Análise: Yakuza Kiwami é um divertido Remaster que mantém o pé no chão

O primeiro Yakuza foi lançado no Japão para PS2 em 2005 e no resto do mundo em 2006. Na época ele seria o primeiro de muitos jogos que levariam o protagonista Kazuma Kiryu as ruas de Kamurocho, representação do local real chamado Kabukicho. Mais de 10 anos depois, a SEGA utilizou a engine já usada em Yakuza 0 para remasterizar o primeiro jogo, agora chamado de Yakuza Kiwami.

Sempre limpando a sujeira dos outros
Sempre limpando a sujeira dos outros

A história de Kazuma Kiryu

Quem já jogou Yakuza 0, que foi lançado no início de 2017, já sabe muito bem quem é o personagem Kazuma Kiryu e o quão fatal pode ser seu soco no meio de uma luta. Mas para quem não conhece tal icônica figura, Kiryu é um membro da Yakuza que era um dos mais prestigiados e estava pronto para iniciar sua família e subir nos rankings da organização japonesa.

Porém, um dia antes de sua grande promoção, ele acaba assumindo a culpa por um assassinato que não cometeu ao proteger seu irmão Akira Nishikiyama, que por sua vez estava protegendo a amiga de infância, Yumi. 10 anos após esses eventos, Kiryu é liberado da prisão por bom comportamento e vê que muita coisa mudou durante sua ausência. Novos assassinatos acontecem, Nishikiyama se tornou uma pessoa completamente diferente e, para piorar, 10 bilhões de Ienes desapareceram dos cofres da Yakuza.

Agora caberá a Kiryu tentar achar a verdade no meio de toda essa confusão, enquanto tenta proteger seus amigos e não ser morto.

Nunca desafie o Dragão de Dojima
Nunca desafie o Dragão de Dojima

Tudo se resolve na pancadaria

Se eu fosse categorizar este jogo, ele certamente seria um Beat them Up, ou seja, você terá diversos inimigos ao longo da cidade e deverá sentar a mão neles, literalmente. Para tal, você contará com sua barra de vida, uma barra para ataques especiais e seus 4 estilos de luta.

Será possível escolher o estilo de lutador (o que mais me adaptei) que acaba sendo o estilo mais equilibrado de todos, o estilo de agilidade, onde você consegue desferir golpes muito rápidos, mas perde no dano, o estilo “brutamontes” que você será um verdadeiro destruidor, mas extremamente lento e, por fim, o estilo dragão que fez Kiryu ser conhecido como o dragão de Dojima. Enquanto os três primeiros podem ser evoluídos através da árvore de evolução onde você melhora sua barra de especial, novos golpes, mais dano, mais HP e por aí vai, o modo dragão evolui de uma forma completamente particular. Este último modo você necessitará treinar com um personagem específico ou então encarar o louco Goro Majima que ficará perambulando pela cidade tentando lhe atacar a cada esquina.

Algo que gostei foi com a luta em si. Ele mantém o clássico golpe fraco, forte agarrão e especial, mas algo que havia reclamado em Yakuza 0, não está presente em Yakuza Kiwami. Muitas vezes você terá que lutar contra 5, 10, 20 inimigos ao mesmo tempo e, diferente de Yakuza 0, você não fica sendo espancado que nem uma bola dentro de uma máquina de pinball. E isso faz com que o sistema não seja tão punitivo.

Por fim, temos que ressaltar as finalizações. Não há nada mais prazeroso do que socar alguém contra a parede, ou dar um bicudão em alguém que está no chão e por ai vai. Diversão garantida.

Nada como uma bebida refrescante numa cidade honesta e calma com essa pessoa que acabei de conhecer
Nada como uma bebida refrescante numa cidade honesta e calma com essa pessoa que acabei de conhecer

Tenho cara de Idiota? Sim Kiryu, você tem

Algo que é muito icônico na série Yakuza é seu humor. Embora a série apresenta uma trama complicada e profunda com muitos momentos dramáticos, o “dia a dia” dela é bem pastelão. Ao longo do jogo Kiryu será parado por pedintes, espertinhos, golpistas e muito mais.

Como exemplo posso citar uma side mission onde você esbarra em um rapaz “pacifista” que te cobra uma grana preta por ter “quebrado seu braço” (onde na verdade tudo o que você fez foi ter encostado nele). E por mais duas vezes ele recebe a mesma tentativa de golpe da mesma pessoa. A solução certamente é nada pacífica e toda vez Kiryu tem que quebrar a cara deles.

Um outro exemplo, é que no início do jogo ele compra um anel para dar de presente e logo em seguida ele é roubado. Então começa essa quest onde ele tem que conseguir dinheiro para recomprar o anel de uma casa de penhor, já que o malandro que o assaltou gastou todo o dinheiro com tickets de loteria.

Esses e muitas outras situações farão parte da história de Yakuza Kiwami e você irá se divertir com as trapalhadas a là sessão da tarde.

Uma bela cidade nipônica
Uma bela cidade nipônica

Explorando Kamurocho

Algo que é muito comum na série, é a possibilidade de explorar as ruas de Kamurocho entre uma briga e outra. Por esse ter sido o primeiro jogo da série, não é possível fazer tanta coisa como nos outros jogos, mas isso não impede de ter alternativas para se divertir em Yakuza Kiwami.

Dentre as muitas atividades é possível ir para clube noturnos, participar de jogatinas, testar sua habilidade no coliseu subterrâneo, conhecer meninas a noite, encher a cara ou até brincar de carrinho em pista profissional.

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Carrinhos!

Embora tenha citado muitas coisas e eventos, eles ficam aquém do que podemos ver em outras séries e por isso o modo Majima Everywhere foi adicionado. Esse modo é muito simples, assim como mencionado anteriormente, Majima irá ficar andando pela cidade tentando bater em você com a premissa de te fazer o lutador que era a dez anos atrás. Porém, muitos dos encontros serão cômicos, como, por exemplo, ele te revistar com um uniforme de policial e te parar caso ache uma arma (faca, bastão ou até um guarda chuva). Em um outro momento ele lhe serve um drink e lhe cobra uma pequena fortuna com ele.

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Não sabem com quem estão mexendo

Conclusão

Yakuza Kiwami é um remaster competente de um jogo de mais de 10 anos atrás. É verdade que ele acaba sendo mais simples que os outros jogos da franquia, mas o seu preço atrativo compensa essa falta de conteúdo. De qualquer modo, o jogo irá lhe proporcionar dezenas de horas de diversão e apresentará uma história que foi o pontapé inicial de uma série que conta com mais de 6 jogos.

notas

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Leonardo Coimbra

Mestre supremo do Ultima Ficha, não manda nem em seus próprios posts. Embora digam que é geração PS2, é gamer desde o Atari e até hoje chora pedindo um Sonic clássico e decente. Descobriu em FF7 sua paixão por RPG que dura até hoje. Eventualmente é administrador e marketeiro quando o chefe puxa sua orelha com os prazos.
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