Análise: Crash Team Racing Nitro-Fueled, quem precisa de Mario Kart?

Minha infância foi marcada por jogar muito Mario Kart. Digo isso para enfatizar que não fui uma criança ligada à Crash Team Racing. Muitas vezes se afastar sentimentalmente do jogo em que estou analisando me faz bem e me dá base para ser justo. Peguei Crash Team Racing Nitro-Fueled partindo do zero, sem dar uma de fã alucinado e tentei ao máximo analisá-lo sob a ótica de um jogo novo e não ser pego pela saudade e pelo carinho de outros tempos. Espero que isso sirva para você como um atestado de imparcialidade e confiança para minha análise.

3, 2, 1 Go!

Desde as primeiras cenas de Crash Team Racing Nitro-Fueled, aqueles créditos iniciais, já pude perceber que o jogo traria uma explosão de cores e gráficos de ponta. Não fiquei decepcionado! Os visuais do jogo estão de cair o cu da bunda queixo. Os personagens são muito bem trabalhados tanto nos detalhes dos modelos como nas animações cartunescas. Estica e puxa, alarga e achata, coisas típicas da estética de Crash ficaram ainda melhores neste remake incrível da Beenox. Melhor ainda foi ver que todo o esforço, dedicação e atenção aos detalhes foram tratados da mesma forma em todas as skins e conteúdos extras.

Apesar dos personagens serem um ponto de significativa importância, o verdadeiro tempero visual de Crash Team Racing Nitro-Fueled mora nas pistas. Cada circuito, sejam os clássicos retrabalhados ou as novas adições, são extremamente bem trabalhadas com ambientes próprios, vivos, interativos, cheios de personalidades e acabamentos de dar gosto. Tudo isso ainda conta com diversas luzes, partículas e detalhes sonoros que rodam de forma lisa, sem afetar a performance. Joguei em um PS4 fat, de 5 anos de uso, e raríssimas vezes tive queda de FPS.

Muitas vezes eu parava no meio de uma pista para admirar o cenário e a paisagem.

O gameplay está incrível e sólido. Praticamente tudo se encaixa e funciona bem. A simples diferenciação dos personagens entre os atributos de Velocidade, Aceleração e Curva junto com os itens dentro do jogo e o escopo das pistas funcionam de forma exemplar. A ideia de que você precisa pegar mais frutas para conseguir melhores itens torna a questão da aleatoriedade do jogo menos determinante, algo que sempre me incomodou no concorrente direto, Mario Kart.

O jogo também conta com um sistema de derrapagem (drift) que te beneficia com turbos momentâneos, os Power Slidings. Executá-los requer um pouco mais do que sustentar uma derrapagem na curva. Você precisa segurar o botão de pulo (R1/L1 no PS4) para começar a derrapar e encher uma barra no canto inferior direito da tela, depois apertar o botão oposto na hora exata. Isso faz com que a habilidade de cada um conte muito na hora de definir a colocação final da pista, tirando, mais uma vez, o fator sorte da questão.

Não entenda errado, Crash Team Racing Nitro-Fueled conta com muito apoio da sorte ou azar. Realmente os itens do jogo podem beneficiar muito determinado corredor e penalizar outros, mas se botarmos na matemática, o fator não é determinante no longo prazo.

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O modo aventura se trata de passarmos por arenas em uma espécie de mundo aberto. Essas arenas contam com as corridas e os chefes, além de pistas com outros desafios. A ideia é simples: vença as corridas para abrir a porta do chefe. Cada chefe te dá uma chave para abrir outras portas trancadas e assim chegar até o fim. A progressão é bem interessante, começando de forma bem leve e fácil e aumentando até níveis bem difíceis. Não espere que Crash pegue leve, o jogo é claramente mais difícil que Mario Kart e vai exigir que o jogador ou jogadora evolua suas técnicas com o passar do tempo. Portanto, evite se viciar em comandos e táticas parecidas.

O modo aventura é ótimo para aprender e é a principal maneira de abrir a maior parte do conteúdo do jogo, que é robusto. O game conta com 26 de personagens e cada um tem uma coleção de skins – uns mais outros menos. Além dos personagens, temos vários carros, rodas, pinturas e adesivos. Sem contar todos os seis modos de jogo que inclui cinco diferentes tipos de batalha, onde os jogadores tem que se quebrar na pancadaria em arenas fechadas através dos vários itens de ataque do jogo.

Para juntar todos esses corredores o game conta com a opção de até 4 jogadores em splitscreen, para você curtir com sua turma no sofá de casa, e o modo online que, até o momento, sofre com problemas de conexão e bugs de sincronização – infelizmente. Jogar conectado te oferece a opção de iniciar uma partida automaticamente por um lobby ou chamar amigos para uma partida privada. Está previsto para o dia 3 de julho o início do ranking online com mais conteúdo e desafios.

É também no modo online que conseguimos a maior quantidade de moedas para abrir ainda mais conteúdo do jogo no Pit Stop, uma espécie de loja. No Pit Stop podemos comprar diversos artigos que variam desde personagens, passando por skins, adesivos, carros e conteúdos extras que virão em atualizações futuras e com as temporadas do ranking online. Destaco tudo isso porque o jogo não vai contar com microtransações, portanto todas essas possibilidades serão desbloqueadas com moeda corrente do jogo.

O game tem seus probleminhas!

Pude notar algumas inconsistências na interface. É preciso sair do shopping e ir até uma tela de seleção de personagens qualquer para nos certificarmos de alguns status, há uma falta de pré-visualização decente das pistas que atrasa o aprofundamento de novos jogadores, além de loadings longuíssimos a todo tempo. Ou seja, não é muito amigável em alguns momentos. Há também um exagerado requerimento de moedas para alguns dos itens da loja, digo isso pois estamos tratando de um jogo bem casual que dificilmente manterá uma comunidade online robusta por muito tempo.

Há uma evidente falta de grandes novidades frente ao conteúdo que já existia até então. Resta torcer para novos conteúdos das temporadas. Porém, acredito que isso não será um problema para os novos jogadores – como eu. Por fim, apesar de ser uma série de renome, alguns personagens de Crash sofrem com a falta de identificação por parte do público – principalmente o mais novo, até porque a franquia esteve parada por muitos anos.

O que posso dizer é que esse remake é incrível. O game é ótimo tanto como um remake em si, para os cascudos de CTR, quanto como um jogo à parte para os noobs. Logo, se você é como eu, alguém novo no universo de Crash Team Racing, pode ir na fé que o jogo é excelente! O trabalho da Beenox nesse excelente remake foi tão bom que faço aqui uma equivalência com a qualidade do que foi feito em Resident Evil 2. Não fica devendo em nada para a referência do gênero Mario Kart e é a melhor opção para quem não tem um dispositivo da Nintendo.

 

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Ricardo Carvalho

Ricardo Carvalho é escritor, desenhista, filósofo de sofá, cineasta frustrado e ativista pela aceitação mundial de que videogame é arte. Redes: twitter.com/perfilricardoc, instagram.com/perfilricardoc.
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