Análise: Ace Combat 7 Unknown Skies é um marco para a franquia

Desde a época do PS2 eu sou apaixonado pela franquia Ace Combat e sempre acompanhei os jogos e me diverti muito com eles. Porém, a era PS3 foi um tanto estranha/conturbada com a franquia e fiquei órfão de “jogo de aviãozinho”. Porém, agora em 2019 a franquia ressurge das cinzas com seu novo jogo e voa mais alto do que nunca.

Confiram abaixo nossas impressões deste jogo que irá agradar fãs e pilotos de primeira viagem.

Mais uma guerra entre Osea e Erusia

A franquia Ace Combat sempre teve uma pegada forte na história e na motivação dos personagens. Para dar um toque maior de realidade e peso aos acontecimentos, eles construíram toda uma lore do jogo com países, continentes, histórico de guerras, desastres naturais e por ai vai. Algo extremamente similar ao que aconteceu/acontece em nossa história. Ou seja, é um mundo fictício inspirado em fatos reais e isso pode ser um pouco confuso, pois terá que decorar nomes, países, personagens importantes e mais.

Em Ace Combat 7, temos um mundo em paz até que o Reino de Erusia, do continente Useano, rompe o cessar fogo e ataca diversos pontos estratégicos da Federação de Osea levando os países a mais uma guerra (vale pontuar brevemente que Ace Combat 7 segue uma linha temporal após os últimos títulos da franquia). No meio deste caos, Eurisia domina o elevador espacial que era um simbolo de paz entre as duas nações, além de ter um valor estratégico muito grande.

Ao longo do jogo caberá a você, Trigger, um protagonista que sofre da mudez que tantos outros protagonistas sofrem (não é Link?!), a pilotar seu avião para retomar o controle do elevador espacial e contribuir para o fim desta nova guerra. O destaque vai para o fato que Trigger irá sofrer muito na sua trajetória sendo tratado que nem lixo até ter seu valor reconhecido.

A mecânica e Narradora Avril Lavigne

Fantástica apresentação e storytelling

Como falei acima, a franquia Ace Combat é conhecida por sua capacidade de contar uma história complexa, mas em Ace Combat 7, eles elevam isso a um novo patamar. Embora você controle Trigger, que terá uma participação fundamental em tudo, a história é contada pela personagem Avril, que é uma mecânica genial. Embora, inicialmente não pareça ter nenhuma conexão entre os dois, a saga faz o papel de cruzar ambos e colocar um sentido em tudo.

Agora do lado do reino de Erusia, nós temos o piloto ACE (ás) Mihaly, também conhecido por seu nome completo: Mihaly Dumitru Margareta Corneliu Leopold Blanca Karol Aeon Ignatius Raphael Maria Niketas Archange Shilage (sim, achei importante colocar esse pequeno nome). Mihaly é um piloto mítico de guerras passadas e todas suas habilidades estão sendo absorvidas por uma inteligência artificial que está controlando os drones que estão ajudando o reino em sua guerra contra a Federação de Osea. Vale pontuar aqui como a Bandai se utilizou bem do boom de drones que estamos tendo nos últimos anos para utilizá-los em sua história.

Mihaly Dumitru Margareta Corneliu Leopold Blanca Karol Aeon Ignatius Raphael Maria Niketas Archange Shilage

E o terceiro pilar da história fica para todo o resto. Existem muitos diálogos entre as lutas, muitos personagens marcantes e com suas motivações próprias, seus comandantes e muito mais. O interessante é que como estão em guerra, os briefings se passam em tempo real e é possível receber um alerta vermelho antes do início de uma missão e ter que acelerar a decolagem. Isso da um excelente senso de urgência assim como imersão na história.

Saindo um pouco da história, que me agradou muito e é complexa, tenho que falar da apresentação do jogo. Eu simplesmente fiquei boquiaberto diversas vezes com os takes de câmera e as belas paisagens. Inclusive muitas vezes eu me senti jogando Metal Gear com tamanha elaboração de tudo que estava acontecendo. Além disso, a apresentação de cada missão é sempre muito bem feita e mostra o objetivo e sentido do seu ataque e/ou defesa.

Também tenho que ressaltar o quão bom/engraçado é quando Trigger está fazendo as missões sob o comando de um comandante linha dura que não liga para ninguém. Não posso falar mais nada, pois seria spoiler, mas acreditem em mim quando digo que é quase inacreditável o que acontece.

E por fim, tenho que aplaudir com os pés (porque as mãos estão secando minhas lágrimas) a trilha sonora deste jogo. É absolutamente incrível ouvir as músicas a cada nova fase e como elas se encaixam bem. É simplesmente uma obra de arte.

Fox 2, Fox 2

Novidades no meio das nuvens

Entre as novidades que Ace Combat 7 trouxe, tenho 3 a destacar. A primeira são as nuvens do jogo. Um dos muitos atrasos que o jogo sofreu foi exatamente por causa desse sistema e na época fiquei confuso, afinal nuvens são nuvens, certo? Porém, ao jogar eu pude ver o que eles estavam fazendo. Como a nuvem é água condensada e está a uma altura elevada, a tornando muito fria, ela irá congelar sua nave caso passe muito tempo dentro dela. Ou seja, existe um tempo limite que pode ficar em uma nuvem antes que vire uma pedra de gelo no meio do céu.

Além da nuvem, eu pude ver que existe um sistema muito interessante e desafiador de ventos fortes. Em diversos momentos do jogo, será necessário voar com uma certa precisão em uma área restrita, e muitas vezes você será recebido com uma forte instabilidade no tempo. Isso fará que sua nave seja jogada de um lado para o outro tendo uma grande aumento no desafio.

Por fim, a outra grande novidade que vi em Ace Combat 7, é que eles incluíram uma extensa árvore de desenvolvimento que deve ser liberada com um certo planejamento. Quando inicia o jogo, você receberá um F16 e depois será possível seguir diversos caminhos que o levaram a uma série de naves. Por exemplo, eu gosto muito da série F (F14 Tomcat, F18 Hornet, F22 Raptor) e acabei seguindo essa linha de desenvolvimento, porém, é possível seguir a linha do MIG ou então da série SU, por exemplo. E entre uma nave e outra, será possível desbloquear dezenas de melhorias como alcance do míssil, melhor poder de manobra, fuselagem melhorada, melhor aceleração e por ai vai. Como os campos para as melhorias são limitados, você deverá pensar bem na sua build a cada missão.

Ninguém é de ninguém no Multiplayer

 

Jogabilidade e multiplayer

De todas as inúmeras melhoras que vi em Ace Combat 7, certamente a menor de todas foi a da jogabilidade. Por ser um jogo arcade, a franquia como um todo tem um gameplay muito similar e funcional. E honestamente falando, não vejo uma necessidade de mudar esse “feijão com arroz” que vem desde a época do PS2. Mesmo assim, além do controle clássico, foi disponibilizado um controle simplificado onde ao colocar o analógico para a esquerda ou direita fará que a nave faça a curva perfeitamente facilitando seu controle.

E algo que muitos podem achar é que o jogo pode ser meio repetitivo ou cansativo. Bem, isso é uma verdade, pois é um jogo de caça com diversas dogfights (combate a curta distancia) e o objetivo sempre será derrubar o inimigo. Ele é tão cansativo quanto um jogo de futebol, por exemplo. Porém, para tentar cortar um pouco desse gameplay básico, foi incluído, em momentos específicos, mini games para diferenciar a jogabilidade que envolvem pouso, decolagem e até reabastecimento no ar. Além disso, existe uma gama de tipos de missão que não é somente destruir o esquadrão adversário. Existem missões em stealth e a baixa altitude, por exemplo.

Por fim, tenho que falar do multiplayer que funciona muito bem e não tive nenhum problema de lag. Nele você poderá utilizar qualquer avião desbloqueado no modo história assim como suas melhorias. Vale atentar que existem algumas melhorias que só podem ser usadas no modo campanha, assim como umas que só podem ser usadas no multiplayer. Sobre os modos de combate, são basicamente dois. O primeiro é a batalha em equipe que podem ser 2×2 ou 4×4. Já o segundo modo é o mata mata clássico que comporta até 8 naves e é cada um por si.

Conclusão

Ace Combat 7: Unknown Skies me surpreendeu de uma forma inesperada e já é o melhor jogo da franquia. É certamente um marco para a franquia que irá ditar o ritmo para novos lançamentos. Por mais que a jogabilidade seja parecida com os últimos jogos, a Bandai investiu em missões diferenciadas e efeitos de tempo (como as nuvens e ventanias) para trazer um novo sentimento ao pilotar nos céus. Além disso, a história consegue dar uma profundidade aos personagens (por mais que seja confusa) e é uma trama elaborada e muito bem dirigida, digna de aplausos.

Algo que não falei nesta análise, foi sobre o VR. Esse é um modo separado da história exclusivo do PS4 que proporciona uma experiência maravilhosa. Caso tenha um PS VR comprado, é obrigatório jogar este modo, mas comprar um VR somente por ele, não é indicado. O modo é sim muito bom e bem feito, porém, é limitado e curto com poucas missões que não seguem a história.

Talvez o único ponto negativo do jogo é uma frustração que pode sentir ao ser derrubado no meio de uma missão, pois muitas vezes terá que reiniciá-la desde o início perdendo 5/10/15 minutos do jogo.

notas

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Leonardo Coimbra

Mestre supremo do Ultima Ficha, não manda nem em seus próprios posts. Embora digam que é geração PS2, é gamer desde o Atari e até hoje chora pedindo um Sonic clássico e decente. Descobriu em FF7 sua paixão por RPG que dura até hoje. Eventualmente é administrador e marketeiro quando o chefe puxa sua orelha com os prazos.
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