Análise: Dragon Ball Z Kakarot é como jogar o anime

Prepare-se para passar 40 horas com seus personagens favoritos

Quem nunca levantou a mão para ajudar Goku a fazer a Genki Dama? É com esse sentimento de fã que recebemos Dragon Ball Z Kakarot e me preparo para fazer sua análise.

Notemos um RPG de mundo aberto onde visitamos toda a história (sem filler) da saga Z. Ou seja, Começamos com o ataque dos Sayajins a Terra, passamos por Freeza, Cell e terminamos na Saga Boo. E é bom deixar algo bem claro nessa analise: Sim, Dragon Ball Z Kakarot é a mesma história que todos já conhecem! Caso isso não te agrade, é bom não comprar o jogo. Porém, pode deixar de ter uma ótima experiencia.

Sem mais delongas vamos iniciar nossa análise do jogo.

Oi, eu sou o Goku

Não vou falar da história de Dragon Ball Z Kakarot nessa análise por motivos óbvios, todos já sabem o que acontece. Caso nunca tenha visto a série na vida, saiba que um bando de homem bombado irão enfrentar outros homens bombados para salvar a Terra e o universo da destruição.

Ao longo da aventura existem diversos momentos marcantes e lições de amizade, mudança de personagem e mais. E é ai que vou focar. Para quem não sabe, a Cyberconnect2 é quem fez esse jogo e foram eles que fizeram a excelente franquia do Naruto Ultimate Ninja Storm. Conseguiram implementar um gameplay tridimensional impecável e cenas fiéis ao anime.

Em Dragon Ball Z Kakarot nós temos a mesma situação onde o jogo te passa a emoção apresentada no anime. Goku furioso se transformando em Super Sayajin. Gohan se transformando em Super Sayajin 2 e aniquilando Cell. E claro, o eterno sacrifício de Vegeta contra Boo. Toda a emoção que a série apresentou, o jogo consegue replicar com maestria e em muitos detalhes.

Infelizmente nem todos os detalhes são replicados como por exemplo, Bulma se transformando em sapo em Namekusei. Ou então os Androides 16, 17 e 18 sendo acordados e destruindo o Dr. Gero. Muitas partes “menores” da história serão contadas ou através do narrador ou simplesmente não aparecerão. Não é nada que irá quebrar sua experiência, mas é algo que os fãs podem se incomodar.

Felizmente, outros momentos estão dentro do jogo, como o clássico momento em que Goku e Piccolo saem para tirar carteira de motorista que inclusive vira um mini game depois. Outra boa notícia, é que a trilha sonora que todos os fãs amam está dentro do jogo e é impecável.

Por fim, vale dizer que a dublagem (japonesa) está muito boa e o jogo conta com legendas em PT-BR. Uma vez ou outra aparece um texto em inglês, mas nada que um patch não resolva.

Vamos procurar as esferas do dragão

Como mencionei no início dessa análise, Dragon Ball Z Kakarot é um jogo de mundo aberto e muito pode ser feito entre uma e outra batalha que irá andar com a história.

É possível tanto andar em alta velocidade como voar por diversos lugares icônicos. E durante essas viagens é possível coletar inúmeros orbs de diferentes cores que irão liberar habilidades futuras (falarei no próximo capítulo sobre isso). É extremamente divertido e prazeroso voar pelo mundo destruindo muitas pedras gigantes e sair coletando tanto esses orbs como os muitos itens.

Os itens são os mais diversos, pode ser comida (para fazer refeições), itens que lhe darão dinheiro, peças robóticas e mais. Cada item terá um utilidade específica e é possível perder horas procurando os mais raros seja por prazer pessoal, para atingir algum objetivo ou para cumprir uma missão.

Claro que também é possível procurar as icônicas esferas do dragão e realizar seu desejo. Elas ficarão inutilizáveis por 20 minutos até poder procurá-las novamente. Os desejos vão de ganhar mais dinheiro, itens e orbs a reviver inimigos para poder lutar contra eles novamente.

No geral esse modo de exploração funciona e é bem legal, porém, algumas vezes ele pode não ser tão amigável e preciso como gostaria. E claro, diversas vezes me peguei em tédio nas missões que tinha que achar um item específico. Voei por minutos procurando um item até conseguir achá-lo. Isso acontece e não é raro.

Dragon Ball Z Kakarot acerta na luta

Chegamos ao grande destaque do jogo, afinal se fala de Dragon Ball, você quer ver muita gritaria, socos e raios de energia. No geral eu gostei muito do sistema de batalha, pois é uma bagunça organizada.

Você terá movimentos básicos como ataque normal, bola de energia, perseguição, esquiva (infinito) e defesa. Adicionalmente será possível equipar até quatro golpes super disponíveis (kamehameha, masenko, etc). Caso seu personagem possa se transformar, será possível ativar a transformação (quanto mais forte, mais ki será usado). E por fim, caso lute com aliados, será possível fazer com eles ativem especiais na luta para te ajudar.

No geral a luta flui bem (depois que pega o jeito), mas ela pode ser frustrante. Se o inimigo for muito mais fraco que você, será muito fácil. Mas se ele for um pouco mais forte, você demorará um bom tempo até derrotá-lo. Por sorte (e por ser um RPG) é possível equipar diversos itens de cura e utilizá-los sem nenhuma restrição. E claro, a estratégia básica é esquivar compulsivamente.

De forma resumida, o combate representa muito bem o que é Dragon Ball Z, incluindo na sua bagunça de poderes, raios e quantidade de inimigos. Tem horas que agrada muito e tem horas que temos uma pequena frustração.

A parte boa do RPG

Dragon Ball Z Kakarot é apenas coletar bolas, itens e lutar? Não mesmo! Agora chegamos na parte análise que vamos falar se o sistema de RPG implementado em Dragon Ball Z Kakarot é bom ou não (spoiler, podia ser MUITO melhor).

O que mais agrada nesse sistema sem sombra de dúvidas é o desbloqueio das habilidades dos personagens. Cada personagem principal terá muitas dezenas de golpes que poderão ser desbloqueados. Para tal é necessário coletar o número correto de orbs e ter um nível específico ou então ter passado de um certo ponto da história.

O interessante é que a Bandai não se limitou a colocar somente um golpe, mas evoluções mais poderosas. Como exemplo vamos utilizar o Kamehameha. Para o Goku, existe ele básico, depois nível dois e três. Após isso tem o Super Kamehameha níveis um a três. E depois? Kamehameha guiado níveis 1 a 3. Basicamente todos os golpes tem variações e níveis que vão te consumir horas para liberar tudo. É extremamente viciante.

Outro ponto positivo desse RPG é a comunidade. O jogo fez diversas comunidades onde cada uma lhe dará bônus ao longo do jogo. O mais correto é você focar em algumas que tenha mais interesse como ganhar mais orbs, experiência, ter bônus de ataque e por ai vai. Mais um aspecto interessante, porém cansativo, é a parte de alimentação. Ao buscar várias comida pelo mundo, você pode fazer uma refeição e ganhar inúmeros bônus além de aumentar seus próprios status. Uma observação é que esses efeitos duram poucos minutos e poderia durar bem mais.

A parte fraca do RPG

Embora Dragon Ball Z Kakarot tenha boas ideias, ele acaba falhando como RPG em um todo. Um exemplo é que as missões secundárias são fracas demais. Normalmente é pegar algum item ou bater em algum NPC que é mais forte porque mudou de cor. Existem alguns diálogos engraçados, mas outros são apenas ok. E o motivo de você fazer essas missões é por causa de outro problema do jogo.

Em um RPG é comum poder “grindar”, ou seja, matar inimigos para ganhar XP e ficar mais forte. Sim, isso é tecnicamente possível fazer no jogo, mas é quase impossível. Como exemplo, você precisa de um milhão de experiência para subir de nível. A luta contra um, NPC do seu nível te dá vinte mil pontos. Ou seja, lutar contra eles e nada dá a mesma coisa. Já uma missão secundária pode te dar esse milhão logo de cara, ou pelo menos algumas centenas de milhares.

Embora o jogo brilhe na luta, história e nas habilidades para desbloquear, você tem um árduo caminho entre esses momentos.

Dragon Ball Z Kakarot é ou não é o jogo definitivo da franquia?

No geral Dragon Ball Z Kakarot é sim uma boa experiência e é obrigatório para os fãs da franquia. Posso lhe assegurar que irá se divertir com o jogo por suas mais ou menos 40 horas de duração e vai se emocionar com as inúmeras icônicas cenas da história.

Porém, quando você olha para o todo como um jogo e os elementos de RPG, o jogo deixa a desejar. Não tem uma falha grave, mas existem inúmeros elementos que são cansativos. Isso acaba tirando um pouco do brilho do jogo, incluindo algumas boas mecânicas que precisam funcionar com essa parte chata.

Vale lembrar que o jogo receberá updates futuros tanto pagos como gratuitos que irão expandir/ melhor a experiencia no jogo.

Dragon Ball Z Kakarot

Visual, ambientação e gráficos - 9
Jogabilidade - 8
Diversão - 8
Áudio e trilha-sonora - 9
RPG aplicado a Dragon Ball Z - 6.5

8.1

Uma ótima experiência para os fãs

No geral Dragon Ball Z Kakarot é um ótimo jogo e irá agradar em cheio aos fãs. Ele está longe de ser perfeito, mas é um excelente primeiro passo para que a Cyberconnect2 faça com DBZ o que fez em Naruto.

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Leonardo Coimbra

Mestre supremo do Ultima Ficha, não manda nem em seus próprios posts. Embora digam que é geração PS2, é gamer desde o Atari e até hoje chora pedindo um Sonic clássico e decente. Descobriu em FF7 sua paixão por RPG que dura até hoje. Eventualmente é administrador e marketeiro quando o chefe puxa sua orelha com os prazos.
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