Análise: Ballistic Overkill é o jogo brasileiro do momento

Para quem não sabe, a indústria de jogos brasileira vem crescendo e amadurecendo de forma constante de uns anos para cá. Cada vez mais vemos produtoras brasileiras surgindo com jogos interessantes, inovadores e, às vezes, premiados. Isso aconteceu com a Aquiris Game Studio, estúdio de desenvolvimento gaúcho responsável pelo incrível arcade de celular Horizon Chase.

O estúdio, com seus dez anos de vida e mais de sessenta artistas (não é justo chamar de funcionários pessoas que criam obras lindas de se ver), já era conhecido por jogos em browser sob encomenda, como Ben 10: Wrath of Psychobos, Dragons Wild Skies e The Great Prank War. O mais conhecido game da empresa, entretanto, é Ballistic Overkill, detentor do título de maior ladrão de horas de vida dos fissurados do Facebook. O jogo consistia de um First Person Shooter simples, feito para se jogar sem muitas preocupações. Era sentar na cadeira, rodar o jogo no browser e sair atirando nos inimigos. Pois bem, esse tempo passou e Ballistic foi crescendo. A base de fãs foi aumentando, as receitas também e, naturalmente, as possibilidades para a Aquiris. Não à toa, o jogo entrou em Early Access na Steam ainda em 2015 e, finalmente, foi lançado oficialmente por vinte reais na plataforma agora em março. Veja abaixo a nossa análise de um dos principais jogos brasileiros do ano:

Visuais dignos de AAA

O primeiro elemento que chama atenção em Ballistic Overkill é o seu visual. Logo que iniciamos o jogo podemos perceber que não foram poupados esforços por parte da Aquiris para trazer carinho em todos os elementos que aparecem na tela. Desde o menu detalhado ao HUD in-game, vemos efeitos dignos dos First Person Shooters de maior orçamento disponíveis no mercado. Com referências claras a jogos como Team Fortress e Overwatch, o game segue uma linha cartunesca de design que agrada bastante. Obviamente, não há engines absurdas capazes de reproduzir os melhores gráficos existentes, mas ainda assim, Ballistic Overkill é bastante bonito de se ver. Os efeitos são bastante satisfatórios e não exigem muito da placa de vídeo, já que o jogo é bastante leve.

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Fatiou, passou!

Aliás, falando em leveza, dissertemos sobre a jogabilidade de Ballistic Overkill. Apesar de ter visto muitos vídeos e gameplays do jogo antes de pegá-lo para fazer esta análise, eu não sabia como seria de fato a fluidez do game. Posso dizer que fiquei bastante surpreso com a leveza da jogabilidade logo que entrei na primeira partida. O gameplay é extremamente gostoso, sendo uma mescla entre a correria de Combat Arms (lembra dessa pérola?), e Call of Duty. Não há qualquer compromisso com o realismo no shooter. Com isso quero dizer que não há muita perda de precisão no hip-fire e nem muito recoil mesmo quando o gatilho é segurado sem dó. Eu, inclusive, jogo muito de Atirador, e simplesmente mantenho o gatilho pressionado como um louco muitas vezes, coisa que não faço em nenhum outro FPS.

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Vinte reais pra fazer caridade!

Assim como em muitos jogos da Steam, Ballistic Overkill te dá itens e caixas que podem ser usados no próprio jogo ou vendidos na Steam Market. Sou um fã de carteirinha desse sistema, já que acabam transformando jogos em investimentos. É possível recuperar os vinte reais cobrados rapidamente, fazendo com que o jogo seja virtualmente grátis. Agora, caso queira utilizar esses itens para personalizar seus equipamentos de forma profunda, esqueça, já que os mesmos não passam de skins e armas diferenciadas. Não é possível trocar ou melhorar partes específicas das armas como em Call of Duty ou Ghost Recon: Wildlands. Cada uma das classes possui loadouts específicos, que podem ser modificados com equipamentos adquiridos no jogo ou por compra no Steam Market, mas isso é o máximo de personalização que o jogo oferece.

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De espada à lança-granadas

No que tange à variedade de estilos de jogo, Ballistic Overkill agrada bastante. Há sete personagens com estilos bastante diferentes, indo do clássico Furioso, personagem de velocidade e curta distância, ao Granadeiro, destruidor de áreas com suas bombas infernais. Há inclusive um personagem melee, com o polêmico Sombra, que se torna invisível ao correr e possui uma espada maldita que tem mata rapidamente. Obviamente, cada classe terá seus pontos fortes e fracos, mas todos podem se tornar armas extremamente mortíferas dependendo da habilidade do jogador. Aliás, falando em habilidade, cada classe possui duas skills passivas que podem ser modificadas conforme a vontade do jogador. As mesmas variam de bônus para resistência de dano, aumento de taxa de cura, aumento de precisão, etc. Em suma, são muitas as opções de gameplay para os amantes de todos os estilos de jogo. Em termos de variedade, Ballistic Overkill não trará decepções.

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É tudo de bom, então?

Agora, não podemos deixar de pontuar umas críticas aqui. O jogo é extremamente jogado, ainda mais do que na época em que estava em Early Access. Isso é incrível para a comunidade, para a Aquiris e para o mercado brasileiro. Entretanto, não houve muito investimento para suportar esse aumento no número de jogadores. Há uma média de 300 a 400 jogadores online simultaneamente, a maioria estando no Brasil. Isso resulta em servidores absolutamente lotados, com jogadores lutando de forma ferrenha por uma vaga. Para colocar a cereja no bolo da frustração, tenha o seguinte em mente: é difícil se juntar aos amigos para jogar Ballistic Overkill. Além de o jogo não possuir qualquer sistema de party, deve-se contar com a sorte para que seus amigos caiam no mesmo time que você. Obviamente, é possível de se trocar de time, mas o jogador deve ser rápido para que a lotação não seja atingida. Quanto maior a quantidade de amigos querendo jogar juntos, mais difícil será. Esperamos que a Aquiris, ainda com um suporte constante ao jogo, desenvolva essa função o quanto antes.

Conclusão

No mais, Ballistic Overkill é um divertido First Person Shooter para se jogar casualmente. Apesar de glitches e da lotação dos servidores, há mais pontos positivos no jogo do que reclamações. Sem sombra de dúvidas o título é um dos melhores jogos brasileiros já lançados e vale os vinte reais investidos. Não esqueçam de conferir o server extremamente ativo do Discord aqui para se engajar na movimentada comunidade do jogo. Além disso, há alguns grupos de Facebook relativamente grandes para aqueles que quiserem discutir ainda mais.


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Bernardo Cortez

Formado em Relações Internacionais, Bernardo aproveitou o dom de escrever para algo útil. Músico, viajante, cronista e amante de qualquer coisa que seja relacionada a jogos, seu sonho é ser jornalista na área. Tem um carinho especial por jogos que tragam o melhor de todas as formas de arte que os englobam.
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