Análise: Super Dragon Ball Heroes: World Mission apresenta boas ideias, mas não é para todos

Super Dragon Ball Heroes: World Mission traz para o Ocidente algo que é super famoso e comum no Japão, Dragon Ball de carta! Dragon Ball Heroes é o card game da franquia que faz sucesso em terras nipônicas desde 2010 e mistura diversos personagens da série sem ordem cronológica e até tendo liberdade criativa para criar novos personagens.

Super Dragon Ball Heroes é o “atual” anime da franquia que iniciou em 2018 e hoje conta com cerca de 10 episódios e mistura os mundos e universos de Dragon Ball aumentando a gama de personagens e cartas dentro do jogo. E agora em 2019 temos o Super Dragon Ball Heroes: World Mission que chega ao Switch e PC.

Confiram abaixo nossa análise.

 

Uma grande e inesperada história

Por ser um jogo de cartas eu simplesmente não esperava que ele tivesse uma história complexa e grande, mas me enganei e fui surpreendido. Nele você começa frequentando a Hero Town que é conhecida por ser um polo de jogadores de Dragon Ball Heroes e tudo fazer referência ao jogo e os tão amados personagens.

Você começa com um/uma personagem que é fá de Dragon Ball, mas nunca viu uma carta de Dragon Ball Heroes na vida. Imediatamente ele/ela se inscreve em um campeonato para novatos e começa a ganhar todas as partidas (tutorial). Isso chama a atenção do Grande Sayaman 3 que está encarregado de achar fortes jogadores para combater um grande mal que se aproxima da Terra.

E quem está liderando o time do mal é o novo e original personagem Sealas que está criando diversas instabilidades fazendo com que os personagens saiam do jogo para a Hero Town. Caberá a você e seu time parar Sealas e todos os personagens malignos que ele libera, tanto na cidade quando dentro do próprio jogo.

O interessante de Super Dragon Ball Heroes: World Mission é que os personagens são fãs da franquia e muitas vezes reagem como nós mesmos iríamos reagir ao encontrar o Goku real. É possível dar algumas boas risadas com os encontros, assim como decepções que ocorrerão.

Outra coisa que vale pontuar é a liberdade de personagens que existe em Super Dragon Ball Heroes: World Mission. É possível achar o Goku, por exemplo, da Saga Dragon Ball, Z, Super, GT e todas as suas variações já inventadas. Não somente os personagens oficiais podem ser encontrados, como é possível encontrar personagens exclusivos de jogos como a Androide 21 de Dragon Ball FighterZ e outros. E não somente isso, mas veremos personagens de OVAs e também do próprio jogo de cartas do Japão. Eu fiquei boquiaberto com Kuriza! Para quem não sabe ele é o FILHO DE FREEZA! Vivendo e aprendendo…

Hora de montar o time

Super Dragon Ball Heroes: World Mission é em sua essência um card game onde é possível colocar até 5 personagens em campo e, como falei na introdução, é uma grande várzea bagunça de personagens. Quer um time com 5 Gokus? Pode! Time só de vilão? Pode! Gohan criança, adolescente, adulto, etc? Pode! Bem, você entendeu, qualquer time é possível. O jogo conta com mais de 350 personagens e mais de mil cartas e qualquer combinação é possível.

E ai fica a dúvida, que cartas escolher? Bem, logicamente você não começará com todas as cartas, mas começará com um set muito forte. Particularmente eu já tinha o Goku com o instinto superior, Goku Super Sayajin  Blue e o Vegeta Super Sayajin Blue superior (não sei o nome oficial da transformação, mas é aquele que ele faz no torneio do poder). Além disso tinha o poderoso Jiren e outros personagens fortes. Isso achei que deu uma desequilibrada, por começar tão forte logo de cara.

Independente desse início fácil, não é somente a raridade e força das cartas que valem, existe o fator estratégia. Os cards são distribuídos em tipos que podem ser equilibrados, completamente ofensivos ou então atacar a stamina do adversário. Além disso, existe a possibilidade de combos e transformações. Por exemplo, eu mencionei que iniciei com o Goku com instinto superior, certo? Mas esse Goku é o estágio antes do instinto superior, porém, no meio da luta é possível dar um Kame Hame Me Ha divino e ele ficará com a transformação completa além de um aumento de 15.000 em seu poder. Outro exemplo é que é possível usar o Goten e Trunks e conseguir fazer fusão no meio da luta, assim como para o Goku e Vegeta também. Existe uma série de combinações que podem ser feitas.

E antes de escolher o time definitivo, existe duas coisa para se fazer. A primeira é ler cada carta (boa sorte lendo mais de mil cartas), pois toda carta tem uma habilidade ativa e passiva. É possível ativar algum tipo de suporte, bônus para a equipe, ônus para o adversário, recuperação de stamina/vida e por ai vai. Já a segunda é que será possível tanto utilizar itens de melhoria como poderá escolher que tipo de suporte seu robô (sim, você tem um robozinho simpático) irá te dar em qual round ele te dará.

E agora chegamos a luta! O campo é composto por quatro partes. A debaixo é onde irá recuperá o vigor para poder atacar no próximo round. Já as outras três partes são o campo de ataque e cada um irá consumir uma barra de vigor de cada personagem. Ou seja, a primeira parte dá uma ataque mais fraco, mas gasta somente uma barra de vigor. Já a última parte aumenta muito o poder de ataque, mas acaba com três barras de vigor.

Saber quem vai pra frente e quem se recupera é essencial para ganhar a batalha. Não somente quem ganhará a batalha, mas o início de cada round será definido pelo poder de ataque total de cada time e decidirá quem atacará primeiro. E existe também um fator meio sorte e meio competência que é o medidor de IC. Esse medidor serve como uma espécie de cabo de guerra onde quem, tirar o valor mais forte ganhará ou perderá cada luta. Existem vários métodos para acelerar e frear o seu IC e do adversário.

Mecânicas inúteis

Super Dragon Ball Heroes: World Mission apresenta uma mecânica rica, muitos personagens e uma história muito mais profunda do que era esperado, mas isso não o exime de alguns problemas.

O primeiro, e mais grave de todos, vai para a quantidade de QTE (Quick Time Event) inútil. Chega a ser irritante você a cada batalha fazer o mesmo set de movimentos absolutamente nada desafiador. E estou falando de coisas inúteis mesmo como arrastar o mouse da direita para a esquerda ou fazer um padrão na tela que não existe uma forma de errar e reiniciar. É irritante demais. Além disso, o IC que mencionei fica espalhado ao longo do gameplay do jogo e não somente preso as batalhas. Então eventualmente vai ter um encontro com um personagem e deverá tirar o melhor IC para ganhar um item.  Um item inútil que talvez não irá utilizar. Ok, o rage bateu forte aqui e admito, mas não foi a toa…

Outro problema pra mim foi o mapa/progressão do jogo. No modo história você estará em um tabuleiro que é extremamente burocrático e não faz muito sentido sua existência. Ele simplesmente torna o jogo muito burocrático com a movimentação/loading/diálogos. Faltou um dinamismo ao jogo e sua evolução.

E algo que falei atrás que veio como elogio, agora vai ser um problema: MAIS DE MIL CARTAS. Eu sou fã tanto de Dragon Ball como jogos de carta, mas trazer um jogo “desconhecido” com tanta informação acaba confundindo muito e o torna muito pesado para ter sua equipe perfeita.

E por fim venho com um ultra elogio e logo em seguida uma canelada. O elogio é que é possível colocar as músicas originais de todas as épocas do anime! Pode colocar na parte de luta, na cidade, no domo de jogadores e por ai vai. É absolutamente incrível poder ouvir músicas tão clássicas quantas vezes quiser. O problema é que a movimentação dentro da cidade não é tão amistosa, e você vai acabar recorrendo ao menu. É possível pular para qualquer parte do jogo em um instante, ou seja, você quase não irá ouvir essas músicas.

Conclusão

Super Dragon Ball Heroes: World Mission é um jogo feito para fãs da franquia e que curtem mecânica de card games, ele não foi feito para todos. Por um lado ele apresenta uma grande história e uma mecânica bem elaborada e rica em detalhes, assim como muitos personagens e possibilidades. Porém, ele se torna burocrático e tem uma evolução muito lenta além de sofrer com Quick Time Events completamente desnecessários e irritantes.

Vale pontuar que ele custa (hoje em seu lançamento) R$ 200 e bem, ele não é um jogo de preço cheio, ainda mais por trazer gráficos de geração passada (eles não incomodam, mas pelo preço se espera mais). Se é fã da franquia, aguarde uma promoção e vá com paciência e calma.

notas

Publicado
Mestre supremo do Ultima Ficha, não manda nem em seus próprios posts. Embora digam que é geração PS2, é gamer desde o Atari e até hoje chora pedindo um Sonic clássico e decente. Descobriu em FF7 sua paixão por RPG que dura até hoje. Eventualmente é administrador e marketeiro quando o chefe puxa sua orelha com os prazos.

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