Análise: Rage 2 começa devagar, mas acaba de forma explosiva e gloriosa

A Avalanche Studios é conhecida por fazer jogos de mundo aberto com muita destruição. Em parceria com a Warner ela trouxe o Mad Max, com a Square Enix trouxeram Just Cause 3 e 4 e agora com a Bethesda podemos jogar Rage 2. Até aonde podemos ver as novidades desse jogo e até onde podemos ver um “copiar/colar” do que já vemos da empresa em seus últimos jogos? Confiram isso e muito mais em nossa análise.

Gameplay de Rage 2:

História morna

Rage 2 se passa 30 anos após Rage 2 e como a própria Bethesda deixou bem claro, não há a necessidade de ter jogado o primeiro jogo e pode pular sem medo para este segundo jogo. O que precisa saber é que um meteoro atingiu a Terra deixando um rastro de destruição e levou o mundo a um estágio de mundo pós-apocalíptico com muitos desertos e uma terra sem lei.

A história começa com o personagem Walker defendendo sua base do famigerado general Cross que retorna com um corpo de robô trazendo mutantes poderosos e destruindo a cidade de Vinhal que é a base dos Rangers, soldados super capazes protetores dos frascos e comprimidos da lei e ordem dessa terra devastada. Sobrevivendo a esse ataque, Walker se torna o último Ranger vivo e deverá encontrar personagens específicos para liderar o projeto adaga e destruir Cross e sua ambição de controlar o mundo com mutantes.

Infelizmente aqui não posso destacar nenhum personagem ou situação. Tanto os personagens como a história são bem diretos e nenhum empolga. Embora existam alguns encontros interessantes, não existe um grande desenvolvimento dos mesmos e muitos tem uma participação única.

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Algo que vale dizer é que o jogo está 100% dublado para português e a dublagem é muito boa, não devendo nada para a dublagem em inglês. Além disso, o jogo pode ser um tanto curto se levar em consideração que é um mundo aberto. Cerca de 15 horas será o suficiente para concluir a missão principal e encarar diversos desafios do mundo. Claro, ainda existirão inúmeras horas de jogo caso queira fazer absolutamente tudo.

Inicio puxado e ótima inspiração em DOOM

Quando iniciei Rage 2 eu me peguei pensando muitas vezes em como esse jogo seria um novo Mad Max. E verdade seja dita, eu pensei em quase desistir do jogo, mas pelo bem desta análise eu insisti no jogo. E fico muito feliz de ter insistido no jogo que acabou se transformando em uma excelente experiência.

Isso acontece, pois no início ele te traz um total de zero surpresas. Você começa com uma simples pistola, um carro padrão e com nenhum poder. Nas primeiras horas você irá matar os mesmos inimigos, conseguirá uma metralhadora, escopeta e um poder. E o que poderá fazer em seguida? Explorar o mundo e matar mais 99999 inimigos com as mesmas armas. Sim, como pode perceber é algo cansativo e repetitivo. O início dele não é nada convidativo e é bem arrastado.

Porém, após investir um pouco mais de tempo, verá que o jogo começa a se transformar de algo medíocre para algo sensacional. Muito disso se deve a Id Software, que também participou no desenvolvimento do jogo e trouxe uma grata influência de DOOM a Rage 2. Ao longo de sua experiência será possível pegar até quatro novas habilidades e armas diferenciadas. Não somente isso, mas a evolução no seu personagem sempre te leva a uma maior velocidade e a se arriscar mais. A cada inimigo morto você liberará algumas células de Feltrita que irão ser sua experiência, porém, ao coletá-los, também irá fazer com que recupere sua vida. Ou seja, esqueça uma entrada furtiva e vá para a pancadaria, utilize suas armas mais diferenciadas, entre no modo de sobrecarga onde dá mais dano, use suas habilidades e faça tudo novamente matando centenas de inimigos com um rock frenético atrás. Puro DOOM esse momento.

Além de apresentar um gameplay bem polido, quando mais tempo investir matando inimigos e cumprindo missões, mais você poderá evoluir seu personagem e as evoluções serão separados em três partes, que são missões para cada um dos três líderes que te ajudarão no projeto adaga. No final do jogo será possível adquirir mais de 60 upgrades para seu personagem. Mas não pense que é “somente” isso, será possível evoluir e personalizar cada arma e acessório. No final você estará completamente diferente de quando começou e será mais divertido matar os inimigos.

Por falar em inimigos, eles estão bem equilibrados. Eles não são completamente variados, mas um ou outro pode te surpreender como os que ficam invisíveis por um curto espaço de tempo ou então o que joga granadas em você como um jogador de baseball. Isso sem contar os mutantes gigantes que terão uma estratégia certa para serem mortos. E claro, sempre existirão robôs gigantes que aparecerão de surpresa.

Veículos sub utilizados

Algo que foi muito destacado em Rage 2 é que você utilizaria seu carro para atravessar o mundo, atingir comboios e mais. De cara posso dizer que o jogo traz uma variedade decente de automóveis, porém, a grande maioria é inútil e você acabará a maior parte do tempo utilizando a Fênix, seu carro inicial. Isso acontece, pois ele é o único veículo que pode sofrer upgrade com novas armas, maior resistência e mais. Do resto, o que se destaca é o planador Ícaro o tanque que bem, é um tanque!

A direção dos veículos é bem boa (o que é um alento, pois em Jsut Cause é sofrível) e será possível – e necessário – se deslocar pelo mundo com ele. Um ponto positivo é que a Fênix fala com você sempre fazendo umas piadas, por exemplo, quando você atira muito com o carro, a arma irá sobre aquecer e a voz robótica fala “Calma Walter, eu estou muito quente agora”. Porém, é somente isso. Andar do ponto A ao ponto B é algo meio vazio, pois muito pouco ou nada acontece no caminho. Se você quiser parar para destruir um covil de bandidos será possível, mas depois de um tempo se torna completamente repetitivo.

Resumidamente, existe muito o que fazer em Rage 2, porém, até chegar aonde tem que ir nada acontecerá. Senti falta de um diálogo ou então um rádio pós-apocalíptico. E claro, existem os comboios que são sim muito interessantes de se abordar e conseguir destruí-los. É uma luta demorada e estratégica, mas existem somente alguns pelo mundo e dificilmente irá se deparar com eles sem querer (eu me deparei com uns 4/5 em 15 horas de jogo).

Conclusão

Admito que o início de Rage 2 não é muito atraente. Com pouca variedade do que fazer e poucas armas, ele se torna um tanto enfadonho. Mas após algumas horas de jogo, ele começa a evoluir de maneira muito satisfatória e a influência de DOOM no jogo é simplesmente maravilhosa. As mais diferentes armas com os poderes disponíveis transformam Rage 2 de um jogo mediano para uma experiência extremamente divertida.

Algo que infelizmente não melhora e ficou sub utilizado, foi a disposição do mundo e os carros. Não existe sentido ter tantos carros “iguais” e você acabará utilizando somente 2/3 de todos disponíveis. Além disso, é vazio se locomover de um ponto para o outro. Mas isso não diminui o fato de ter muita coisa para fazer pelo mundo.

notas

Leonardo Coimbra

Mestre supremo do Ultima Ficha, não manda nem em seus próprios posts. Embora digam que é geração PS2, é gamer desde o Atari e até hoje chora pedindo um Sonic clássico e decente. Descobriu em FF7 sua paixão por RPG que dura até hoje. Eventualmente é administrador e marketeiro quando o chefe puxa sua orelha com os prazos.
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