Análise: World of Final Fantasy é uma grata e incrível surpresa

Quando você procura qualquer coisa sobre World of Final Fantasy, sua primeira impressão é a de que ele é um jogo infantil por sua fofura. Porém, o título tem muitas outras camadas debaixo dos personagens inspirados em Pop Funko e, posteriormente, apresenta uma história única e sombria com muitos Plot Twits de cair o queixo. A nostalgia é garantida quando invocarmos personagens clássicos como Cloud, Tifa, Lightning, Tidus e muito mais.

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Conheça os irmãos Lann e Reynn

Tudo começa de forma bem despretensiosa. Lann acorda para trabalhar na cafeteria e se dá conta de que a cidade está vazia demais (apesar disso, ela serve um café para a única cliente presente na loja). Nisso sua irmã, Reynn, aparece desesperada e chama a atenção dele para o fato de que a cidade está completamente vazia. Não somente isso, ela aponta que tem um ser fofo na cabeça dele.

Essa introdução um tanto quanto curiosa dita as personalidades dos dois personagens e mostra como a história será apresentada. Lann é o rapaz desengonçado e que faz piadas ruins. Muitas vezes recebe bullying não só de sua irmã, mas de todos os personagens. Já Reynn é a garota sagaz e com pensamento crítico que por diversas vezes lidera a party e organiza as estratégias. Claro, que não podemos esquecer da criatura fofa, chamada Tama, que será sua parceira fiel nas próximas dezenas de hora de jogo.

Essa sua cliente, Enna Kros, informa que os irmãos perderam suas memórias e que eles eram poderosos domadores de miragens (Tama e muitos outros que vivem no mundo). Para auxiliá-los, Kros diz que se eles se aventurarem no mundo de Grymoire, eles poderão domar mais miragens, se tornar mais fortes, e recuperar suas memórias. E assim a aventura é iniciada.

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Grymoire é nostalgia pura

Ao entrar em Grymoire, Lann e Reynn ganham a habilidade de ficarem super fofos. Digo, ganham a habilidade de se transformarem em Lilikins. Neste mundo, quando estão em sua forma normal, eles são chamados de Jiants (gigantes) e, ao diminuírem de tamanho, eles viram os Lilikins.

A forma Lilikin é a predominante em Grymoire e é como todos os NPC´s serão representados. Não sei se foi de propósito ou não, mas eles lembram muito a série de bonecos Pop Funko (com um fator fofura imensurável). Suas animações também são muito fofas. Até os Behemoths, seres mais assustadores da série Final Fantasy, são extremamente simpáticos. Isso dá um ar único ao jogo.

Outro ponto alto do jogo é que ao andar neste mundo, os protagonistas encontrarão personagens clássicos que irão interagir com eles (todos em sua forma fofonilda Lilikin). Como estão sem memórias, eles são os chamados “Jiants from the Hill” e são auxiliados através da profecia que todos desse mundo conhecem. Dentre os personagens que você poderá encontrar, temos:

Warrior of Light e Princesa Sarah (Final Fantasy); Refia (Final Fantasy III); Rydia (Final Fantasy IV); Bartz Klauser, Gilgamesh e Faris Scherwiz (Final Fantasy V); Terra Branford, Edgar Roni Figaro e Celes Chere (Final Fantasy VI); Cloud Strife, Tifa Lockhart e Shelk Rui (Final Fantasy VII e seu spinoff companion media); Squall Leonhart e Quistis Trepe (Final Fantasy VIII); Vivi Ornitier e Eiko Carol (Final Fantasy IX); Tidus e Yuna (Final Fantasy X); Lightning e Snow Villiers (Final Fantasy XIII) e Sherlotta (Final Fantasy Crystal Chronicles: Echoes of Time). Todos (ou quase todos) esses personagens poderão ser invocados para ajudar durante as lutas.

Entretanto, ao longo de sua jornada, Lann e Reynnn ouvem por diversas vezes que os “Jiants from the Hill” da profecia podem trazer tanto a luz quanto a destruição. Sem suas memórias, a inocente dupla segue acreditando que o que estão fazendo é o melhor para o mundo (tudo isso com ótimas e péssimas piadas ao longo do caminho) e continuam a jornada.

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Piadas do Tiozão do almoço de domingo

Aqui, temos um divisor de águas. Particularmente, eu gosto de piadas bobas, logo, eu adorei o senso de humor do jogo. Porém, se você precisa de um humor mais refinado e com críticas a sociedade, esse não é o seu jogo. Para quem não se importa com isso ou até gosta de um humor pastelão e descontraído, você vai rir a cada 5 minutos.

Algo que acontece muito durante o jogo é o bullying com Lann, como já mencionei anteriormente. Esse bullying é intenso e não é somente sua irmã que o faz, Tama dá uma grande ajuda nessa empreitada (os NPC´s entram na brincadeira de forma natural). Ainda, eventualmente, tanto Tama quanto Reynn têm seus momentos de besteirol, em que até Lann aproveita para dar umas cutucadas.

Uma coisa muito interessante no jogo é o fato de que raramente a sua jornada será silenciosa. World of Final Fantasy é sim um RPG linear e os irmãos fazem um ótimo trabalho em deixar sua aventura agitada com diversos comentários. A cada novo cenário, eles sempre estão comentando sobre o ambiente, sobre a profecia, como estão cansados de andar ou então estão fazendo um bullying clássico.

É legal que por diversas vezes eles fazem referências a coisas do nosso mundo e questionamentos que nós faríamos. Por exemplo, após matar inimigos e recolherem muitos Gil (dinheiro do jogo), eles se perguntam: “Ei, por que inimigos carregam dinheiro?” E a resposta é a melhor possível: “Ué, porque Deus quer!” E um detalhe importante, você encontra Deus logo no início do jogo. Outro momento que marcou para mim é que em certo momento eles são teletransportados algumas vezes e o Lann puxa a brincadeira de “Preparar para entrar na velocidade Warp” (isso gera um debate entre os três sobre o quão rápido é a velocidade Warp).

Isso tudo mostra que os irmãos são pessoas normais que nem nós, que estão descobrindo e se divertindo a cada novo encontro em Grymoire. Inclusive, isso é uma premissa do jogo, pessoas normais descobrindo o mundo de Final  Fantasy.

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Empilhar miragens na cabeça e fazer summon dos personagens

Antes de jogar este jogo, algo que havia percebido era que ele parecia ser uma espécie de Pokémon ou Digimon. A realidade é que World of Final Fantasy pega emprestado mecânicas de ambos os jogos e inova em sua forma própria. Antes de mais nada, vale dizer que ele segue a mecânica de J-RPG através de lutas por turnos (foi assim que a série ficou conhecida). Algo que achei muito prático é que ao pressionar o R1, você acelera a velocidade da luta e das animações, ou seja, as lutas que em certo momento seriam chatas se tornam rápidas e dinâmicas.

Para montar seu time você precisa ter uma miragem Pequena (S), Média (M) e Grande (L). Quando os personagens estão em sua forma Jiant, eles são L, e quando estão em sua forma Lilikin, eles são M. Isso serve para você montar 2 times, sendo que cada um pode ter suas miragens únicas e suas habilidades. Durante a luta, você pode deixar os 3 personagens empilhados ou então desmontar seu time e ter mais personagens para atacar. E é aí que entra a estratégia para derrotar seus inimigos, já que eles também têm esse poder de empilhar.

Na hora de montar seu time você tem que levar tudo em consideração. Quer ter um time com mais resistência ou ataque? Qual será o melhor elemento para cada cenário? Quer mágica de healing ou de assist? E não é só isso, o sistema de upgrade lembra muito o de Final Fantasy X, que consiste em nodos de habilidades vão sendo liberados com o tempo e experiência. Por fim, alguns desses nodos são vazios. Neles, pode-se plantar sementes de habilidades de acordo com sua preferência/estratégia.

Além da luta básica, existem os summons. Eles são dois tipos: o Summon normal (como Cerberus, que é seu primeiro summon) e o Champions (que consiste na invocação dos campeões).  No primeiro, Lann e Reynn ficam sentados no personagem invocado e usam os golpes colocados nele. O modo Champions é autoexplicativo. Devo admitir que é extremamente divertido quando se junta energia o suficiente para chamar Cloud para chutar bundas! Você pode deixar até 3 personagens em sua lista de summon e cada um deles terá uma forma de ataque (Cloud faz um ataque físico e Snow um ataque de neve, por exemplo). Por fim, os mesmos sempre dão algum tipo de boost em sua party.

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Nine Wood Hills

Essa é sua cidade origem e ela será o Hub do mundo com conexão a todas cidades e dungeons. A primeira grande utilidade é que ela será a sua forma de fast travel para onde quiser.

Além disso, em Nine Wood Hills será possível de se encontrar personagens como a Serafie, que irá gerenciar suas miragens capturadas (curiosamente só pode-se pegar 150 miragens), ou conversar com a Chocco Latte, que irá lhe vender todos os itens do jogo, como poções, remédios e sementes de habilidade.

Existe também um simpático Tonberry, que é o guardião do Coliseu, onde você poderá enfrentar diversos desafios de luta e ganhará itens caso tenha sucesso nas mesmas. Nele, também é possível de se capturar as miragens (foi aqui que capturei a Shiva e Ifrit).

Outro lugar a se explorar é o quarto do chá onde o tempo não passa. Lá você poderá aceitar pequenos desafios, descobrirá a história de algum dos campeões do jogo, e lutará as lutas “com eles”. Algumas vezes será necessário aceitar missões específicas para continuar a história.

Finalmente, você terá acesso ao Multiplayer para batalhar com seus amigos no melhor estilo Pokémon/Digimon. Esse modo, infelizmente, não estava disponível durante o período de Review.

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Que jogo!

Certamente eu esperava que World of Final Fantasy fosse um bom jogo e que fosse divertido, porém, ele me surpreendeu de forma absurda. Ele não se limita a ter uma história boba copiando mecânicas existentes, o jogo vai muito além disso. Ele cria uma mecânica própria e elaborada para montar os times e dar liberdade de acordo com as suas preferências. A história é bem descontraída e cheia de plot twists. A jornada vai devolvendo a memória aos irmãos e quando eles lembrarem de tudo, você ficará boquiaberto. Como chave de ouro, não poderíamos deixar de falar da estética do jogo, que é magnifica e MUITO fofa, assim como suas animações.

notas

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Leonardo Coimbra

Mestre supremo do Ultima Ficha, não manda nem em seus próprios posts. Embora digam que é geração PS2, é gamer desde o Atari e até hoje chora pedindo um Sonic clássico e decente. Descobriu em FF7 sua paixão por RPG que dura até hoje. Eventualmente é administrador e marketeiro quando o chefe puxa sua orelha com os prazos.
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