Análise: Trials of Mana é remake que vale apena conferir

Vindo de um material quase inédito no ocidente, Trials of Mana fecha a primeira da série Mana.

Trials of Mana é a conclusão da primeira trilogia “Mana” da Square Enix. Diferente dos outros dois, a versão original desse jogo nunca chegou ao ocidente. Sua estreia em nossas terras se deu conta do Collection of Mana de Nintendo Switch e agora por meio deste remake.

Recebendo um tratamento um pouco melhor em comparação aos dois anteriores, Trials of Mana mostra grande potencial. Contudo, resta saber se esse potencial está sendo bem aproveitado.

Três histórias, seis protagonistas

Em Trials of Mana temos seis protagonistas:

  • Duran – Servo leal do Hero King e o clássico usuário de espada
  • Angela – Princesa e usuária de magia elemental, está numa jornada em busca de proteger a vida do irmão
  • Charlotte – Sabe usar magias de cura e está numa jornada para encontrar o clérigo Heath
  • Kevin – Príncipe do reino dos homens bestas, ele se transforma durante a noite para ficar mais poderoso
  • Hawkeye – Um ladrão que foi sentenciado como assassino do seu amigo de infância, usuário de adagas e em busca de se provar inocente
  • Reisz – Princesa e capitã do exército de amazonas, usa uma lança

Sua party pode ser composta por três desses personagens, onde a narrativa será moldada de acordo com o principal. Tendo os outros dois como suporte narrativo e de combate. Consequentemente não é necessário jogá-lo seis vezes distintas, já que cada dois personagens compartilham o mesmo final boss.

Por mais que cada um tenha sua história, quando recrutamos os outros membros da party somos entregues ao flash back de tudo que ocorreu até aquele momento. O flash back pode ser apresentado duas maneiras, cabendo ao jogar escolher entre apenas ver a história ou jogá-la.

Contudo, se você for jogar essa introdução deverá saber que os itens e afins que forem obtidos durante o flash back não serão mantidos quando ele terminar.

Inclusive, em todas as histórias envolvem a busca pela lendária Sword of Mana e a uma fadinha usando o seu personagem principal como receptáculo. A maior diferença é a introdução de cada personagem e como chegou até a fadinha, fora isso… O jogo é o mesmo até o final da primeira metade. Mudando apenas na segunda metade, quando o vilão daquela rota consegue ganha o seu merecido destaque.

A história é linear, leve e bastante direta. Quase não há diálogos desnecessários, fazendo com que o ritmo não se torne algo maçante. É algo divertido para passar o tempo, então não espere algo tão profundo em comparação aos jogos de hoje em dia.

Infelizmente a dublagem não pode ser elogiada, uma vez que às vozes não parecem casar muito bem com os personagens ou é notável uma leve falta de emoção vindo por parte dos artistas.

O mundo entregue a você

Trials of Mana possui um mundo até que bastante livre, dentro de seus limites ou locais que só liberam passagem de acordo com o seu avanço na história. No mapa, o seu objetivo é sempre marcado com uma estrela, impedindo que você se perca e dando oportunidade para que explore outras rotas sem que perca seu rumo.

A construção dele é bastante colorido e animador, apesar de simples e as vezes sofrendo com pop-up de textura.

Além disso, há horário matutino e noturno no jogo que acaba influenciando em algumas coisas:

  • Durante a noite surge zumbis em florestas
  • Durante a noite, Kevin se transforma em besta quando inicia combate
  • Alguns locais só ficam abertos durante a noite e outros durante o dia

O único ruim é que a mudança de turno não ocorre de forma natural. O jogo pausa e surge a mensagem de que é dia ou noite. Isso é um detalhe a parte, mas que acaba nos dando aquele freio forçado, uma vez que outros jogos de gerações passadas já faziam a transição sem necessidade desta pausa.

Trials of Mana é simples e agradável

A jogabilidade de Trials of Mana é bastante simples se baseando em um botão para esquiva, outro para salto, golpe forte (que pode ser carregado), golpe fraco e poucas combinações para golpes especiais. A lista de comandos é fácil de decorar, não exigindo muito do jogador. O sistema de batalha é bastante fluído e relaxante.

Mas que infelizmente tem seus pecados, como o target não ser dos melhores e as vezes a câmera te zoar, ficando muito encostada num canto.

O jogo não tem telas de carregamento quando inicia combate, apenas surgindo a HUD de batalha no momento certo e ela sumindo após a sua conclusão.

Os inimigos por sua vez são diversos e alguns possuem suas peculiaridades como escudo defensivo, só surgir durante a noite, poder voar e etc. O destaque vai para os chefes que apesar de serem potencialmente fáceis, conseguem ser ainda o momento de “maior” desafio do jogo.

Todo inimigo quando vai realizar um ataque mostra uma área em vermelho indicando o local que será alvejado pelo ataque. Deste modo, você tem uma previsão sobre onde deverá desviar. Contra inimigos comuns é bastante simples evitar os golpes, porém, ao confrontar os chefes o negócio já complica um pouco pela área alvejada ser normalmente grande ou o tempo de espera ser menor. Independente disso, ainda é fácil.

Algo importante em Trials of Mana é a mudança de classe. Ela deixa o seus personagens mais fortes e consequentemente libera novas habilidades. Os ataques especiais, você tem um por cada evolução, deste modo esse sistema se torna importante para que você possua variações em suas ofensivas.

Infelizmente demora um pouco para conseguir as mudanças de classe, fazendo com que seja até levemente frustrante ficar com apenas um golpe especial até conseguir a primeira troca.

Também vale citar que o jogo trouxe uma quarta troca de classe para todos os personagens. Se você tiver uma dúvida de qual optar, poderá ver no site oficial as suas opções.

Trials of Mana

Trials of Mana tem um potencial desperdiçado

Aqui temos um caso de um bom jogo que é notável que poderia ser melhor. Seja em seus gráficos, animações bastante pesadas, construções dos cenários ou os dois defeitos que mencionei no combate. Obviamente, eu joguei não esperando um Final Fantasy VII Remake, mas algo bem feito dentro de sua proposta.

Por mais que o intuito seja um ser um jogo simples, ao jogá-lo podemos sentir que algumas coisas foram feitas sem um refinamento, sem um cuidado a mais. Por exemplo, poderiam ter contratado dubladores melhores para dar mais vida aos seus protagonistas.

Repito, o jogo é bom, mas não teve o carinho merecido em sua produção.

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Essa análise segue nossas diretrizes internas. Clique aqui e confira nosso processo de avaliação.

Trials of Mana é bom, mas poderia ser melhor

Visual, ambientação e gráficos - 6.5
Jogabilidade - 7
Diversão - 8
Áudio e trilha-sonora - 6
Narrativa - 6.5

6.8

Bom

Pode não valer o preço cheio, uma vez que é notável que a experiência dele poderia ser melhor do que essa que foi entregue. Contudo, é um jogo que vale apena experimentar num futura promoção. Ele é capaz de cativar e relaxar os jogadores após um dia cheio de trabalho.

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Anderson Mussulino

Publicitário louco por toda a cultura geek. Redator do Última Ficha e apaixonado por jogos que vem da terra do sol nascente.
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