Análise: Yakuza 6 finaliza a história de Kazuma Kiryu de forma épica e emocionante

A franquia Yakuza começou em 2005 no Japão e foi trazida para o Ocidente em 2006 sempre sendo fiel a marca Playstation. Desde então conhecemos seu protagonista, Kazuma Kiryu, que era um novato na organização Yakuza e sempre foi crescendo por sua ferocidade e bom coração. Sua fama cresceu rapidamente e desde então ele foi conhecido como o Dragão de Dojima. Agora em 2018, de acordo com o que foi informado pela SEGA, teremos a última aventura de Kazuma Kiryu que chega ao ápice em Yakuza 6: The Song of Life.

Nunca joguei nada da franquia, e ai? Devo começar pelo 6?

Antes de falar de Yakuza 6: The Song of Life, acredito que deveria falar brevemente da franquia. A franquia é realmente um jogo de nicho, ou seja, feito para um grupo específico e não tenta agradar a todos como FIFA, COD, BF e muitos outros jogos pop.

Super Pocket Fighter foi apresentado em Yakuza 1
Pocket Circuit Fighter foi apresentado em Yakuza 1

O primeiro ponto que tenho que falar é do estilo de Yakuza. Ele se passa 100% no Japão, com áudio japonês e legendas somente em inglês. Ou seja, ele não se preocupa muito com a acessibilidade mundial. Não só isso, mas ele tem muitos aspectos na cultura nipônica e longas e fascinantes conversas, pois a trama de Yakuza é sempre muito elaborada e cheia de plot twists.

O segundo ponto é sobre sua história e lançamentos. Como podem ver, este é o sexto jogo da franquia e muitos podem ficar com o pé atrás por causa de toda a história e personagens. Verdade seja dita, realmente o aconselhado é que joguem todos os jogos da franquia antes de pegar o 6. Porém, a boa notícia é que Yakuza 6: The Song of Life se sustenta muito bem como um jogo solo. Você perderá algumas referências e momentos, mas não é nada crítico. Muitas vezes essas perdas virão por causa das side quests e não pela história principal. Se for possível jogue pelo menos Yakuza 0 e 1, pois estão presentes no PS4 e já lhe darão um excelente embasamento. Um alento para os mais perdidos (e me incluo neste grupo, pois não joguei todos os jogos) é que Yakuza 6 disponibiliza um resumo de cada jogo contando os pontos principais de cada jogo e seus personagens.

Pois bem, se o que falei até aqui lhe assustou, talvez a franquia Yakuza não seja para você, mas tenho certeza que ser uma chance a franquia, vai se apaixonar por ela assim como me apaixonei.

O maior desafio que Kiryu já enfrentou até hoje, será o desafio da paternidade
O maior desafio que Kiryu já enfrentou até hoje, será o desafio da paternidade

E começa mais uma aventura

Yakuza 6: The Song of Life começa com Kiryu cambaleando sem camisa e sangrando no meio do inverno Japonês. Sua “filha”Haruka desiste de seu sonho de ser uma ídolo e resolve ficar junto com Kiryu e o ajuda a se recuperar. Pois bem, este é o final de Yakuza 5 e Yakuza 6 começa com Kiryu se recuperando e posteriormente sendo preso por 3 anos para servir como um bode expiatório para os muitos problemas passados. Ele achou que com isso sua ex organização Yakuza encontraria paz, que ele seria esquecido por seus inimigos e que a Haruka e os órfãos que ele cuidava poderiam viver tranquilamente e com felicidade. Mas como diria o bom Choque de Cultura, Achou errado otário!

Três anos após sua prisão, Kiryu acaba de cumprir sua pena e volta diretamente para o orfanato onde todas as crianças estavam a sua espera. Bem, todas as crianças menos a mais importante de todas. Haruka havia desaparecido do orfanato e ninguém sabia para onde ela tinha ido. Tendo que adiar sua aposentadoria, o cinquentão Dragão de Dojima se vê obrigado a voltar às ruas de Kamurocho e procurar por Haruka.

Eu não entrarei no terreno de spoilers, por isso minhas próximas palavras serão vagas. Embora você começasse procurando Haruka, sua busca é rapidamente alternada para procurar a família de um misterioso bebê. Isso levará Kiryu à cidade portuária de Onomichi que fica em Hiroshima. Lá ele ficará amigo da família Hiroshi que serve a Yakuza de Hiroshima e com seus novos amigos ele irá trazer a tona um grande segredo que se encontra na cidade.

Mais uma vez você contará com o detetive Date-san que sempre lhe ajudou desde o primeiro jogo e também contará com Shun Akiyama que está presente na franquia desde Yakuza 4. O interessante deste Yakuza é  que Kiryu já está perto de seus 50 anos (inclusive muitos chamam ele de velhote) e a história tem uma pegada um pouco mais séria mostrando os valores da família e como lidar com as situações e os sacrifícios necessários para defender quem você ama. E claro, tudo feito com muito, mas muitos socos, chutes e por ai vai. Inclusive é curioso e engraçado a quantidade de brigas que Kiryu arruma somente pelo fato dele estar passando por um lugar ou por alguém não ter gostado da cara dele.

Top socão  em homens de toalha
Top socão em homens de toalha

O melhor e mais acessível gameplay da série

O estilo de Yakuza sempre foi do clássico Beat Them Up, ou seja, você irá se deparar contra grupos de inimigos e deverá acabar com eles dando socos, chutes, tacando eles no chão, usando pedaços de ferro, madeira e por aí vai. Uma marca registrada da franquia Yakuza é que sempre é dada a possibilidade de usar muitos estilos de luta e/ou controlar diversos personagens. Em Yakuza 6: The Song of Life isso muda. Você irá controlar somente Kiryu e ele lutará sem poder mudar de estilo ao longo do jogo. O que acontece é que a cada luta e atividades, você ganhará uma valor de experiência para força, vida, agilidade, etc. E com essa experiência será possível evoluir Kiryu e ganhar muitos novos golpes, habilidades e aumentar a força, vida e outros atributos ao longo do caminho.

Além de termos essa parte bem RPG onde investimos o XP no personagem e montamos ele do jeito que cada um prefere, aqui temos o melhor gameplay já visto até hoje na série. Uma crítica que sempre fiz à série era que a parte de luta era sempre muito travada e certas vezes você virava um joão bobo enquanto apanhava dos inimigos. Não só agora temos um controle muito melhor de Kiryu, como ele está mais ágil e simples de ser controlado. Além dessa melhora, a SEGA aprendeu com os jogos passados e agora ela apresenta ambientes maiores para as lutas contra as gangues e a Yakuza.

hora do level up
Hora do level up

Por fim, o jogo continua com sua brutalidade de sempre e combos incríveis que pode fazer quando tiver um aliado ao seu lado. É sempre muito prazeroso deixar a barra de Heat preencher e fazer uma bela finalização em seus inimigos.

Kamurocho ta linda demais
Kamurocho ta linda demais

Andando por Kamurocho e Onomichi

Desde Yakuza 1 Kamurocho é a cidade onde Kiryu vive todas suas aventuras e arruma muitas confusões. Desta vez não será diferente e iremos andar por uma Kamurocho que abraça suas origens nipônicas. Como todo grande centro comercial, ele é cheio de vida e tem muitas pessoas andando por ele. Não só isso, mas a cidade está viva tanto de manhã quanto a noite quando está tomada por letreiros coloridos e com muito Neon.

E eis Onomichi
E eis Onomichi

E a novidade em Yakuza 6 é a cidade de Onomichi, que se encontra em Hiroshima (cidade que foi atingida pela bomba atômica na segunda guerra mundial). Sendo completamente o oposto de Kamurocho, Onomichi é uma pacata cidade pesqueira onde a vida é levada de forma mais calma e todos se conhecem. Claramente que a chegada de Kiryu irá agitar a vida dos pacatos cidadãos de Onomichi.

Durante o jogo será possível explorar ambas cidades e descobrir muitos de seus segredos, arrumar brigas e muito mais. E claro, todos os detalhes estão mais lindo do que nunca. Yakuza 6: The Song of Life ganhou uma nova engine somente para ele e a qualidade visual, detalhes do cenário, das roupas dos personagens, iluminação e muito mais.

Mr. Blue, Mr. Pink, Mr. Blonde, Mr Brown, Mr. Orange e Mr. White
Mr. Blue, Mr. Pink, Mr. Blonde, Mr Brown, Mr. Orange e Mr. White

A Hideo Kojima Game?

Calma que ainda não fiquei louco! Quando o nome de Hideo Kojima é citado, todos já pensamos em Metal Gear, longas cenas de diálogo e takes de câmeras dignas de cinema. Pois bem, em Yakuza 6: The Song of Life nós temos os mesmos aspectos. Na real, eu vou além, isso é uma marca registrada da franquia Yakuza.

Em Yakuza 6 vamos encontrar muitas cenas de diálogos que demorarão muitos minutos para terminar. Além destas cenas, teremos uma quantidade quase que infinita de plot twist onde nunca deixará o jogo cair no marasmo ou ficar minimamente entediante. A verdade é que Yakuza 6: The Song of Life é tão bem escrito e apresenta tantas surpresas que você irá vibrar, sentir raiva e se emocionar com muitos dos acontecimentos.

Por fim tenho que falar dos takes de câmera. Eles são cuidadosamente colocados e feitos tanto nos diálogos mais fervorosos como nas muitas lutas que você terá. É válido dizer que todas essas cenas são acompanhadas de uma excelente trilha sonora que compõe muito bem todos os momentos. O que infelizmente não melhorou é o fato que muitos diálogos longos apresentam uma animação muito simplista. Isso não chega a ser um problema, mas a equipe da SEGA poderia ter trabalhado um pouco mais na animação, pois é chato ver tantos diálogos onde os personagens não apresentam a expressão necessária.

Hora do Karaoke
Hora do Karaoke

Side quests e minigames

Nós sabemos que vamos ter muito diálogo e brigas ao longo de Yakuza 6: The Song of Life, mas é só isso ai? Não! Outra marca registrada da franquia é que cada jogo possui muitas side missions e minigames. Porém, não espere nenhuma normalidade vindo de Yakuza 6.

Por exemplo, a primeira side quest que liberei foi ver um casal brigando, pois o namorado estava viciado em chat erótico. Após falar com Kiryu, eles vão para um local com notebooks disponíveis e Kiryu se empolga no chat erótico onde cada vez mais a menina tira sua roupa (isso ai mesmo, você não leu errado não). A partir daí você poderá interagir com as meninas do chat. E esse é somente um exemplo das muitas aventuras que irão aparecer ao longo da jornada. Outra, por exemplo, será ajuda o dono de um café com gatos. Você deverá procurar os gatos e fazê-los confiar em você para que o leve à loja. E bem, por ai vai né? Será possível ir à uma casa de respeito onde irá conversar e tentar conquistar meninas, será possível comer em diversos restaurantes (o que ganha muito XP), treinar sua arte de paquera ao encostar as pessoas na parede e muito mais.

Partiu um Puyo Puyo?
Partiu um Puyo Puyo?

Além dessas side quests/minigames muito loucos, será possível jogar dentro do jogo! Sim, Yakuza 6 vem com Virtua Fighter 5 e Puyo Puyo que podem ser jogados dentro do jogo ou na tela inicial com até duas pessoas. Também será possível jogar alguns clássicos como Out Run ou então buscar jogos “manuais” como arremesso de dardo ou baseball.

Porém, nenhum minigame será tão grande ou impactante como o criador de clãs e a luta contra os seis lunáticos. Em um momento você se encontrará com uma gangue chamada JUSTIS (de Justice, justiça), porém, você perceberá rapidamente que eles não tem nada de justiça. Quando a opção de guerra de clãs for liberada, você deverá montar sua equipe com as pessoas que poderá conseguir através de side quests ou então após vencer batalhas de clã. Seu objetivo será acabar com cada um dos seis lunáticos que desencadeará uma luta mano a mano no final e uma cutscene.

Ta na hora do pau
Ta na hora do pau

Conclusão

Yakuza é uma excelente franquia que a cada lançamento conquista mais e mais fãs. Yakuza 6: The Song of Life chega para fechar com chave de ouro essa emocionante aventura. De longe esse é o jogo mais bonito e acessível de todos da franquia e se sustenta muito bem, até para os que não jogaram os últimos jogos lançados. A sua direção e roteiro é fantástico e você é surpreendido a cada minuto com novos personagens interessantes e muitos plot twists.

Além de todas loucuras que irão acontecer ao longo do jogo, é muito interessante ver a transformação do Kiryu que iniciou a franquia como um novato promissor na Yakuza a um grande e respeitado homem por todos que passa uma mensagem de família muito forte.

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Leonardo Coimbra

Mestre supremo do Ultima Ficha, não manda nem em seus próprios posts. Embora digam que é geração PS2, é gamer desde o Atari e até hoje chora pedindo um Sonic clássico e decente. Descobriu em FF7 sua paixão por RPG que dura até hoje. Eventualmente é administrador e marketeiro quando o chefe puxa sua orelha com os prazos.
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