Análise: Exist Archive: The Other Side of the Sky

Exist Archive: The Other Side of the Sky é um RPG dinâmico de turnos produzido pela Tri-Ace em conjunto da Spike Chunsoft. Sua maior inspiração é o RPG clássico da Square Enix que há muito tempo não dá as caras numa nova sequência: Valkyrie Profile.

Desde seu anuncio já era notável que este poderia ser o sucessor espiritual do saudoso game, porém, em meio da jogatina pude notar que Exist Archive não tenta apenas utilizar os mesmos conceitos apresentados há anos atrás. Ele busca, com ousadia, conseguir o seu próprio legado e não ser visto apenas como uma alternativa B para os fãs.

ENREDO PROMISSOR E ENVOLVENTE

A história é a sua qualidade principal. A primeira coisa que atrai os jogadores é a narrativa envolvente do game. Logo de inicio temos uma animação mostrando o trágico acidente de um casal de adolescente que acaba sendo salvos por um estranho fenômeno. Logo após isso, somos presenteados com a narrativa de Kanata, o personagem principal, que tem o fundamental papel de ser o protagonista narrador.  Ele acorda num estranho mundo repleto de cristais, posteriormente, acaba conhecendo uma garota que perdeu a maior parte de suas memórias e apenas consegue lembrar-se que seu nome é Mayura. A dupla passa a vagar por aquele mundo. Chegam a acreditar que estão mortos e aquela é a pós-vida. Porém, a situação não é tão simples assim.

Com o desenrolar da história encontramos novos personagens, entendemos o sentido daquele mundo, o porquê deles estarem lá, o passado de cada um, o motivo de querem voltar para o mundo no qual pertencem e a missão deles. Todas essas informações vão sendo entregues em poucas doses, fazendo com que o jogador consiga digerir tudo com calma e pensar sobre. Lições de moral estão presentes. Em alguns momentos podemos ver como o plot é bem mais maduro do que aparenta. Também é necessário dar uma medalha de ouro em terem construídos personagens tão carismáticos e alguns bastante únicos (Ren e Koharu são dois exemplos).

A mitologia presente é algo forte e que, se bem trabalhada, pode garantir novas sequencias a ponto de tornar esse game uma grande franquia da Tri-Ace. O primeiro passo já foi dado.

Outra coisa que me deixou surpreso foi o fato de não apelarem para um fanservice poderoso de cunho sexual (algo bastante presente nos jogos atuais vindos do oriente). Existe DLC de biquínis? Existe. Mas não é fixado no game. Tampouco obrigatório. Existe decotes? Existe. Mas não são focados.

COMBOS & EXPLORAÇÃO: GAMEPLAY

O jogo é um RPG sidescroll. Algo já conhecemos com Valkyrie Profile, Muramasa e, mais “recente”, Odin Sphere. Nos belos mapas você anda, pula, ataca os inimigos para ter vantagem de iniciar primeiro o combate e etc. Com o tempo vai liberando habilidades que podem ser utilizadas para aperfeiçoar a sua experiência na exploração. Por exemplo: Salto duplo e deslizar no chão.

Existem itens escondidos, passagem de difícil acesso, main quests e quests alternativas (que são bem fracas por serem a mesmas coisas das main quests, mas sem história).

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Enquanto isso, o sistema de combate é um ponto forte. Existe uma barra, existe seus personagens e o custo de suas ações. Você pode atacar, usar magias e itens a vontade, no entanto, não pode ultrapassar da barra que citei. Toda e qualquer ação consome um tanto determinado dela, e acaba sendo impedido de fazer qualquer coisa quando ela chega ao limite. Logo em seguida, seu turno acaba. Cada um dos quatro membros do grupo representa um botão (por exemplo: Kanata – Quadrado; Mayura – X; Mitsuhide – Triangulo e Suzaku – Círculo), você aperta os botões com ações pré-programadas para que a sua party as cumpra e, assim, forme combos contra os oponentes. À medida que vai fazendo hits consegue acumular um contador que lhe permite utilizar os golpes especiais que são de extrema utilidade. Quando seu turno chega ao fim é a hora de se defender. Ainda utilizando daquela barra de ações, você pode dar guard em quem você acha que será atingido. Se não defender será presenteado com um considerável aumento no limite de suas ações, possibilitando que faça uma ofensiva ainda mais poderosa no próximo turno. Fora isso, também deverá prestar atenção no posicionamento dos quatro membros de sua party. Aqueles que se encontram na frente causam mais dano, mas também sofrem mais, enquanto os que estão atrás possuem um bônus na defesa e, infelizmente, uma diminuição em seu ataque.

Cada golpe tem seu alcance, seu tempo de execução e quantidade de hits. Entretanto, o jogo não apresenta essas informações e obriga o jogador a experimentá-los para saber qual vale mais apena e quando deverá utilizá-lo para não quebrar uma sequência.

Esse sistema é divertido e faz as batalhas serem rápidas. Porém, algumas vezes inimigos desaparecem antes do tempo normal e isso acaba atrapalhando a realização dos combos para usar algum golpe que atinja todos os inimigos. Também devo citar que muitas vezes ocorre certa repetição nas batalhas que também diminui um pouco do animo de quem esta jogando. Em resumo: Temos um sistema de batalha divertido e genial, mas que algumas vezes o próprio sistema acaba nos sabotando.

PROGRESSÃO

É algo gratificante ver a evolução de seu personagem, não é? Aqui temos essa visão a cada level up onde você consegue notar a evolução. Consegue moldar os personagens, a sequência de golpes, os equipamentos, habilidades ativas e passivas, etc. Não somente os protagonistas estão envolvidos nessa progressão, mas o jogo como um todo. Desde o inicio você nota como tudo em sua volta evolui. Não são somente habilidades de exploração que você libera com o passar do tempo, mas também novos menus e possibilidades. Sempre surge uma surpresinha para deixá-lo curioso querendo saber como ela funciona. Além disso, existe um sistema de afeição que mostra o quanto a sua party é próxima. Quanto maior a afeição, maiores são as vantagens entre as duplas.

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Toda vez que você vai se aventurar numa missão e ao retornar recebe um relatório mostrando as atividades do pessoal que ficou de fora da aventura. O mais interessante é ver que eles também ganharam level, buscaram novos itens e etc. Isso quebra aquele bom e velho clichê de membros atomizados que só servem para completar o quadro de possíveis componentes para o seu grupo.

FINALIZANDO

Os gráficos em 3D de forma “semi-chibi” (personagens fofos de cabeça grande e corpo pequeno) esconde muito bem a profundidade da história. Praticamente o mesmo que ocorreu com o recém-lançado World of Final Fantasy.

E a sua trilha sonora? Ela é linda. Sem mais. Além disso, os dubladores do áudio japonês são, por muitos fãs, considerados os melhores do mercado atual de animes.

Com personagens carismáticos, sistema de batalha divertido (que precisa de um polimento básico para ficar ainda melhor), boa música e enredo envolvente, somos entregues a um incrível RPG que, além de ser digno como sucessor espiritual do Valkyrie Profile, consegue criar seu próprio legado. As falhas acabam sendo ofuscadas pelos acertos e as qualidades estão num nível acima dos erros.

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Anderson Mussulino

Publicitário louco por toda a cultura geek. Redator do Última Ficha e apaixonado por jogos que vem da terra do sol nascente.
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