Análise: Onimusha: Warlords e o mistério do porque gostávamos de cenários pré-renderizados

Onimusha é uma franquia da Capcom que não dá as caras um bom tempo e graças ao poder da internet, posso dizer-lhes que o ultimo game da franquia é o Onimusha: Soul.

Nesse review não vou abordar a franquia inteira (apesar de eu ser um órfão como muitos), vou focar apenas em Onimusha: Warlords, esse é o primeiro game da franquia que foi portado agora em 2019 para PS4, Xbox One, Nintendo Switch e PC

E por port, eu quero dizer, teremos sim uma melhoria gráfica e suporte para widescreen, a novidade nos controles e novidades na dublagem e músicas, contudo o restante se mantém fiel ao que vimos em 2001/2002.

Confira nosso gameplay da primeira hora:

Eu fiquei animadíssimo em poder re-jogar essa franquia e obvio que espero que o restante dos jogos venham também ou pelo menos a trilogia principal.

Bom vamos pelo básico, como já era esperado, o jogo receberia apenas uma camada extra de polimento, não seria um remake e tão pouco adicionaria conteúdo extra, seria o puro creme do port mesmo. Logo eu já teria meu senso crítico e minha barra de expectativa alinhadas e bem baixas, e isso me fez muito bem.

Alguns dados interessantes antes de iniciar o review:

  • Onimusha: Warlords é um jogo de 2002 q foi lançado para Xbox, um ano antes a versão Onimusha (apenas) foi lançado para PS2, é uma versão com menos conteúdo que o Warlords
  • Inicialmente o plano era lançar Onimusha para o PS1, o plano inicial era uma versão samurai de Resident Evil sob o nome Sengoku Hazard
  • O jogo começou a ser escrito em 1997
  • Havia uma ideia de lançar o game para Nintendo 64
  • O jogo utiliza alguns nomes históricos e acontecimentos reais

Curiosidades ditas, bora para o Review!

Ambientação

O ano é 1560 estamos no meio da guerra entre Imagawa Yoshimoto e Nobunaga do clã Oda, temos o controle de Samanosuke do clã Akechi, que está atrás de informações sobre o paradeiro de sua prima, a Princesa Yuki que é raptada pelos homens de Nobunga.

Kaede, uma kunoichi, ajuda Samanosuke em sua jornada. Ao chegarem no vilarejo próximo dos domínios de Nobunaga, descobrem que o local está infestado de Genmas, que são demônios devoradores de gente.

Ao tentar salvar Yuki, Samonosuke é nocauteado por um Oni e ao acordar começa a correr contra o tempo para salvar sua prima, e nisso encontra uma “luva mistica” que permite que ele consuma as almas dos Genmas derrotados.

Mecânicas

Pode se dizer que alguns jogos de hoje em dia tem certas influencias desta série, pelo que posso me lembrar, este jogo é o primeiro que introduziu um modelo de “almas”, que nada mais é uma loot que você coleta dos monstros derrotados afim de dar um upgrade em seus próprios itens.

Bom como todo survival da época que a Capcom produzia, aqui temos a mobilidade “tank” como primária. É aquela mobilidade parecida com o primeiro Resident Evil onde o botão do direcional digital para cima, sempre vai mover o personagem para frente, o para baixo, sempre move para trás e os laterais regulam a direção.

Contudo nessa versão incluíram a mobilidade livre através do L3 e isso é uma benção, assim como uma maldição, explicarei o porque. O jogo tem câmeras parcialmente fixas e cenários completamente pré-renderizados, para esse modelo de cenário, a mobilidade “tank” é a ideal pois, não importa quando a câmera mudar, seu personagem sempre estará andando na mesma direção.

Quando se usa a mobilidade livre, e a câmera muda de posição bruscamente, é muito simples para perder a noção de direção, isso me deu vários nós na cabeça durante minha jogatina, pois eu ficava perdido para saber qual direção eu tinha vindo ou para onde estava indo.

Contudo ainda é uma benção para ser usada em batalhas, contanto que não tenha muitas posições de câmera onde está batalhando, a movimentação livre te dá mais liberdade para esquivar das investidas ou mesmo para mirar.

Mas entendo que no momento, lá em meados dos anos 2000, os cenários pré-renderizados otimizavam o processamento dos jogos, assim os desenvolvedores focavam apenas nos elementos importantes, o que é estranho hoje em dia. Está o cenário ali todo numa paleta de cores e um item importante fica extremamente destacado como se não pertencesse ao local.

Falando em mira isso me lembra das armas de longo alcance, temos 2 tipos no jogo, arco e rifle, entretanto, mesmo com a mira automática (algo comum dos games desse modelo), os botões mapeados para usar estes NÃO FUNCIONAM em 2019! Para se ter uma ideia, se empunha a arma com o R1 e atira com o Quadrado, sofri tanto a ponto de desistir e ficar somente nos ataques corpo a corpo.

Um ponto extremamente positivo no game é a resposta de esquivas e bloqueios, quase todos os ataques são defensáveis e aqueles que não, são esquiváveis, e isso funciona muito bem e introduziu também o perfect block, onde é possível counterar seus inimigos.

Em questão de puzzles, acredito que ficaram um tanto quanto ultrapassados, hoje me dia, são até fáceis de superar, alguns se resumem a mover peças ou decifrar códigos e em nenhum momento fiquei travado em algum deles.

Em alguns momentos você tem de jogar também com Kaede, a Kunioichi, e a mecânica dela é beeeem diferente de Samonosuke o que acaba gerando uma confusão mental. Além de jogar com ela, alguns puzzles serão resolvidos utilizando os dois personagens ao mesmo tempo lembrando um pouco do que acontecia em Resident Evil 4.

O sistema de “evolução” é dado somente pelo loot, coletando as almas dos inimigos mortos, o que deixa o jogo ainda mais fácil, pois os inimigos spamam ~quase~ infinitamente, então basta um pouco de paciência que é possível acabar acelerando as coisas, explicarei abaixo.

Sobre os textos do jogo, muitos são ignoráveis, e as vezes parecem que os dubladores gravaram suas falas de forma isolada e depois a edição juntou tudo, é um ponto negativo, mas aceitável dado as limitações da época.

SPOILER ALERT – a partir daqui podem ter spoilers portanto se prezam o fator surpresa pulem para a conclusão

Com acelerar as coisas, dito acima, quero dizer que o Samonosuke terá acesso a 3 armas que serão suas armas principais para o jogo inteiro, são elas Raizan, Enryuu e Shipuu, correspondendo a 3 elementos Raio, Fogo e Vento respectivamente.

Cada arma vem acompanhada de uma orb, Azul(raio), Vermelha(fogo) e Verde(vento), cada arma e cada orb possuem seus níveis individuais, de 1 a 3, e para evoluí-los se gastam as almas coletadas.

Pois o segredo para acelerar está na mecânica das orbs, que servem para abrir portas e o nível da orb determina se a porta pode ser aberta ou não, então com um pouco de paciência, é possível farmar  bastante no começo do game deixar as orbs level 3 e seguir o game reto. O mesmo pode se dizer das armas, pois para estas, cada nível aumenta seu poder, muitos inimigos morrem com 2 ou 3 golpes, isso dá um grande adianto.

E essa estratégia pode ser ainda mais acelerada com um desafio que envolve derrotar alguns monstros e descer diversos andares do Dark Realm, nesse local é possível pegar mais de 7000 almas!!!

Outra coisa que auxilia em muito o fator diversão é o tempo de jogo, é bastante curto, com 3hs é possível fechar o jogo pegando quase tudo que há nele.

Conclusão

Se és fá da franquia e órfão como eu, compre e jogue, só tenha uma expetativa baixa para não se frustar, é apenas um port, não houve nenhum tratamento adicional, então não espere algo “bonito” padrão 2019.

Um bom survival horror, descompromissado e rápido, tudo o que a nossa rotina diária pede.

Ri um bocado com algumas situações, a dublagem do Guildstern é simplesmente épica!

E a cara de assustado do Samonosuke, aliás parece que ele está assustado 24/7 no jogo, capturei alguns momentos que poderá ver abaixo em nossa galeria.

Cambio, desligo!

notas

Fontes:

Entrevista IGN com Yoshiki Okamoto

Wikia Onimusha

Paulo Everton

Gamer, Gaymer e muito orgulhoso! Descobri os videojogos com 7 anos de idade, de lá para cá foi uma ladeira sem fim, horas gastas em frente a televisão e muita, mas muita mesmo, história para contar, vivi tantas vidas quanto consigo me lembrar, e quer saber? É muito bom não ser a si mesmo!
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