Análise: Call of Cthulhu, a história surpreende, os gráficos não. Entenda!

Quando eu ouvi os rumores de um jogo de Call of the Cthulhu, eu fiquei em polvorosa, o coração  acelerou, comecei a suar, literalmente fui jogado a minha adolescência lendo Lovecraft, obviamente em seguida veia a preocupação:

– Como será o game? RPG, Ação, FPS???

Tantas dúvidas, graças a Odin elas foram (parcialmente) sanadas com o trailer de lançamento que saiu meses depois dos rumores:

Pensei na hora: PRECISO, o jogo dava forma a muitas das histórias de Lovecraft que eu tive o prazer de ler, algum tempo depois recebemos a ótima noticia de que poderíamos testar esse game para fazer Review e claro como fã fui o escolhido, e aqui vai minhas impressões e que posso falar sobre esse game que tá uma delicia de se jogar!

Enredo

Logo de inicio o jogo te coloca bem a par do que está por vir, você terá de lidar com um crime e cultistas, o ano é 1942 e você encarna o detetive Edward Pierce (juro q nesse momento, a unica coisa que me passou pela cabeça foi Edward Carnby da franquia Alone in the Dark, e acredite não é a unica coincidência). Edward está numa situação complicada de sua vida, mas um dia cai no seu colo um caso, uma morte trágica envolvendo uma família bastante rica de Darkwater, cidade costeira de Boston, por falta de opção Ed aceita o trabalho e segue para a investigação. Chegando a cidade, ele vai conhecer os moradores que são pouquíssimo amigáveis e vai se envolver nos mistérios da cidade e isso é tudo que eu posso falar, para não entrar nos possíveis spoilers.

Review

Bora para a parte que importa, o game a primeira impressão (CGs) te coloca uma ótima primeira impressão, tudo muito lindo e muito polido, as texturas ótimas a movimentação dos personagens e do ambiente em que se encontram é muito fluído, mas infelizmente toda essa beleza foi reservada para os CGs, os gráficos in-game são bem diferentes e meu causaram um leve choque. São ainda mais diferentes do que temos no trailer, mas resolvi ignorar essa parte, até que um caderno com anotações e visivelmente ele tinha volume e textura até que legais, mas o problema começou quando eu rotacionei o arquivo, ele simplesmente não tinha aquele volume visual, era como se fosse uma folha de papel chapada, e foi exatamente aí que meu senso critico resolveu apitar, e a partir disso (que aconteceu em 5 min de jogo) eu passei a julgar 100% das coisas dentro meu campo de visão/alcance.

Todos os elementos gráficos dentro do jogo me passaram uma impressão de serem feitos de isopor. Até as coisas mais pesadas como uma estante que o personagem precisa empurrar de um ponto A a um ponto B, não têm o peso aparente, mas resolvi relevar este ponto em nome da diversão, até que bati na segunda barreira que me desafiaria a gostar desse jogo, os gráficos. Veja bem, os gráficos em si não são ruins, eles lembram muito, mas muito mesmo um Skyrim, mas eu acho que para o PS4 que já possui tantos jogos bonitos, algumas coisas poderiam ter sido trabalhadas com um pouco mais de carinho, logo no inicio do game você se depara com uns tubarões mortos (conteúdo do trailer) e se você chegar perto de algum deles, você tomará um susto como é possível “ver” as rebarbas poligonais e devido a forma de algumas paredes e objetos, eu ficava travando em algumas paredes invisíveis, é bem triste, confiram algumas imagens e tirem as conclusões:

Mas mesmo com esses dois problemas eu tava decidido a seguir na minha saga em nome de Cthulhu, e tomar essa decisão foi uma coisa maravilhosa a se fazer. Me envolvi no jogo em níveis bem próximos aos que eu me envolvo com livros, as decisões realmente tem influencia nos rumos da história e há uma mecânica de “ficha de personagem” que torna tudo ainda mais profundo, pois o acesso a novas opções e os acessos a novos conteúdos são baseados também nas características que você decide evoluir, sendo que 2 em específico, Ocultismo e Medicina, só podem ser evoluídas com pontos de personagem na criação de personagem, o que ocorre nos 10 minutos iniciais do game. Após esta decisão inicial, estes dois só podem ser evoluídos encontrando arquivos durante a história, em sua maioria livros, de medicina e de ocultismo.

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Página de status do Edward Pierce

Outra coisa muito interessante é um modo de investigação que o jogo tem em determinadas situações. Quando você precisa de hipóteses ou pesquisar provas, há um modo “detetive” onde você interage com o cenário e nele você esgota as possibilidades do que pode ter acontecido. Esse modo é bem legal para te “colocar” dentro do que aconteceu em determinados locais.

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Modo de investigação, Edward faz suas inferências
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No mesmo modo é possível vislumbrar o que aconteceu na cena do crime

O jogo num geral não te permite livre movimentação e as vezes pode parecer que você está em um corredor, mas mesmo assim ainda com ele te  apresenta múltiplas opções. Eu joguei o jogo algumas vezes, por ser curto, e o cerne principal da história é o crime que movimentou Darkwater e disso a história não vai fugir, mas como você vai desvendar o caso, isso é completamente diferente e envolvente, e essa possibilidade de alternar o caminho te faz criar maior empatia por alguns personagens e um ranço por outros, e isso é tudo o que eu posso falar sem spoilers.

Spoiler Zone

Se você pretende aproveitar o máximo desse jogo, pare por aqui, pois vou falar um pouco mais sobre o que me impressionou e o que me decepcionou na narrativa do game.

Como falei acima, não é só o nome do personagem principal que me remeteu a Alone in the Dark , o jogo tem uma mecânica de “lanternas” que interagem de formas diferentes com a sombra, o que me remeteu diretamente a 2001 com o Alone do PSX, e isso é explorado no começo do jogo, mas infelizmente não é uma mecânica muito bem aproveitada. Na verdade em alguns momentos eu até senti falta, claro que isso pode ter sido uma opção de design, pois Cthulhu para mim sempre foi sobre a iminência de alguma coisa, mas que nunca ocorre, o que pode ser traduzido exatamente pela sensação que eu tive enquanto caminhava em algum corredor escuro com a lanterna na mão mas nada ocorria.

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Isso é muito Alone in the Dark

No jogo você terá interação com alguns personagens chave, como o capitão do barco que te leva a Darkwater, Fritzroy, uma senhorita “dona do pedaço” chamada Cat, um policial mau humorado e uma médica extremamente altruísta, e tudo isso envolto um clima de mentiras, alucinações e ocultismo. O jogo se desenvolve numa crescente que te faz questionar se todos os passos anteriores eram reais ou imaginários, e mesmo o jogo te dá certas pistas de que tudo pelo que passa, poderia ser fruto de uma mente atormentada.

Claramente não vou entregar o plot twist, mas se você jogar, por favor compartilhe comigo os sentimentos hahaha.

Conclusão

Uma história sombria, um terror clássico que não apela para jump scare e uma conclusão sublime definem esse jogo que eu comecei com muito receios devido problemas mecânicos, mas que acabou me trazendo horas e horas de diversão. Recomendo a todos que buscam uma retomada clássica de “survival horror”. O jogo tem cerca de 6h/7h, mas isso porque eu gosto de pesquisar e entender, ler files, etc. Acredito que 5h são mais que suficientes para fechar, o que por si, já é um ótimo convite ao replay, então me contem suas experiencias, me digam o que acharam e vamos discutir os rumos que tomamos em nossas aventuras!

notas

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Paulo Everton

Gamer, Gaymer e muito orgulhoso! Descobri os videojogos com 7 anos de idade, de lá para cá foi uma ladeira sem fim, horas gastas em frente a televisão e muita, mas muita mesmo, história para contar, vivi tantas vidas quanto consigo me lembrar, e quer saber? É muito bom não ser a si mesmo!
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