Análise: Dragon Quest Builders redefine e melhora o conceito de Minecraft

Antes de mais nada queria iniciar este review falando que não gosto de Minecraft. Eu sei que seu gênero da muitas possibilidades, mas esse sentimento de falta de objetivo me deixa louco e tenho 0 atração por ele. Porém, ao jogar Dragon Quest Builders eu pude enxergar com mais clareza todo o potencial desse estilo e como a adição de fatores chaves podem faze-lo num RPG muito interessante, divertido e viciante.

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Acorde escolhido e reconstrua o mundo. Ei, você dormiu?

A história de Dragon Quest Builders é muito simples e já foi utilizada em outros Dragon Quests. O Demonlord destruiu o mundo tirando o poder de criatividade das pessoas. Cabe a você, um herói por muito tempo adormecido, reconstruí-lo após ser acordado e guiado pela toda poderosa deusa deste mundo.

Certamente a história é clichê, mas o que acontece logo em seguida é completamente inesperado e dita bem o ritmo do jogo. Você dorme a cada explicação dada pela deusa e caga ignora todas suas instruções. Isso já manda uma mensagem BEM CLARA: Esse jogo não é para crianças e vai envolver muitas piadas e um humor ácido.

A sua missão é ser o grande construtor do mundo e cada fase é composta por uma nova cidade/povoado que inicialmente sempre desconfiam de você. As missões e influências são as mais distintas indo de pedidos religiosos, tratar de doentes, passando por piadas de quem tem interesse em quem e indo até a importância de construir uma sauna coletiva para tomar banho com outros… A chance de você rir com os pedidos e comentários é bem grande.

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Mecânica de Minecraft e sua transformação em um RPG

Algo que nunca neguei em Minecraft era seu potencial de criação e exploração. Você tem a liberdade de explorar aquele mundo, recolher muitos itens e criar o que quiser. Porém, na minha opinião, o jogo peca em não ter objetivos (e convenhamos, é feio).

Em Dragon Quest Builders eles pegam esta mecânica e o transformam em RPG. Inicialmente estava incrédulo se realmente funcionaria, mas quanto mais jogava mais me apaixonava. Além da livre construção, você é obrigado a seguir com a história para liberar novos portais que o levarão a novos pontos deste mundo que terão novos itens. As quests dadas pelos moradores de sua vila te levam a uma progressão natural do jogo e seu incentivo é o aprendizado de novas construções. Inicialmente minha primeira cidade era um cafofo sem nenhuma grife, mas depois de um tempo, ele tinha se tornado uma fortaleza impenetrável (confesso que ficava vendo os inimigos sofrerem e reclamando ao não conseguir entrar na minha cidade).

Além das quests principais, você poderá encontrar side quests  que não estão explicitas. Algumas serão encontradas através de NPC´s (monstros amigáveis) e outras estarão ocultas, como fechar aquele mundo/fase em até 30 dias.

E por fim existe o sistema de Level Up. Como é dito no início do jogo, nada adianta você matar monstros, pois isso não o fará subir de level, porém, é possível (ao completar quests) aumentar sua vida. Também, com a coleta de materiais, você constrói armas, escudos, armaduras e itens que claramente irão aumentar sua resistência e sua força.

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A alegria de construir e a tristeza de lutar

É incrivelmente prazeroso coletar itens e construir em Dragon Quest Builders. O sentimento de recompensa é muito bem balanceado, pois a cada nova missão e a cada novo portal você encontrará novos itens para ficar quebrando e coletando. Posteriormente você terá o suficiente para fazer uma nova comida, ou armadura, ou itens para casa. Algo que ajuda muito nesse vício é a fofura e beleza do jogo.

Certamente Dragon Quest Builders não nos brinda com gráficos ultra realistas, mas seus personagens fofos (feito pelo mestre Akira Toriyama de Dragon Ball) e uma estética muito fiel ao mundo de Dragon Quest, oferecem diversas possibilidades e construções bem agradáveis para os jogadores. Durante a coleta de materiais para essas construções, existem dois grandes facilitadores: O primeiro é um baú gigante que ao construir você tem acesso a todos os itens coletados de qualquer parte do mundo. O segundo é o clássico giro carregado (à la Zelda) que permite que destrua diversos blocos por vez. Isso otimiza muito o processo de construção.

Porém, e aqui vão minhas duas críticas ao jogo, nem tudo são flores. O combate em si é extremamente simples. Um único botão de ataque que pode variar entre um ataque simples e um carregado. O que muda é a frequência do ataque dependendo da arma que você construiu. Aqui senti que o jogo poderia melhorar muito, pois ao se falar de um RPG, você espera um sistema minimamente complexo. Essa complexidade se limita ao uso de alguns itens específicos que podem ser usados contra os monstros. Particularmente gostei muito da bomba que tem um grande poder e destrói uma grande área. Mas no meio desta simplicidade, as lutas com os bosses se salvam. Elas normalmente demandam uma boa estratégia, agilidade e a necessidade de construir itens especiais.

E minha segunda e última crítica, fica para a câmera do jogo. Ela em diversos momentos é confusa e especialmente confusa quando está dentro de ambientes fechados.

Multiplayer

Algo que é famoso nesse gênero é a liberdade de construir sem fim. Embora isso seja possível nos mundos do jogo, você fica limitado as invenções de cada mundo. Para isso, foi-se criado mais um novo mundo chamado Terra Incognita. Esta é a opção multiplayer que consolida todos os seus conhecimentos e te da liberdade para construção infinita.

E não para por ai, é possível compartilhar sua cidade com seus amigos e vice versa. Também existe a possibilidade de entrar em portais (esses com monstros) para coletar itens para suas construções. A cada novo mundo concluído no modo história, um novo portal é disponibilizado. Por fim é possível entrar em um portal específico que é uma arena de desafios onde você enfrenta hordas de monstros.

Embora seja bem vindo, este modo ainda está muito simplista. Não tem como você interagir com as outras cidades e vice versa e interação acaba sendo bem limitada. Esse modo certamente deverá ser o mais aprimorado caso a Square pense em fazer uma continuação.

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Conclusão

Nunca achei que fosse gostar de um jogo no estilo Minecraft, porém, Dragon Quest Builders não só me fez mudar de opinião como me viciou de uma forma inesperada. Seu humor adulto me pegou de jeito e sua progressão a cada novo mundo era uma adição necessária para o estilo o transformando num ótimo RPG. Infelizmente o combate poderia ser mais bem trabalhado e a câmera te deixa tonto de vez em quando, mas nada que ofusque este viciante jogo. Esta maravilha é recomendada para todos os públicos e uma ótima porta de entrada para os preconceituosos como eu.

notas

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Leonardo Coimbra

Mestre supremo do Ultima Ficha, não manda nem em seus próprios posts. Embora digam que é geração PS2, é gamer desde o Atari e até hoje chora pedindo um Sonic clássico e decente. Descobriu em FF7 sua paixão por RPG que dura até hoje. Eventualmente é administrador e marketeiro quando o chefe puxa sua orelha com os prazos.
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