Análise: Ken Follett’s The Pillars of the Earth – Book I é uma excelente aventura narrativa

Ken Follett é um escritor galês de grande sucesso nos países anglófonos e, através das adaptações de suas obras, também ficou bastante conhecido em todo o mundo. Sua maior obra é “The Pillars of the Earth”, “Os Pilares da Terra” no Brasil, que já foi adaptado para séries de TV, musicais, jogos de tabuleiro e agora, pela Daedalic Entertainment, torna-se um videogame.

The Pillars of the Earth é um jogo de Adventure, gênero pelo qual a Daedalic consagrou-se, com pérolas como Deponia e The Dark Eye: Chains of Satinav. No entanto, o novo jogo baseado na obra de Follett transcende a experiência de um Adventure point and click mais tradicional, como a dos jogos anteriormente mencionados, e a atualiza para uma fórmula mais moderna como a dos jogos da Telltale. Dessa forma, jogadores que já estejam familiarizados com outros Adventures da companhia devem estar preparados para uma experiência bem mais leve com relação a puzzles com um foco maior no relacionamento com os personagens e suas escolhas.

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A história se passa em um período turbulento da história inglesa no século XII e é dividida em núcleos de personagens que em algum momento se cruzam. Tom Builder é um “mestre pedreiro”, uma espécie de engenheiro da idade média, que vive um dilema entre se dedicar a sua vocação construindo catedrais e grandes obras ou aceitar qualquer pequeno emprego para sustentar sua família. O menino Jack Jackson e sua mãe são foras-da-lei (que na definição da Inglaterra à época são indivíduos que vivem às margens da vida comum, longe das aldeias e das outras pessoas) que buscam se reintegrar à sociedade. Aliena de Shiring, uma nobre caída em desgraça que busca se reerguer e Philip de Gwinedd, monge do priorado de Kingsbridge que quer trazer grandeza a sua paróquia com uma nova catedral. De igual maneira, temos também os vilões, na forma da família Hamleigh, que busca destronar os condes de Shiring e o bispo de Kingsbridge, Waleran Bigod, corrupto e sedento por poder.

O jogo é dividido em três livros, que serão lançados em formato de episódios. O primeiro e único livro até agora é formado por sete capítulos e pode durar de 5 a 6 horas de jogo, a depender do interesse do jogador em completar as tarefas secundárias oferecidas. Fora isso, a aventura no primeiro livro é bastante linear, embora mais aberto do que de praxe nas obras da Telltale. Normalmente o jogador é deixado no controle de um dos personagens principais e pode explorar a localidade em sua volta, conversando com outros personagens no caminho. Sempre existe um objetivo, uma tarefa que é colocada para o jogador e é tratada como “item” e colocada em seu próprio inventário que é exibido a todo momento na tela. Por exemplo, em um dos primeiros capítulos com Philip de Gwinedd, o jogador recebe a tarefa de convocar todos os monges do priorado para uma reunião, representada pelo desenho de três homens de hábito. O jogador pode então clicar no desenho e em seguida em um monge para convidá-lo diretamente para a reunião. Em quase todos os casos, no entanto, não é necessário clicar no ícone da tarefa antes, o que retira complexidade extra de escolher o “item” certo para cada objetivo, o que pode incomodar ainda mais os fãs de Adventure da velha guarda.

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Da mesma forma, como em muitos jogos point and click, The Pillars of the Earth tem itens de verdade em seu inventário, que funcionam exatamente como as tarefas, mas são exibidos em um inventário à parte. Mas, novamente, não é sempre o caso de selecionar um item correto para cada lugar específico e o processo todo de resolver quebra-cabeças torna-se automático demais.

Outra mecânica existente, só que consideravelmente mais rara no jogo, é no estilo choose your adventure. Durante jornadas entre dois destinos, o jogador visualiza um mapa da região e escolhe entre duas opções de rota, o que pode culminar em diferentes acontecimentos e mudanças na maneira como os personagens se relacionam em médio e longo prazo, mas que sempre terão o mesmo resultado e destino finais, não importando a sua escolha. Esses momentos são raros o suficiente para não se tornarem enfadonhos dada a sua simplicidade.

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Ao final do capítulo, cada acontecimento ocorrido ao longo dele é listado, não diferente do que ocorre em jogos da Telltale (com a distinção de que no caso deste último, as contas são prestadas na conclusão dos episódios).  Ali você pode observar como suas escolhas podem alterar a continuidade do jogo sutilmente. Por exemplo, Jack e Alfred (o filho de Tom Builder) têm uma relação conflituosa desde o primeiro encontro entre as personagens. Mas sendo gentil com ele e fazendo-lhe favores, ele se comportará muito mais amistosamente no capítulo seguinte. Mesmo que a história sempre siga para a mesma direção – e de uma maneira menos disfarçada do que em jogos como The Walking Dead ou The Wolf Among Us – esses detalhes no comportamento dos personagens pelo menos acrescenta um impacto mais significativo às suas ações.

The Pillars of the Earth é um jogo leve, pois os cenários e personagens são desenhos e sprites. Mas os ambientes são belíssimos e o design dos protagonistas não fica atrás. A trilha sonora também é muito agradável, mas não chega a ser um destaque. Ainda nesse departamento, a dublagem original em inglês é muito boa, mas o jogo não possui nenhum tipo de localização em português, o que exclui uma boa parte do público nacional.

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Em suma, Ken Follett’s The Pillars of the Earth é um adventure moderno e ligeiramente formulaico, que usa a experiência acumulada pela Daedalic e os sucessos de outros títulos no gênero. Caso você já conheça o livro ou a série, não terá muitas surpresas com relação ao rumo da história, mas poderá genuinamente se divertir com as novas possibilidades que somente a interatividade dos videogames pode proporcionar. Aguardo ansiosamente a chegada dos livros 2 e 3, que ainda não possuem data de lançamento definida.

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