Análise: Ni No Kuni II: Revenant Kingdom expande seu gameplay e apresenta muitas novidades

Durante a era do PS3 tivemos o lançamento do amado jogo Ni No Kuni: Wrath of the White Witch que foi produzido pelo já consolidado estúdio Level-5 e apresentou uma arte fantástica com a assinatura do estúdio Ghibli que é aclamado mundialmente por suas animações. 8 anos após seu lançamento e sucesso, a parceria volta para o PS4 e para os PC’s com Ni No Kuni 2: Revenant Kingdom sem ter uma ligação da história com o jogo, mas mantendo e ampliando tudo o que fez o Ni No Kuni original ser amado.

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Ratos golpistas e um novo mau

Em Ni No Kuni 2: Revenant Kingdom somos apresentados inicialmente aos personagens Roland e Evan. Assim como em Ni No Kuni 1, temos um personagem que vem do mundo “real”, que no caso é o Roland, e sem saber como ele chega ao castelo aonde está o pequeno Evan no dia de sua coroação. Porém, as festividades são abruptamente interrompidas quando ele sofre um golpe de um ex aliado do seu reino, onde são literalmente ratos! Rapidamente Roland entende a situação e resolve proteger o pequeno Evan a fugir desta enrascada.

Após toda essa confusão e um sacrifício importante, Evan resolve abraçar seu destino de ser um líder e ao invés de tentar recuperar seu reino, ele resolve trabalhar em um novo reino onde todos serão felizes e nunca mais haverá guerra. Após encontrar novos amigos, o reino de Evermore é construído e ai que começa a verdadeira missão de Evan. Porém, antes de efetivamente construir seu reino, é necessário que o rei faça uma espécie de teste e pacto com um ser/fera que é a prova do direito de governar. Depois de conseguir o simpático Lofty temos o início do verdadeiro objetivo do jogo.

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Como Evan é um jovem inocente que foi recentemente pego por um golpe e viu muitas pessoas sendo mortas, ele resolve que sua nova nação irá perseguir o sonho de um mundo sem guerras. Através disso ele busca alianças com os outros povos que sempre serão únicos, em especial se levar toda a influência do estilo Ghibli. E é nesse momento que aparece o verdadeiro vilão. Este ser ardiloso faz com que o pior de cada líder venha a tona e ele rouba o Kingsbond (poder/link entre o governante e sua fera) que é o símbolo de seu governo.

O mundo real não importa muito

Algo que chamou muito a atenção em Ni No Kuni 1 é que existia um sentido do personagem ter sido levado da Terra como conhecemos para essa nova dimensão. Não só isso, mas o personagem tinha que transitar entre os mundos e resolver diversos problemas. Infelizmente em Ni No Kuni 2: Revenant Kingdom isso não acontece. Irei evitar spoilers, mas o Roland é da mais suma importância no nosso mundo e de repente ele é transportado para um mundo mágico. Em menos de uma hora ele opta por ignorar não só seu mundo/país como ele nem tenta achar um caminho de volta pra casa ou se questiona de como ele chegou lá.

De certa forma isso acaba sendo decepcionante, pois simplesmente não faz sentido tê-lo colocado no jogo. Por mais que sua função na Terra faça com que ele seja vital para Evan, ele poderia ter sido um personagem do mundo que Evan já habitava.

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A magia dos estúdios Ghibli

Um dos pontos altos do jogo é certamente a parte do visual do jogo que lembra, não por menos, as obras do estúdio Ghibli. Porém, a influência não fica somente no design dos personagens e dos mundos que são muito característicos. Assim como um amigo falou comigo, Ghibli seria a Disney japonesa, e no jogo podemos ver esta influência na caracterização dos personagens, situações, quests modo de se comportar e muito mais.

Por ter essa assinatura mencionada, o jogo acaba sendo um pouco mais nichado para o público infantil com situações um tanto cômicas e outras inocentes. Porém, não ache que esse jogo seja infantil, pois muitas vezes podemos ver a dualidade entre os personagens da necessidade entre alcançar seus objetivos e ser um bom líder.

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Muitas mudanças no combate

Para mim a maior mudança entre o primeiro e agora o segundo jogo da série é o combate. Muitos conheciam Ni No Kuni 1 como “o que deveria ser Pokemon nos consoles”, porém, esqueça tudo o que você sabia. A Level-5 refez todo o sistema de combate adicionando uma alta complexidade a ele que, felizmente, é de certa forma opcional.

Antes de mais nada, sua party irá ter 3 personagens que podem variar em qualquer um dos que você mais goste. Não é necessário utilizar o Evan, por exemplo, por ser o protagonista do jogo. O combate é bem simples, um botão irá dar um ataque leve e outro dará um ataque pesado. Um terceiro botão fará o papel de esquiva e bloqueio. Até ai é um action J-RPG sem nenhuma peculiaridade. Mas não pense que para por aqui. Você terá como equipar 4 magias/habilidades e mudar entre elas livremente entre as lutas. Elas podem ser de área, ataque curto, ataque longo, magia, proteção e etc. Isso aumenta muito as possíveis estratégias, pois cada personagem terá direito a 4 magias/habilidades distintas.

Porém, não para por ai. Além de equipar seus personagens com as habilidades, existem os equipamentos que tem status e raridade (sim, estilo The Division, Destiny, etc). Ou seja, é possível equipar um set que lhe de melhoras na magia, ou no ataque físico, quem sabe adicionar fogo no ataque e por ai vai. Mas alto lá, pois ainda não acabou. Lhes apresento os Higgledies!

Higg quem? Exato! Eles irão compor sua party auxiliar e você poderá equipar até 4 Higgledies por vez. Cada um deles terá um efeito específico e será possível fazer infinitas combinações. Por exemplo, eu usava um do tipo fogo, um do tipo água, um do tipo sombrio e um para healing. Ao longo da luta eles irão atacar os inimigos dando um pequeno dano e lhe dando alguns buffs. Não só isso, mas será possível ativar a habilidade especial de cada Higgledie ao longo da luta e eles poderão recuperar sua vida, lançar bolas de fogo, uma bola de energia e por ai vai. Claro que será possível criar/capturar diversos Higgledies ao longo da sua jornada assim como evoluir eles para ficarem mais fortes e você poder possuir o time definitivo.

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Bem, achou que acabou? Achou errado otário (choque de cultura)! Para finalizar esta combate, temos uma opção dedicada ao gerenciamento e comportamento dos seus aliados. Irei explicar isso com um exemplo. Digamos que você está em um território onde existem muitos monstros do tipo besta. Ao entrar nesta opção, será possível você ajustar esse controle para que seus personagens sejam mais fortes contra o monstro tipo Besta. Esse tipo de controle existe em muitos tipos de jogos e é sempre bem vindo, mas em Ni No Kuni 2: Revenant Kingdom ele tem uma profundidade e atenção ao detalhe muito maior e você pode alternar entre tipos de monstros, ataque, defesa, magia e por ai vai. E antes que me esqueça, você tem que distribuir seus pontos de habilidade entre as opções para tornar esse comando efetivo.

Claramente o combate é profundo e confuso inicialmente, mas depois de quebrar um pouco a cabeça, fica tudo muito mais claro e interessante. Posso afirmar que adorei o sistema de batalha.

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Construindo seu reino

Aqui a Level-5 construiu um gerenciador de reinado para Ni No Kuni 2: Revenant Kingdom. Como falei na história, Evan tem com objetivo construir seu reino, porém, isso é feito de forma literal e eventualmente pode ser um pouco cansativo.

Travestido de um mini game separado, seu reinado irá lhe dar muitas horas de diversão e/ou de espera. O objetivo é muito simples, ir em cada cidade do mundo e perguntar se alguns dos residentes terão interesse em ir morar no reinado de Evermore. Antes deles irem, muitos irão lhe passar uma pequena sidequest. Pode ser matar um inimigo, entregar um pacote, resolver um problema e por ai vai. Quanto mais moradores sua cidade tiver, mais dinheiro (específico para o desenvolvimento da cidade) você irá receber.

Com o dinheiro em mãos, será necessário construir os muitos prédios possíveis. Dentre eles teremos melhoria de armas, acessórios, equipamentos, magias, Higgledies (e é aqui onde evoluiu eles) e por ai vai. Por mais que seja muito interessante esta mecânica, ela é demorada, muito demorada. Além de demandar um tempo ficar recrutando pessoas para sua cidade, cada pesquisa de melhoria que você fizer irá lhe comer horas de jogo. Ou seja, muitas vezes eu me peguei com o PS4 ligado somente para passar o tempo e eu ganhar mais dinheiro para evoluir alguma coisa na cidade.

E embora não seja obrigado a fazer tudo na cidade, você irá querer fazer para que possa ter o melhor equipamento no melhor momento. Em outros momentos você será obrigado a evoluir e/ou construir casas específicas para evoluir com a história. Por exemplo, em certo momento eu tinha que fazer o upgrade de meu barco e para tal eu tinha que construir um prédio voltado a construção de barcos.

E antes que eu me esqueça, não é simplesmente alocar os personagens de forma aleatória em cada prédio. Na verdade cada um tem uma habilidade específica assim como um status de cidade. Caberá a você perder tempo para alocar cada um no melhor posto de trabalho para tirar o melhor dele para seu reino.

Eu achei muito interessante essa opção, mas é simplesmente muito megalomaníaco toda a evolução da cidade e demanda de tempo que ela pede. Acredito que cada um vai se adaptar de um jeito diferente a este ponto e irá dividir os jogadores.

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O Mapa mundo e mais lutas

Algo que é comum em jogos de RPG, é que quando você sai das cidades/dungeons e vai para o mundo, é possível notar uma diferença na câmera e exploração. Pois bem, em Ni No Kuni 2: Revenant Kingdom você terá seus personagens apresentados com a forma Chibbi (cabeçudos e fofos) e poderão ou não entrar em contato com os inimigos. Não só isso, mas existe a possibilidade de enfrentar inimigos mais fortes que o normal que lhe darão um grande aumento de experiência assim como um equipamento raro.

Além do combate normal existe a possibilidade de fazer Skirmishes ao longo do jogo. Mas o que seria isso? Bem, Skirmish é mais um mini game do jogo e nele teremos uma luta como se fosse um RTS com elementos de Pedra-Papel-Tesoura.

Ao longo do jogo será possível escalar um exército para controlar. Esse exército na realidade será escalar alguns personagens específicos onde cada um tem um estilo. Ataque leve, pesado, a distância, lança e por ai vai. Você irá controlar o exército ao longo do campo de batalha enquanto da ordens de como se posicionarem, aonde atacar, especiais e por ai vai. Como mencionei acima, ele seguirá a lógica de Pedra-Papel-Tesoura onde cada unidade terá uma força e fraqueza. Assim como no resto do jogo, essas unidades poderão ter seu nível aumentado e irá ganhar influencia e território ao fazer essas lutas.

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Conclusão

Ni No Kuni 2: Revenant Kingdom expande completamente o que vimos em Ni No Kuni 1 e apresenta um novo mundo cheio de personagens interessantes e com a magia dos estúdios Ghibli. Ele certamente irá agradar fãs não só do estúdio como fãs de J-RPG no geral. Porém, vale lembrar que o jogo apresenta muitas ideias e mini games que embora expandam seu gameplay, eles podem se tornar maçantes e desnecessários em um certo momento. Outro ponto a ser destacado é que a história é simples e funciona bem, porém, caso esteja procurando uma história mais pesada e com plot twists, Ni No Kuni 2: Revenant Kingdom pode não ser seu jogo. Por fim, o combate merece destaque por ser profundo, complexo e dar diversas opções de luta.

{{

game = [Ni No Kuni 2]

game = [Revenant Kingdom]

info = [Lançamento: 23/03/2018]

info = [Produtora: Level-5]

info = [Distribuidora: Bandai Namco]

plataformas = [PS4 e PC]

nota = [4/5]

decisão = [Para os fãs de J-RPG]

texto = [Mais um excelente título da série que apresenta]

texto = [boas ideias e momentos megalomaniacos]

positivo = [Arte estudios Ghibli]

positivo = [Personagens]

positivo = [Combate complexo]

positivo = [Discurso “como ser um bom líder”]

negativo = [História simples demais]

negativo = [Muito grind em alguns momentos]

}}

 

Leonardo Coimbra

Mestre supremo do Ultima Ficha, não manda nem em seus próprios posts. Embora digam que é geração PS2, é gamer desde o Atari e até hoje chora pedindo um Sonic clássico e decente. Descobriu em FF7 sua paixão por RPG que dura até hoje. Eventualmente é administrador e marketeiro quando o chefe puxa sua orelha com os prazos.
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