Analise: Death Stranding é incrível, mas desafia sua paciência

Hideo Kojima mais uma vez traz uma grande experiência com história completamente original

Depois de muito hype e espera temos em mãos Death Stranding e consequentemente sua analise. Todos ficamos preocupado com a conturbada saída de Kojima da Konami e o que seria de seu futuro. Felizmente a resposta veio em menos de 1 ano fazendo uma parceria com a Sony e anunciando o jogo Death Strading.

Antes de iniciar a analise de Death Stranding, vale dizer uma coisa: O jogo não é para todos! Por mais que ele seja impecável em muitos pontos, existem momentos que irão te fazer desistir.

Confiram abaixo nossas impressões SEM SPOILERS. Death Stranding pode ser comprado na PSN ou no varejo por R$ 249,00 e já foi confirmado que ele será lançado para PC em 2020.

Menino Guillermo del Toro

O elenco estrelar de Death Stranding

Sendo fã do trabalho de Kojima, já estou acostumado com as loucuras que ele apresentou, em especial na franquia Metal Gear. Porém, isso não quer dizer que ele não possa surpreender!

Em Death Strading você assume a pele de Sam Porter Bridges (Norman Reedus), filho de ninguém menos do que Bridgite Bridges (Lindsay Wagner), a presidente dos Estados Unidos. Após conversar com ela e com seu braço direito, Die-Hardman (Tommie Earl Jenkins) ele recebe uma missão de andar de leste a oeste conectando a rede quiral (explicarei a frente) até chegar a oeste e encontrar sua irmã Amelie (Emily O’Brien).

Porém, como nem tudo são flores, existirão inimigos que tentarão parar esse avanço de Sam por todos os Estados Unidos. Eles são o ex soldado Cliff (Mads Mikkelsen) que aparecerá em um cenário único de guerra e o Higgs (Troy Baker) que irá tentar atrapalhar o avanço de Sam em todos os mundos diversas vezes.

Para se aliar ao Sam nessa briga, temos a Fragile (Léa Seydoux), que é a dona de sua própria empresa de entregas. Ela tem sua própria motivação para ajudá-lo, assim como para caçar Higgs.

Além disso temos como participação especial a aparição de Guillermo Del Toro como o personagem Deadman (dublado por Jesse Corti) que em certas vezes é um alívio cômico. No geral ele fica tentando entender melhor o mundo e aconselhar o Sam sempre que possível.

Mads Mikkelsen está maravilhoso no jogo

Não vou entregar nenhuma motivação deles, mas posso dizer que a história é MUITO boa e que a atuação dos personagens é fantástica. Todos estão muito bem, fazendo desse mundo e história algo muito interessante que sempre deixará você com um gostinho de quero mais.

E sim, Death Stranding está completamente dublado e legendado em português. A dublagem é muito boa, mas particularmente preferir jogar em inglês e com legendas em português. Afinal temos excelentes atores trabalhando no jogo e vale a pena ver a atuação/dublagem original.

Fiquei horas, literalmente, construindo estradas

E o que é esse tal de Quiralium?

No início da analise de Death Stranding eu falei de uma rede quiral que seria o objetivo de conectá-la ao mundo. Essa rede vem do misterioso quiral que apareceu graças ao choque entre o nosso mundo e a pós vida e as misteriosas praias.

Existem duas utilizações principais deste material: A primeira é a possibilidade de fazer conexões como uma grande rede. Você pode sim considerá-la como uma grande rede de internet que conecta as pessoas, porém, muito mais eficiente e robusta.

Já a segunda utilização é para a impressão de itens como se fosse uma impressora 3D. Ao longo de sua longa jornada, Sam poderá imprimir itens em todas as muitas bases, graças a essa tecnologia, e construí-los praticamente em qualquer lugar do mundo. Não somente isso, mas será possível depositar seus itens em estruturas e transformar o mundo, como, por exemplo, construir uma auto estrada.

É importante falar que a rede Quiral e o Quiralium é vital para o jogo e é a “grande desculpa” para tudo o que acontece nele assim como suas mecânicas.

Parte dos EUA conectado, mas ainda falta muito

Conectando o mundo como um verdadeiro técnico da NET e SEDEX 10

Um comentário quase que único quando o jogo foi anunciado é que ele seria um walking simulator. Porém, vou ser muito honesto nessa analise de Death Stranding e é claro que o jogo vai bem além disso.

Acima eu mencionei que o grande objetivo do Sam é conectar essa grande rede Quiral “internet” por todos os EUA. Para tal, ele tem sim que andar de uma base até a próxima base e ativar essa rede. Mas para fazer essa ativação, ele deve entregar algum produto de interesse. Isso fará não somente que se ligue a rede quiral como irá aumentar o nível de conexão da base. Todas bases (mais de 50 bases) tem esse nível e todas te darão alguma coisa.

A ideia é que invista tempo em evoluir as bases para que possa ficar com seus equipamentos no nível máximo. Sejam eles itens de travessia como uma escada, itens de performance e as muitas armas. Além disso pode aumentar o tamanho da carga carregada, aumentar a quantidade e resistência de todos seus itens e mais.

E claro, para chegar de um ponto ao outro, será necessário andar de novo e de novo e mais uma vez. O que deixa essa jornada intrigante é o perfeccionismo do Kojima. Além dos inimigos que falarei a frente, existem dois itens que deixam tudo muito mais interessante.

Haja equilíbrio e costas para levar isso tudo

Perfeccionismo de Kojima

A primeira é a física do jogo. Primeiro temos a física normal, mas é necessário analisar como colocará cada item em sua carga. O balanço terá que ser o melhor possível para você não se inclinar e consequentemente se esborrachar no chão. Felizmente existe um botão que faz isso de forma automática. A forma que funciona essa física é incrível e é interessante brincar com esse equilíbrio versus o terreno que sempre te desequilibra.

Preparando a carga antes de sair

Já a segunda coisa que irá influenciar muito em suas viagens é a chuva temporal, um grande vilão do jogo. Essa chuva irá destruir todas as suas cargas. O que vale notar é que a roupa que utilizam é especial e conseguem proteger os entregadores dessa chuva, porém, a carga é afetada. Portanto é necessário fazer um bom planejamento de como passar por esse desafio/contratempo.

E para embalar essa viagem que MUITAS vezes será solitária e até entediante, temos uma ótima trilha sonora. Ela não está sempre presente, mas aparece diversas vezes com ótimas músicas que ajuda a dar um ar de refresco para a longa caminhada.

Olha o bicho vindo véi!

Então eu só fico andando por aí?

Não ! Não é somente andar e fazer entregas. O jogo conta com muitas peculiaridades e formas de combate. Vou dividir em três partes:

  • MULAS – Ao longo da sua jornada muitas partes do mapa estarão com uma cor amarela. Nessas partes teremos os Mulas. Esses NPC’s estão interessados em somente uma coisa, roubar as cargas das pessoas. Caso seja avistado, serão eles que irão correr atrás de você. Será possível enfrentá-los no mano a mano, bater neles com suas cargas (o que irá destruí-las), atropelar eles com seus carros/motos (só irá nocauteá-los) e utilizar armas não letais. E claro, é possível matá-los mais a frente com armas letais, mas isso fará com que eles virem EP’s caso não queime o corpo deles com urgência. E aqui deixo um destaque para a inteligência artificial que não ataca onde você está, mas ela vê seu padrão de corrida e ataca onde você estará. (Obrigado Kojima)
  • EP’s – Essas almas penadas do submundo irão tentar te sugar para o outro mundo e te matar. Porém, graças a seu BB, será possível ver aonde eles estão em um esquema de observar seu braço/scanner mecânico. Depois de um tempo no jogo, será possível matá-los até que com uma certa facilidade.
  • Chefões “da correria” – Digamos que uma EP te pegue e te arraste no campo. Isso irá iniciar uma luta contra um chefão (que variam com o tempo). No geral você poderá tanto tentar matá-las ou então correr que nem um doido e sair da área de atuação. O interessante é que que quando isso acontecer, a área com esse piche será enorme e diversas partes de cidade e carros irão aparecer na tela. Ai caberá a você fazer um balanço entre atacar esses chefões e escalar esses prédios destruídos e correr. Certamente é um ponto alto do jogo.

Por fim, existem diversos tipos de terrenos e sempre muito lindos. Você irá passar por lugares normais, por cidades destruídas, montanhas, lugares cobertos de neve, lagos, rios, florestas e etc. E sempre terá que equilibrar suas entregas com os inimigos, exploração do ambiente (vertical e horizontal), assim como com os desafios da natureza.

Escada mão na roda deixada pelos amigos

Uma interatividade magnifica em Strand e o peso do like

Kojima sempre falou que estaria criando um novo tipo de jogo. Que sua interatividade seria por strands (?!). Tenho que falar nesta analise que isso é um pouco de marketing para hypar Death Stranding, mas sim, nós temos algo fantástico em mãos. E sim, de certa forma é inovador.

Algo que talvez vocês tenham se perguntado é que porque somente o Sam seria o entregador, certo?! A verdade é que isso é uma falácia. O que acontece é que todos os jogadores se comunicam e enquanto na sua casa você é o Sam Bridges, todos os outros jogadores são entregadores normais. Com isso será possível pegar muito material perdido. E acredite é normal você perder alguma coisa que está carregando.

placa de perigo a frente

E não é somente dividir cargas. Ao longo do jogo é possível botar centenas de tipos de placas com avisos como “Cuidado com as Ep’s” “Força na peruca” “Fique feliz BB” “Uma curtida para você” e muito mais. As placas podem ser somente um aviso ou então eles podem efetivamente interagir com você como ganhar curtidas, fazer seu relacionamento com o BB melhorar, acelerar seu carro e mais.

Além disso, como falei acima, é possível construir diversas coisas no mundo além de poder deixar seus itens para outros, contribuir nas construção e até disponibilizar carros e itens na caixa compartilhada. E isso faz com que o mundo mude constantemente. Por exemplo, no meu jogo eu resolvi criar muitas autoestradas. A cada 10 minutos eu recebia notificações de dezenas de pessoas que tinham usado minha estrada. Isso sem contar que horas após eu estava usando a estrada dos outros.

Breaking the law

Um exemplo mais simples é a quantidade de escadas deixadas no mundo. Isso mostrava novas opções a cada minuto. E tudo pode ser curtido (Like). Aqui Kojima se aproveitou da tendência das redes sociais e a necessidade de interação para introduzir isso em seu jogo. Toda experiência no jogo é medida em Likes. Podem ser de cargas entregues, de tempo de entrega, de interação entre os jogadores e muito mais. Era comum ver estruturas com poucos likes e outras com milhares.

E quando era algo fundamental, tínhamos dezenas de milhares de likes. Um reconhecimento imediato. Ou seja, Death Stranding é um jogo que está em constante transformação e interação.

Falar com hologramas ao invés de pessoas….

Os tripé dos erros

Até aqui escrevi mais de duas mil palavras rasgando merecidos elogios a Death Stranding e a Kojima, mas essa analise não seria verdadeira se parasse aqui. A frase que muitos já ouviram de “esse não é um jogo para todos”, procede e muito. O que acontece é que o jogo erra em três grandes pontos que poderá ser um grande problemas para muitos.

O primeiro grande problema é que os personagens ao longo de sua jornada são desinteressantes. O jogo tem cerca de 40 horas (dependendo do seu interesse em fazer todas as entregas ou não) e você irá em dezenas de bases. Em cada uma das bases você será atendido por um holograma dos personagens que querem seu serviço prestado.

Os diálogos são bem básicos e 90% são: “Obrigado pela entrega” “precisava muito desses itens” “Só você mesmo pra vir aqui”. Ou seja, é chato andar andar e andar para não ter uma recompensa digna ou uma história boa (A história principal é excelente, mas a história/motivação entre as entregas é chato). De todas essas entregas somente dois personagens serão lembrados: o Heartman e a Mama. Isso porque eles até acabam virando principais no final do jogo. Além disso é muito chato interagir com hologramas sendo que as pessoas estão atrás de uma porta.

O segundo grande problema é que as missões são igualmente desinteressantes. O que te faz evoluir com um jogo? Uma recompensa seja no gameplay (que acontece no jogo) como algo que explique o mundo ou então evolua a história. Você ficará por horas somente fazendo entregas. Embora Death Stranding seja maravilhoso em muitas partes, ele peca em te empurrar muitas partes de mais do mesmo e sem uma recompensa adequada.

GG easy. Aqui já tinha virado ninja

Por fim, o terceiro grande problema de Death Stranding são os inimigos. Não me entenda mal, os inimigos tem coisas muito legais. A tensão de andar em um campo de Ep’s é sublime. Mas depois de mais de 30 horas andando do mesmo jeito entre as mesmas EP’s, fica enfadonho. Fácil eu diria. Afinal, o inimigo não evolui em nada. O mesmo vale para os MULAS. A única mudança é que eles começam com dardo/lança eletrificada e posteriormente trocam por granadas e arma de fogo. Não existe uma evolução propriamente dita. Sempre seguirá o mesmo padrão para todas as batalhas.

Em resumo, o jogo seria perfeito se demorasse umas 20 horas mais ou menos. Porém, para um jogo de 40 ou mais horas, faltou criatividade e evolução dos inimigos para deixar sua jornada mais atrativa. Além disso, faltou um equilíbrio melhor entre o ritmo da história em contraste com o gameplay.

A analise final de Death Stranding: Kojima mitou ou não?

Certamente essa analise foi a mais difícil que já fiz, afinal Death Stranding é um jogo muito esperado e de uma mente brilhante. E sim, Kojima mais uma vez brilhou entregando uma história completamente original e fantástica.

De um lado temos uma história completamente intrigante com excelentes atores e uma excelente atuação. Em diversos momentos temos as “kojimices” que dão um charme ao jogo. E claro, esperem um plot twist gigante no fim do jogo.

Adicionalmente temos um jogo perfeito na parte técnica com inovações. Gráficos absurdos, uma trilha sonora gostosa de se ouvir, um esquema de equilíbrio de peso muito bem incrementado e uma interação de conectividade revolucionária que muda o mundo a cada nova jogada.

Por outro lado, Death Stranding não é um jogo para todos! Diversas vezes ele será muito maçante sim e ficará focado em fazer dezenas de entregas sem uma evolução digna ou sem quests interessantes. Além disso o combate (comportamento do inimigo) é o mesmo do inicio ao fim com pouca evolução e, consequentemente, poucos desafios.

Em suma, Death Stranding é maravilhoso e Kojima está de parabéns. Porém, vale a pena ver se essas peculiaridades irão ou não afetar sua experiência e seu hype. Talvez, quem sabe, esperar uma promoção na Black Friday que já está tão perto?!

Kojima entrega uma grande experiência em Death Stranding

Visual, ambientação e gráficos - 10
Jogabilidade - 9.5
Diversão - 7.5
Áudio e trilha-sonora - 8.5
Conectividade e interação inovadora - 10
Personagens, história e ritmo - 8.5

9

Vale a pena, mas confira se é seu estilo antes de comprar

Todas as dúvidas sobre Death Stranding foram sanadas e sim, ele é maravilhoso. Em seu aspecto técnico ele é impecável e tem uma história memorável, porém não é um jogo para todos. Seu gameplay é exigente demais diversas vezes assim como seu ritmo de evolução.

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Leonardo Coimbra

Mestre supremo do Ultima Ficha, não manda nem em seus próprios posts. Embora digam que é geração PS2, é gamer desde o Atari e até hoje chora pedindo um Sonic clássico e decente. Descobriu em FF7 sua paixão por RPG que dura até hoje. Eventualmente é administrador e marketeiro quando o chefe puxa sua orelha com os prazos.
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