South Park: A Fenda que Abunda Força toca em assuntos delicados de uma forma peculiar

Hoje em dia o mundo está passando por uma “guerra de ideias” e muitas vezes as pessoas são agressivas para defender seus pontos. Temos assuntos de raça, ideologias e, infelizmente, até sobre o nazismo e ditadura. E essas discussões são feitas em muitos canais e mídias, incluindo o vídeo-game.

De sua forma grosseira e única, South Park: A Fenda que Abunda Força, trabalha (muito bem trabalhado) esses temas em diversos momentos do jogo como bullying, preconceito e outros. Muitos já sabem que ao iniciar o jogo, você tem que escolher o seu tom de pele e isso irá influenciar na dificuldade (não nas batalhas, mas na vida mesmo), quanto mais escuro, menos dinheiro você ganhará e as pessoas te tratarão de forma diferente.

Ao longo das muitas horas de jogo, três momentos me chamaram atenção de como o jogo trata de assuntos delicados fazendo uso da sua linguagem nada peculiar.

Racismo

Ao longo do jogo você irá se deparar com a polícia de South Park que pode vir a ser preconceituosa. Com seu toque e humor nada delicado, South Park: A Fenda que Abunda Força te leva para um caminho onde você tem algumas missões para prender criminosos.

No início levei as missões sem maldade, mas depois que elas progrediram eu vi que estava batendo em negros e somente em negros. Não só isso, os criminosos, tão perigosos, eram pessoas normais que estavam cuidando da sua vida como fazendo exercícios ou então fazendo o almoço (cuidado, ele está armado! com uma faca de cozinha cortando vegetais…).

E foi ai que me deu o estalo. Como foi que South Park: A Fenda que Abunda Força resolveu discutir racismo? Sendo o mais racista que era possível. Isso certamente arranca diversas risadas por situações cômicas, mas também te leva a reflexão de uma dura realidade onde em pleno 2017 somos julgados por nossa cor ao invés de nossa atitude.

Bullying (Micro-agressões)

Um outro momento que me marcou foi na parte em que você libera os golpes de micro-agressão. Ao ser chamado por seu diretor da escola para um restaurante para conversar, você presencia seu diretor sendo extremamente intolerável e agressivo. E mais uma vez, como South Park: A Fenda que Abunda Força escolheu discutir bullying? Com intolerância ao extremo (tudo sempre ao extremo).

O seu diretor está puto com dois caras, pois um falou que o outro estava com cara de cansado. Isso é uma forma de preconceito, pois os latinos são taxados como preguiçosos. Porém, o que o diretor não levou em consideração é que esses dois caras eram amigos e o rapaz latino estava realmente cansado. Mas quem se importa? Certamente o diretor não se importa e ele bate nos adultos.

Depois dessa cena cômica, ele te educa sobre o quão intolerante você deve ser com qualquer tipo de mini bullying e que isso deve ser resolvido com porrada!

Intolerância sexual e religiosa

Durante muitas vezes ao longo do jogo você poderá escolher sua sexualidade, orientação, origem, religião, posicionamento e etc. Verdade seja dita, a equipe de desenvolvimento colocou MUITAS opções e muita coisa eu nem sabia que existia.

Salvo engano eu escolhi meu personagem como um cara bissexual, que não se identifica com o gênero masculino nem feminino, de família latina com influência italiana e não me envolvo muito em assuntos religiosos, mas sou rastafári (olha só essa salada de escolhas). Mas esse não é o foco desse tópico, e sim o que acontece depois de escolher cada uma dessas opções.

Verdade seja dita, não importa quais foram as suas escolhas, sejam elas conservadoras ou não, após cada uma dessas escolhas um grupo de americanos brancos, bêbados, dirigindo uma pickup irá aparecer e fazer críticas às suas escolhas. No meio da luta irão te xingar de comunista e falar pra sair do país. Sério, que crítica mais linda.

Esses três exemplos que citei são somente algumas das muitas discussões que o jogo traz. Porém, existem muitos outros momentos que fazem de South Park: A Fenda que Abunda Força um jogo memorável e força reflexões extremamente interessantes. Existem muitos outros momentos que falam do preconceito de gênero, sexualidade, exploração dos bancos e por aí vai.

Sim, você DEVE jogar South Park: A Fenda que Abunda Força.

Leonardo Coimbra

Mestre supremo do Ultima Ficha, não manda nem em seus próprios posts. Embora digam que é geração PS2, é gamer desde o Atari e até hoje chora pedindo um Sonic clássico e decente. Descobriu em FF7 sua paixão por RPG que dura até hoje. Eventualmente é administrador e marketeiro quando o chefe puxa sua orelha com os prazos.
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