardo, já que não aguentamos mais tanto voltar para o início.

Diálogos e até animações podem ser pulados, o que dá certa velocidade ao jogo, mas é extremamente frustrante que não possamos salvar o jogo durante as missões. Talvez a Chucklefish pudesse ter pensado em algo como adicionar checkpoints ou scrolls que dessem a chance de recomeçarmos em algum ponto específico do mapa. Infelizmente, essa opção não parece ter sido cogitada pela equipe de desenvolvimento do jogo. Jogos de combate tático geralmente possuem um nível de dificuldade relativamente elevado, mas é muito frustrante quando o ato de jogar se torna um trabalho.

Em suma, para jogadores que não se importam com jogos longos e têm um amor guardado por jogos de combate tático por turnos, há muito para se aproveitar em Wargroove. O multiplayer e o editor de mapas dão uma sobrevida ao jogo que já é grande para aqueles que se tornarem grandes fãs do título. Contudo, fique avisado de que a curva de aprendizado do jogo é grandiosa e você se verá prestes a tacar o Switch na parede ou o controle do console na televisão depois de morrer nos últimos turnos de uma missão. Wargroove faz bem em beber da fonte de jogos clássicos e adicionar em cima disso.

Caso queira comprar Wargroove no Nintendo Switch, ele está disponível na Loja Nintendo BR por R$ 37,99.

notas

Publicado
Formado em Relações Internacionais, Bernardo aproveitou o dom de escrever para algo útil. Músico, viajante, cronista e amante de qualquer coisa que seja relacionada a jogos, seu sonho é ser jornalista na área. Tem um carinho especial por jogos que tragam o melhor de todas as formas de arte que os englobam.

One thought on “Análise: Wargroove bebe da fonte dos clássicos e traz combate tático sólido

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *